Tradição reinventada
Tradição e constante inovação. O diálogo entre as linguagens acompanha as quadrilhas que participam, neste sábado (27) e domingo, da 16ª edição do Arraiá da Cidade, a partir das 16h, na Praça Antônio Carlos. Sete grupos – de Juiz de Fora, Coronel Pacheco, Belo Horizonte e Santos Dumont – integram o evento, promovido pela Funalfa, que busca resgatar uma das mais tradicionais festas brasileiras.
O arraiá tem ainda na programação shows de música sertaneja, forró e viola caipira, com as duplas Bruna França e Osmar, Heitor e John, Felipe e Juan, além do violeiro Fabrício Conde, do cantor Tõe do Roldão e do grupo Viola da Terra. Decoração temática, barraquinhas com comidas típicas e brincadeiras como pescaria também fazem parte.
Os trabalhos dos grupos participantes do concurso não se resumem a junho e julho. Uma das frequentadoras assíduas do arraiá, a juiz-forana Quadrilha Trombone traz uma coreografia estilizada para a festa que vem sendo ensaiada desde março. "Acaba o carnaval, começam os ensaios em todos os fins de semana", conta o coordenador Tauê de Oliveira.
A quadrilha formada por mais de 50 dançarinos, chegando a 60 integrantes com a equipe técnica, nasceu há 18 anos, no Bairro Ipiranga. O grupo que organizava um jornalzinho no bairro acabou formando uma quadrilha, como outras tantas do país, vinculada aos frequentadores da igreja da paróquia. "O jornal acabou, mas a a quadrilha continua", brinca o coordenador.
A temática escolhida para 2013 é "O casamento da namoradeira". "A namoradeira está muito ligada à cultura de Minas, que queremos resgatar", explica. A cada toque do apito, a quadrilha troca os passos da dança. "Apresentamos passos elaborados, diferentes, mas sem esquecer os tradicionais."
Também fortemente ligada às tradições, a Quadrilha Cata Latas, de Belo Horizonte, vem trazer seus passos ao arraiá juiz-forano. "Buscamos manter a essência da festa, mas também trazer passos evoluídos, para animar e surpreender o público", garante o coordenador, coreógrafo e marcador – encarregado de gritar os passos aos dançarinos -, Gradston Antônio Cassemiro.
Fundada há 35 anos, a Cata Latas festeja o "Sonho junino", que vem sendo ensaiado desde novembro do último ano e traz bailarinos que viram crianças e brincam de roda, pulam corda. "Começamos com um verdadeiro recreio, com as brincadeiras tradicionais, um tanto esquecidas nos dias de hoje", completa Cassemiro.
Organizado nas quermesses do Bairro Primeiro de Maio, em BH, o grupo – que tem hoje 50 dançarinos e outros 20 integrantes na equipe – ganhou tal nome porque os moradores da comunidade carente se mobilizavam para catar latas e materiais reciclados para arrecadar o dinheiro necessário à confecção dos figurinos.









