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Juiz-foranos no Festival de Teatro de Curitiba


Por RAPHAELA RAMOS

27/03/2012 às 06h00

Em "Na carreira", Chico Buarque e Edu Lobo cantam a sina do artista: "ir deixando a pele em cada palco". Com poesia, os músicos definem um ofício feito de prazer e dor. Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Teatro e o Dia Nacional do Circo (ambos hoje), grupos juiz-foranos colocam o pé na estrada em direção à mostra paralela (Fringe) do 21º Festival de Curitiba. De hoje até o dia 8 de abril, a capital paranaense recebe incontáveis espetáculos, produtores e curadores. Uma vitrine que acaba encorajando artistas locais a arcar com os custos e encarar mais de dez horas na estrada.

"É um oportunidade para conviver com gente de teatro e mostrar o trabalho para um público variado", justifica o ator Marcos Marinho, já de malas prontas para participar do evento, ao lado de Rodrigo Doi, com a peça "O longo caminho que vai de Zero a Ene". Dirigida por Sergio Lessa Arcuri, a produção será exibida em terra "estrangeira" de 1º a 3 de abril. Nesta quinta, a montagem terá sessão única no Mezcla. "O objetivo é arrecadar verba para a viagem", menciona Marinho, criticando o caráter mercadológico do festival. Para ele, a proposta valoriza pouco as manifestações que pesquisam novos formatos artísticos. "Não existe critério de estilo."

As trupes já estão acostumados com as dificuldades. Em sua 15ª edição, o Fringe reúne 368 espetáculos de gêneros distintos, vindos de 19 estados, além do Distrito Federal. Sem ajuda financeira e de divulgação, a ordem é ocupar um lugar ao sol. De acordo com o diretor Rodrigo Portella – que leva para o evento "O cego e o louco", da Cia. Cascudo, e "Uma história oficial", da Cortejo Companhia de Teatro -, cada grupo pesca seu público de acordo com interesses e circunstâncias. "Vamos nos apresentar no Teatro Teuni, da Universidade Federal do Paraná. Estamos divulgando a peça entre os alunos", comenta Portella, que já está em Curitiba. Para ele, estudantes de artes, letras, história e psicologia devem prestigiar as narrativas juiz-foranas, que abrirão as cortinas de quarta a sábado. A comédia "Velório pra morrer de rir", de Thadeu Santos, também está na programação paralela.

Portella é outro que destaca as possibilidades de exposição oferecidas pelo festival. Em tempos de homenagens ao teatro, porém, é preciso refletir sobre a profissão. "Por ser uma arte democrática, o teatro é visto pelas pessoas como algo que qualquer um pode fazer, que não exige estudo. Falta respeito aos artistas, especialmente aos do interior, tão ignorados", defende. Teófilo Otoni, Ipatinga, Contagem e BH são as outras cidades mineiras representadas em Curitiba. Somente "Eclipse", do Grupo Galpão, foi selecionada entre as 29 peças da mostra oficial. A capital também terá a oportunidade de protagonizar uma mostra especial: "Grupos de BH: Teatro para ver de perto", com curadoria do Galpão Cine-Horto.

 

27 anos no caminho

Por aqui, uma chance de fazer reverência ao deus Dionísio é a 27ª edição do seminário "Os caminhos do teatro", promovido pelo Grupo Divulgação. O evento, marcado para o próximo final de semana, comemora também os 40 anos do Forum da Cultura. As inscrições podem ser feitas até sexta, das 9h às 12h e das 14h às 18h, no Forum. O seminário se destaca por trazer à cidade relevantes nomes da cena teatral do país, além de produzir discussões e reflexões sobre a arte do palco.

Desta vez, os convidados vêm do Rio, de São Paulo e da Bahia. São eles: professor Luiz Marfuz, da UFBA e do Grupo de Pesquisa Pé na Cena; diretor Isaac Bernat, doutor em Teatro pela Unirio e professor da UniverCidade e da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL); professor José Fernando de Azevedo, diretor e dramaturgo do Teatro de Narradores (SP) e professor da Escola de Arte Dramática da USP; e Deolinda Vilhena, doutora em Teatro e Artes do Espetáculo pela Sorbonne – Paris III e pós-doutora em Artes Cênicas pela USP. Serão tratados, respectivamente, os temas "Os caminhos da arte-educação no teatro", "Os caminhos do ofício do ator", "Os caminhos da dramaturgia contemporânea" e "Os caminhos do mercado teatral".

O LONGO CAMINHO QUE VAI DE ZERO A ENE

Nesta quinta, às 20h

Mezcla (Rua Benjamin Constant 720)

OS CAMINHOS DO TEATRO

Sábado e domingo, a partir das 10h

Forum da Cultura (Rua Santo Antônio 1.112)