Vencedora do Prêmio Jabuti passou seus últimos dias em Juiz de Fora

Maria Lúcia Alvim morreu na cidade no início deste ano; Prisca Agustoni e Nara Vidal também estiveram entre as finalistas


Por Tribuna

26/11/2021 às 16h29

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Maria Lúcia Alvim viveu seus últimos dez anos em Juiz de Fora (Foto: Pury/Divulgação)

A 63º edição do Prêmio Jabuti, que aconteceu na última quinta-feira (25), teve, dentre os ganhadores, a poeta Maria Lúcia Alvim, escritora natural de Araxá, mas que passou os últimos dez anos de sua vida em Juiz de Fora. Maria Lúcia faleceu em fevereiro deste ano, aos 88 anos, vítima da Covid-19. Ela foi premiada na categoria poesia com a obra “Batendo pasto”.
O livro foi lançado em 2020, após a autora ficar 40 anos sem publicar. Escrita em 1982, a obra permaneceu guardada por quase quatro décadas. As poesias de “Batendo pasto” nasceram enquanto Maria Lúcia passava uma temporada em um sítio no interior de Minas Gerais. Após escrever, pediu que o amigo, poeta, professor e tradutor Paulo Henriques Britto as guardasse. A publicação, segundo ela, deveria ser feita apenas depois de sua morte, porém voltou atrás na decisão. Isso devido ao também poeta Ricardo Domeneck, que veio de Berlim para encontrá-la e convencê-la do contrário.
Em entrevista ao repórter Mauro Morais, em agosto de 2020, Maria Lúcia falou à Tribuna sobre a decisão de publicar o livro. “Quando escrevi, senti que ia viver bastante, até por ter uma família longeva. Agora resolvi abrir mão, porque está chegando a hora do bloco passar.”
Outras duas autoras que guardam relação com Juiz de Fora também foram finalistas do Prêmio Jabuti: Prisca Agustoni, professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e Nara Vidal, que publica crônicas mensalmente na Tribuna.

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Prisca Agustoni é professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (Foto: Fernando Priamo)

Prisca Agustoni também concorreu na categoria poesia com “O mundo mutilado”, publicado pela editora Quelônio. Ela ficou entre as cinco finalistas com o livro que reúne poemas em torno das migrações, sobretudo na Europa e a partir de 2013. Prisca é natural da Suíça, mas vive no Brasil desde 2002, antes disso viveu em Genebra e no Ticino. A temática de seus poemas está conectada à diáspora negra, às migrações para as Américas e aos deslocamentos, com reflexos na linguagem e na percepção artística.
Já Nara Vidal foi finalista na categoria contos, com a obra “Mapas para desaparecer”. Nara é natural de Guarani, município distante 70km de Juiz de Fora, e é radicada na Inglaterra. Em 11 contos, seu livro aborda temas difíceis, como o que a autora chamou de “desencontros e pequenas mortes diárias”. A obra fala sobre abuso, hipocrisia, esquecimento, exploração e inveja. O vencedor da categoria foi “Flor de gume”, de Monique Malcher.

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Nara Vidal é mineira de Guarani, radicada na Inglaterra (Foto: Lou Hall)

Prêmio Jabuti
Ao todo, o Prêmio Jabuti possui 20 categorias e teve, neste ano, 3,4 mil inscrições. Os primeiros colocados recebem o troféu Jabuti e o valor de R$ 5 mil. Nesta edição, o homenageado como personalidade do ano foi Ignácio de Loyola Brandão. O vencedor da categoria melhor romance literário foi “O avesso da pele”, de Jefferson Tenório, e o Livro do Ano foi “Sagatrissuinorana”, de Nelson Cruz e João Luiz Guimarães, uma homenagem às vítimas das tragédias de Mariana e Brumadinho feita através de uma releitura da fábula “Os três porquinhos”, inspirada na linguagem de Guimarães Rosa. O livro venceu também na categoria infantil e rendeu aos autores um prêmio de R$ 100 mil.