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Noite do faz de conta


Por MARISA LOURES

26/10/2013 às 07h00

Espoleta como só ela, Ritinha, interpretada por Elisa Bara Zaghetto, quer falar em bonequês. Contudo, ela está longe de aceitar, facilmente, não entender a linguagem que a irmã, Nina, um bebê que só fala dá-dá-di! Glu-gu!, tira de letra. Todas as crianças falam bonequês quando são pequeninas, explica a Centopeia. Depois, vão crescendo e vão esquecendo, completa. A pequena travessa, de 7 anos, adora os brinquedos, mas acaba tendo predileção pelos mais novos, deixando aqueles, já velhos, guardados numa imensa caixa que fica na garagem. A atitude não deixa a boneca Meg (Cristina Braga) e o urso Ted (Daniel Kallon) lá muito satisfeitos.

Ritinha é maluquinha e engraçadinha. Faz coisas de uma criança normal com seus mal-entendidos, quando está começando a aprender, defende Pedro Bandeira, autor de Chá de sumiço. O texto, premiado como melhor livro infantil no ano de 1992 pela Academia Brasileira de Letras e União Brasileira de Escritores, ganhou adaptação de Nilza Bandeira James e da repórter da Tribuna Renata Delage. A montagem, encenada pela Cia. de Atores Estação Palco, é a atração deste domingo, às 18h, no Cine-Theatro Central.

Depois de chegar da aula, contrariada com seu namoradinho, Ritinha não percebe que Maricota, sua boneca preferida, sumiu no dia do aniversário dela. Para encontrá-la, passa por cima de seus medos, contando com ajuda de amigos, como o João Bobo, a Tartaruga, o Soldado, a Bruxa e a Ursinha. No meio dessa aventura, que se desenrola no quarto da menina durante uma noite do faz de conta, ela ainda decide deixar de chupar o Dedão, com quem conversa antes de firmar um acordo com o pai. Então vamos fazer uma combinação: eu paro de chupar o dedo e você para de fumar, concorda?, propõe a menina.

Para dar vida à história, as autoras precisaram criar novos personagens, incluindo um par de vilões. As crianças adoram essa dualidade entre o bem e o mal. Isso provoca maior interação e amplia o interesse do público mais velho, afirma Nilza, experiente na empreitada de montar histórias de Bandeira. Já dirigiu espetáculos das obras O fantástico mistério de Feiurinha, A marca de uma lágrima, A droga da obediência e O dinossauro que fazia au au. Ela é uma diretora que usa o teatro para educar. Sempre acompanhei os trabalhos dela. São montagens fabulosas. Tenho certeza de que vai ser fantástico, enfatiza Bandeira, para logo fazer questão de contar ter escrito Vô Candinho e seus bonecos especialmente para a amiga diretora.

Ainda muito jovem, Bandeira se rendeu aos palcos. Começou a fazer teatro amador com o apoio de Patrícia Galvão, a Pagu, e teve o dramaturgo Plínio Marcos durante anos como parceiro. Já foi ator, diretor, cenógrafo, e entende bem as exigências das artes cênicas. No teatro, é preciso acrescentar personagens ou cortá-los quando necessário. Quanto a isso, sempre estive muito tranquilo.

Segundo Nilza, Chá de sumiço inaugura uma nova fase da Estação Palco. Com 34 anos de teatro, ela resolve retomar o projeto de fazer peças com a garotada. No total, dez crianças e cinco adultos compõem o elenco. Está sendo um recomeço. Sempre gostei de dar oportunidade para crianças que têm talento. Elas fazem teatro de uma maneira bem natural. Os mais velhos também estão conseguindo dialogar bem com esse público, acredita ela, justificando a escolha do texto. É uma história inteligente e dinâmica, com uma linguagem própria para o espectador infantil, que é quem formará o público do futuro. O Pedro também pensa muito nisso. Ele ensina sem dar uma lição de moral, observa Nilza.

Citando Bandeira, a diretora comenta que o espetáculo se destina a plateias na faixa etária dos 8 aos 80 anos. Se os mais pequeninos não se prendem ao texto, ela abusou da cor nos figurinos e investiu em uma trilha sonora com letras que não saem da cabeça. As canções foram compostas por Tânia Bicalho e serão executadas ao vivo, sob direção musical de Juliana Costa e Guilherme Oliveira. Os 15 intérpretes ganharam preparação vocal de Ana Sukita.

CHÁ DE SUMIÇO

Amanhã, às 18h

Cine-Theatro Central

(Praça João Pessoa)

3215-1400