Aprendendo com os pequenos
Knorr não lembra qual foi o primeiro questionamento, mas também isso não tem tanta importância. Vale ter a certeza de que as indagações, a partir de agora, estão reunidas no livro, produzido com apoio da Lei Murilo Mendes, Pequenas histórias das coisas que não precisavam existir. A publicação, além de marcar a estreia do artista como ilustrador, foi escrita com contribuição dos filhos João Pedro, Gabriel e Giulia, com idades entre 3 e 8 anos. A pequena também assina com o pai o infantil Histórias aranhosas, redigido quando ela tinha apenas 5 anos. Os lançamentos estão marcados para este sábado, às 17h, na Planet Music. Na ocasião, o poeta também faz o relançamento do CD Vamos ver que bicho que dá, produzido com Alexandre Laguardia. Um livro com poemas do escritor acompanha o álbum. A paternidade só acentuou a vontade de escrever para este público. Tenho um laboratório particular em casa, conta o autor.
Por que pesadelo existe? E a chinelada na bunda? E o que falar sobre a tristeza? Hora de dormir deveria ser a hora em que o sono chega. O espinho deve ser muito apaixonado pela flor. As azeitonas podiam nascer sem caroço. Nas 32 páginas de Pequenas histórias das coisas que não precisavam existir, o escritor registra o que ele considera uma prosa poética. Cada definição é apresentada em tópicos a meninos e meninas que estão na faixa etária dos 8 aos 10 anos. É como se fosse uma enciclopédia ou insights de literatura infanto-juvenil. Já até pensei num próximo volume. São várias coisas que toda criança fala, sentencia. O mundo deles é completamente diferente. Será que aquilo tudo precisa mesmo existir?, pergunta Knorr.
Não consigo ficar sem escrever. Tenho que botar para fora o que estou sentindo. Com os adultos, procuro lapidar mais a palavra. Já, com crianças, busco o jeito mais fácil de me expressar. É exatamente neste ponto que meus filhos me ajudam. Quero trabalhar com este público de uma forma que ele me aceite e compreenda facilmente o que estou dizendo.
Como Histórias aranhosas traz a assinatura de Giulia aos 5 anos de idade, o texto é indicado para aqueles que fazem sua primeira leitura. Neste, ao contrário, Knorr procurou alinhavar uma história com início, meio e fim. Duas aranhas e seus contrários, sempre rimados. Enquanto uma é feia, a outra é vaidosa. Se a primeira come pouco, a outra é gulosa. Os desenhos são de Danilo Lopes. Quem tem experiência para este público diz que a ideia é legal, porque trabalho com os contrapontos. Apesar de não serem nada semelhantes, elas são amigas. A mensagem que quero passar é que a diferença não faz diferença, diz o artista para logo justificar sua incursão na produção independente com esta obra. Quando lancei meu primeiro livro, não existia a Lei Murilo Mendes. Não temos que esperar só por ela. Escrever para criança é um caminho interessante. Então, tinha que começar de alguma maneira.
A proximidade com o universo infantil aconteceu em 1990, época em que Knorr dialogou com o lado hipocondríaco dos seres humanos em Inspirinas – poesia em cápsula. Em seguida, no ano de 2004, se rendeu à coletânea Poemas esparadrápicos, lançado pela ONG paulista Doutores da Alegria. Lançando mão de uma publicação no formato de uma tira adesiva, ele se propôs a fazer um curativo de poesia. Segundo o escritor, que começou a transpor para o papel os seus primeiros poemas quando ainda era adolescente, os livros chegam às prateleiras com tiragem de mil exemplares cada.
LANÇAMENTO DE LIVROS
Hoje, às 17h
Planet Music
(Av. Itamar Franco 1.522)









