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Adorável bandida


Por LEONARDO TOLEDO

26/10/2011 às 08h00

Presentes desde a era radiofônica, os bordões são um emblema da popularidade na comédia brasileira. Quando essas pérolas ganham as ruas, é sinal de que o personagem e seu intérprete caíram nas graças do povo. Em 2011, nenhuma frase foi mais ouvida do que "Ai, como eu tô bandida". Depois que a dupla Valéria e Janete estreou no programa "Zorra total", o país ganhou um novo fenômeno de aceitação no humor. O autor dessa façanha atende pelo nome de Rodrigo Sant’Anna, ator que responde não só pela transexual de cabelos ruivos, mas por outros tantos tipos que poderão ser vistos na peça "Comício gargalhada", apresentada hoje, em duas sessões, no Teatro Pró-Música.

Todos os seis personagens partiram da mesma fonte de inspiração: são caricaturas de figuras encontradas nas periferias cariocas ou, no caso de Valéria, nos trens de subúrbio. A travesti e sua companheira de vagão, Janete, surgiram bem antes do quadro "Metrô do Zorra", vem do espetáculo "Os suburbanos", encabeçado por Sant’Anna e Thalita Carauta desde 2005. De uma forma ou de outra, a peça foi responsável pelas diferentes oportunidades que o ator teria desde então.

Primeiro, veio o convite para uma participação na série "A diarista". O desempenho do humorista no episódio chamou a atenção de Renato Aragão, que o convidou para o elenco fixo de "A turma do Didi". Rodrigo Sant’Anna deixou o programa quatro anos mais tarde, pelas mãos de Maurício Sherman. O diretor do "Zorra total" comprou o passe do ator, depois de vê-lo em cena em "Os suburbanos". Gostou especialmente do pagodeiro Admilson, que se tornaria o par da Lady Kate, de Katiuscia Canoro.

Em sua primeira peça solo, Rodrigo Sant’Anna não escapa da popularidade de seus dois personagens famosos da TV, mas apresenta outras criações de suas observações inspiradas no cotidiano carioca. Uma das novas candidatas ao sucesso é a pedinte Adelaide, que abre o espetáculo em mais uma prova da capacidade do ator para incorporar trejeitos e a fala truncada de algumas figuras urbanas.

O humorista também revela sua verve politicamente incorreta, ao fazer piada de mazelas sociais, como enchentes. Dificuldades essas que ele conhece bem de perto. Nascido e criado no Morro dos Macacos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o humorista conviveu com tiroteios, sem guardar rancores desse passado complicado. Prova disso são as inserções entre um personagem e outro em que o ator se apresenta de "cara limpa", contando momentos engraçados de sua vida.

Estruturado como se fosse um comício eleitoral, em que cada personagem pede votos para si, "Comício gargalhada" apresenta figuras como o sensitivo Vanderlay das Almas, a cantora de Axé Sara Menininha, o Frango de Padaria, o Homossexual Obeso e, até mesmo, uma versão lusitana de São Jorge. Admilson e Valéria também aparecem para fazer campanha e pedir votos. Mas, nesse caso, não é necessário instituto de pesquisa para prever que a eleição está ganha.

 

COMÍCIO GARGALHADA

Hoje, sessões às 20h e 21h30

Teatro Pró-Música

(Av. Rio Branco 2.329)