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Vozes de Minas


Por JÚLIO BLACK

26/06/2015 às 07h00- Atualizada 26/06/2015 às 08h54

Carona Brasil lança terceiro trabalho após pesquisar a produção musical de Minas; grupo existe desde 2002

Carona Brasil lança terceiro trabalho após pesquisar a produção musical de Minas; grupo existe desde 2002

É com a alma e os olhos voltados para a terra onde nasceram que as cinco integrantes do grupo vocal Carona Brasil gravaram, no ano passado, o terceiro álbum do quinteto, “De lá pra cá – Daqui prali”. Composto exclusivamente por versões de artistas nascidos em Minas Gerais, o trabalho pode ser conferido nesta sexta-feira no Auditório Da Vinci do Independência Trade Hotel & Eventos, onde as cantoras Cássia Mattiello, Rosana Tunes, Carol Viana, Margareth Lucena e Sofia Cupertino fazem o show de lançamento da nova turnê, com apresentações agendadas para Brasília (4 de julho) e Belo Horizonte (8 de julho).

Segundo Rosana, esta é a primeira vez que o grupo, formado em 2002, se apresenta em Juiz de Fora. “Escolhemos a cidade exatamente por isso e ficamos felizes por fazer aí a primeira apresentação da turnê. Juiz de Fora é a nossa segunda capital mineira”, diz ela. Para o espetáculo, o quinteto vai apresentar as 12 músicas do CD, que inclui versões para canções de Ataulfo Alves (“Mulata assanhada”), Mário Palmério (“Saudade”), João Bosco (“Papel machê”) e do juiz-forano Geraldo Pereira (“Suíte das mulatas”), entre outros. A elas serão acrescentadas composições de artistas que ficaram de fora do álbum: Paulinho Pedra Azul, Ana Carolina, Sílvio César, Leri Faria, Paulinho Assunção e Flávio Venturini. “A pesquisa foi mais extensa que as 12 faixas do CD. Fizemos também os arranjos para os outros compositores, e elas estarão no show”, explica.

As cantoras serão acompanhadas na apresentação pelos instrumentistas Serginho Silva, Ivan Correa, Cléber Alves e Gilvan de Oliveira – este último diretor musical do show e responsável pelos arranjos do CD. Os arranjos vocais são de uma ex-integrante do grupo, Sílvia Maneira, e a direção vocal foi feita pela professora Babaya, a quem o quinteto dedicou o trabalho. A apresentação será marcada, ainda, pela participação do locutor Helvécio Trindade (marido de Rosana), que vai contar causos. “Ele vai fazer uma interface entre literatura e música, falando sobre o mineiro e as canções”, adianta. “O projeto é todo conectado às artes mineiras, a capa é uma aquarela do artista plástico mineiro José Alberto Nemer, o nome do disco é inspirado em Guimarães Rosa, a apresentação do trabalho é feita por um jornalista mineiro (Chico Brant). Só faltava o palco, com a literatura e a poesia.” Para fechar o clima de mineirice, antes do show haverá degustação de produtos da terra.

Pesquisa e memória

“De lá pra cá – Daqui prali” é o terceiro álbum do Carona Brasil e prossegue com o projeto de pesquisa musical feito pelo quinteto nos trabalhos anteriores. “Corra e olhe o céu”, de 2007, pesquisou a chamada Época de Ouro da música brasileira, no início do século XX, enquanto que “Bossa coisa nossa”, de 2010, manteve o foco nas décadas de 1950 e 1960, retratando o auge da bossa nova, e teve participação de um de seus mais conhecidos compositores, Roberto Menescal. Foi a partir daí, inclusive, que veio por linhas tortas o mais recente projeto do grupo.

“Um amigo nosso sugeriu a música mineira por acreditar ser este o momento de ela voltar à tona. Ao mesmo tempo, a pesquisa da bossa nova nos fez perceber que muitos compositores mineiros surgiram para o público em São Paulo, no Rio de Janeiro, e por isso muitos acreditam que eles nasceram lá. Vimos que há muitos mineiros que não estão no nosso meio, e essa curiosidade a gente trouxe para o novo trabalho”, conta Rosana.

A pesquisa foi iniciada em 2012, e o CD, gravado no segundo semestre de 2014 no Ultra Estúdio, em Belo Horizonte, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e com patrocínio da CBMM, Eletrobrás e Cemig. Para elas, diz Rosana, o trabalho feito pelo quinteto ajuda na preservação da memória da música brasileira. “Nós sempre pensamos em pesquisar e deixar esse registro para o público, porque dizem que o brasileiro tem memória curta – e isso não deixa de ser verdade. Um exemplo vem dos próprios autores, que muitas vezes não se lembram das datas de suas composições. Isso acontece até mesmo com autores contemporâneos.”

Levando o trabalho a sério

Um álbum de compositores mineiros, gravado em Minas e com show de lançamento em uma cidade mineira, tem o seu “círculo de mineirice” fechado com as próprias cantoras, também nascidas nas Gerais. Da formação original, apenas Rosana e Cássia permanecem, sendo acompanhadas pelas novas conterrâneas. “Nós começamos na escola de canto da Babaya, onde éramos alunas em turmas diferentes, e nos encontramos por meio do projeto ‘Construindo um show’. Cada professora direcionou um aluno (foram 14 no total) para participar desse show, e aí nós nos encontramos. Depois a Babaya chamou quatro de nós e propôs que cantássemos juntas. O quinto elemento foi a Sílvia Maneira, que é professora de canto e piano e vinha de Araxá”, conta Rosana.

Com o tempo, algumas integrantes saíram e outras chegaram, mas o Carona Brasil (nome sugerido por Helvécio a partir da ideia de elas “pegarem carona” na música brasileira) continua pesquisando, gravando e cantando. “Manter um grupo vocal hoje em dia é difícil, ao contrário da época do Quarteto em Cy, MPB4. Hoje o mundo é diferente, e temos integrantes com atividades variadas, são donas de casa, com filhos, médicas, taquígrafas. Mas somos sérias em nossos compromissos com o grupo, sempre comparecemos aos ensaios, temos reuniões, fazemos as pesquisas”, encerra Rosana.

CARONA BRASIL

Show de lançamento do CD ‘De lá pra cá – Daqui pra li’

Nesta sexta-feira, às 20h30

Independência Trade Hotel & Eventos

(Av. Presidente Itamar Franco 3.800)