Precursor do cinema
Reverenciado por Glauber Rocha como o pai do Cinema Novo, Humberto Mauro é considerado o grande pioneiro da sétima arte no país. O mineiro de Cataguases, primeiro diretor a ter contato com grandes estúdios e a viver exclusivamente de cinema no Brasil, tem sua vida e obra revividas na biografia romanceada Humberto Mauro – O pai do cinema brasileiro, que será relançada amanhã no Rio de Janeiro.
Autor da publicação, André Di Mauro, sobrinho-neto do cineasta, teve como material de pesquisa o extenso acervo guardado por seu avô, irmão de Humberto. Meu avô era o irmão mais novo e o arquivista da família. Tudo o que era veiculado, ele guardava e, com isso, acumulou um material muito grande, relata o autor. André sempre esteve ligado não só ao cinema, mas à TV, ao teatro, atuando como, diretor, produtor, ator e escritor. Agora, ele integra o elenco da novela Balacobaco, da Record.
A ideia inicial de elaborar um roteiro para um longa-metragem cedeu espaço à publicação, que teve sua primeira edição lançada em Cataguases, na festa do centenário do cineasta, em 1997. A edição atual teve texto e diagramação revistos, além de incorporar passagens da versão preparada para as telonas. O roteiro segue em produção, ainda sem data para começar a ser rodado.
Além de inspirar diversas gerações de cineastas, Humberto Mauro influenciou movimentos culturais, já que seus filmes promoviam a cultura brasileira em seus mais variados aspectos. Prosseguindo como precursor, exibiu o filme Vitória-régia no Festival de Cinema de Veneza, sendo o primeiro cineasta a representar o Brasil em um festival estrangeiro. Podemos dizer que ele foi o precursor do neo-realismo, já que falou sobre o gênero dez anos antes de as primeiras obras virem a público, explica André. Na filmografia elaborada por ele – a mais completa até então – constam, segundo o autor, mais de 300 obras de Mauro. E sei que existem outras que ainda não tive acesso e não pude catalogar.
O livro aborda, com detalhes, a obra e todas as fases da vida do cineasta. Humberto Mauro e a esposa, quando jovens, eram um espécie de Romeu e Julieta de Cataguases, já que ela vinha de uma família evangélica e ele, católica. Foi uma confusão para que conseguissem se casar, conta o autor. Também é retratada a luta do cineasta para sobreviver de cinema. Em determinado momento, Mauro teve que vender os móveis da casa para que o ideal de sua arte permanecesse vivo. Há também os momentos gloriosos, de homenagens e prêmios, diz.
Nascido no Rio de Janeiro, André vê como algo fundamental a divulgação da obra de Humberto Mauro em Minas Gerais, embora ainda não tenha previsão para o lançamento do livro no estado. Há um reconhecimento enorme em Minas, onde ele dá nome a centros culturais e salas de cinema. Minas sempre merece uma atenção especial quando falamos da obra de Humberto Mauro.









