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Andréa Nunes lança seu primeiro livro


Por JÚLIO BLACK

25/11/2014 às 07h00- Atualizada 25/11/2014 às 10h02

Escultora e fotógrafa, Andréa Nunes coloca seu coração em letras e versos

Escultora e fotógrafa, Andréa Nunes coloca seu coração em letras e versos

“Unidimensional” é o tipo de palavra que jamais poderia descrever Andréa Nunes. Nascida em Santos Dumont, ela cresceu e aprendeu a sentir, rir, chorar, se emocionar e entender tudo o que a vida tem de bom e ruim em Juiz de Fora. Artista plástica por opção e vocação, é conhecida por suas esculturas e fotografias, mas os últimos 20 anos também foram dedicados (secretamente?) às palavras. E é esse outro lado, o da escritora de poemas e contos, que será revelado nesta terça-feira, com o lançamento, na Livraria Liberdade, de “Cretina – poemas e microcontos”, publicado por meio da Lei Murilo Mendes.

O primeiro trabalho de Andréa na seara literária começou a tomar forma há cerca de três anos, quando compilou todas as coisas que havia escrito. “São coisas pelas quais passei, tem coisas importantes ali. Fiquei sabendo do edital da Lei Murilo Mendes e resolvi apresentar o projeto, e fui aprovada”, conta ela. “Cretina…” é a união das letras sentidas pela artista com o seu lado fotógrafa: junto aos textos está uma série de fotografias feitas a partir de fragmentos de diversos livros de Machado de Assis que ela havia acumulado.

Em ordem cronológica, os poemas e os contos vão do mais antigo, “Fogo e sombra”, escrito há cerca de duas décadas, até sensações que foram transcritas há poucos meses, em “Baixada” (sobre o avanço da música digital sobre o combalido vinil), já com o projeto em andamento. “A ideia era fazer as fotografias dialogarem com os poemas, que foram compilados de acordo com as imagens, fragmentos dos cerca de 200 livros do Machado que acumulei junto a fotografias 3X4. Eu aproveitei para fazer essa junção de fotografia e poesia.”

Nas quase cem páginas do livro, Andréa Nunes não teme expor seus sentimentos sobre temas profundos, como a tentativa de entender o seu “eu”, a dualidade do ser, amores idos, a morte, a passagem do tempo – tanto a literal quanto a metafórica. E também não tem medo de se considerar uma “cretina”, mesmo que o nome do livro tenha sua própria trama particular. “O título conta uma história que há em seu interior, uma brincadeira: o fato de que muitas pessoas são registradas com o nome errado, e isso acontece com essa personagem, a Cretina. Ela, na verdade, seria registrada como Cristina, mas houve esse erro. É uma história divertida. Mas há outras cretinas dentro do livro: eu, que sou a cretina-mor, a que escreveu o livro, e mais outras duas. Além da personagem-título, há uma prostitua e uma velha que fica babando por outra mulher.”

Reunir sentimentos acumulados – e ao mesmo tempo particularmente extravasados – em duas décadas poderia ser visto como o retrato de uma artista quando jovem sendo comparado àquela mais madura, ciente da passagem do tempo. No caso de Andréa, porém, esse rótulo é levemente rejeitado. “Não mudei muita coisa, continuo a mesma chorona, bem emotiva, as coisas me emocionam ainda. Mas melhorei também, aprendi o valor das coisas. Escrevo com mais cuidado que antigamente. Porém, não consigo sentir um distanciamento do que era 20 anos atrás”, resume a artista que esculpe, fotografa e coloca seu coração em letras e versos.

CRETINA – POEMAS E MICROCONTOS

Lançamento nesta terça-feira, às 20h

Livraria Liberdade

(Rua Benjamin Constant 801)