Ouça agora

Delicado incômodo


Por Tribuna

25/09/2011 às 07h00

Aos 22 anos, Adriana Barata decidiu se mudar sozinha para a fazenda da família em Santa Bárbara do Monte Verde. Sempre gostei de mato, justifica ela. Para levar adiante o destemido projeto, trancou o curso de biologia da UFJF no quinto período. Por mais de uma década, a diretora do filme Casa de boneca – que está sendo produzido com recursos da Lei Murilo Mendes – viveu assim, em seu verde isolamento. Até que a cidade entrou novamente na rotina da artista. Outra vez sala de aula, amigos, certezas, incertezas. A sorte era que Juiz de Fora, agora com a cultura mais encorpada, tinha exatamente o tamanho que a alma social da moça podia suportar. Quando não crio, sou brisa, por vezes, ar parado; criando, sou um furacão.

Em 2005, a mineira terminou o curso de cinema pela Universidade Salgado de Oliveira. Três anos depois, passou pela pós-graduação em artes, cultura visual e comunicação, da UFJF. Até então, apenas a palavra escrita era usada por Adriana para contar histórias. Descobri a palavra vista e sou grata aos meus mestres por isso. Depois de muitos roteiros, trabalhos acadêmicos e documentários autorais, apareceu o primeiro grande desafio, Casa de boneca. Desejo que o filme seja um delicado e bem-vindo incômodo, e que o público o receba de olhos abertos.

Longa

O segredo dos seus olhos, de Juan José Campanella

De 2009, a produção argentina tem roteiro, atuações, direção e fotografia primorosos

Curta

Os sapatos de Aristeu, de René Guerra

Vencedor do Festival Primeiro Plano 2008 e do Prêmio Aquisição Canal Brasil 2010, entre outros. O filme do alagoano René é mesmo impecável

Cineasta local

Marcos Pimentel

Gosto muito de como ele usa o silêncio, principalmente no documentário ‘Nada com ninguém’, 2003

Ator e atriz

Wagner Moura e Marília Pêra

Sinto o cheiro de seus personagens quando os vejo atuando

Roteirista

Machado de Assis

Cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta. Se tivesse nascido décadas depois, sua biografia certamente incluiria ‘roteirista’

Personagem

de cinema

Mickey, como aprendiz de feiticeiro

A animação ‘Fantasia’, de 1940, foi o primeiro filme que vi no cinema. Ali descobri que mundos inventados podiam ganhar vida, e isso era mágico

Peça de teatro

‘Um ser palhaço’, de Tarcízio Dalpra Jr.

A aguardada montagem da Cia. Putz! tem estreia prevista para outubro. Pode ser acompanhada em www.facebook.com/umserpalhaco

Exposição

Paisagens, retratos, naturezas, de Nívea Bracher

Em cartaz no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm). Os artistas da família Bracher transcendem a arte. É um estado, um ver e viver ‘bracherano’

Livro

Dicionários

Inclusive os etimológicos. Aprendi a gostar deles com meu pai. Eles me fascinam

CD

Réquiem em ré menor, de Mozart

Não sou fúnebre, mas também gosto das belezas que não me fazem sorrir