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Entre os maiores


Por Júlia Pessôa

25/06/2013 às 18h55

Rodrigo Portella

Rodrigo Portella

"É a coroação de muito, mais muito trabalho suado." Ainda com o coração palpitando e a sensação de um "soco no estômago", o ator juiz-forano Tairone Vale fala sobre a indicação do diretor Rodrigo Portella ao Prêmio Shell de Teatro, pela peça "Uma história oficial", anunciada na tarde desta terça-feira (25). Rodrigo, que é natural de Três Rios (RJ), está em turnê na Alemanha com a peça "O cego e o louco", também dirigida por ele e com elenco juiz-forano.

Patrocinada pela edição de 2011 da Lei Murilo Mendes, a montagem é inspirada no realismo fantástico de García Marquez, Mario Vargas Llosa e Eduardo Galeano, e narra a invenção de uma cidadezinha por quatro personagens, transitando entre os ares de interior e a universalidade das histórias. Antes de estrear em solo carioca, ainda em 2012, o espetáculo já havia passado por São Paulo e Curitiba, além de Juiz de Fora. Na capital fluminense, participou do 10º Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro, em 2012, e levou para casa quatro Prêmios Arlequim – melhor espetáculo, direção, iluminação e atriz coadjuvante para Lívia Gomes.

Para Tairone, que assina o texto do espetáculo com Rodrigo Portella, a direção de "Uma história oficial", aliada à fina sintonia da equipe, é o grande trunfo da peça. "Essa indicação é fruto da visão de conjunto do Rodrigo, a simplicidade e a humildade dele. A abertura e o desprendimento de usar ideias do elenco para enriquecer o trabalho como um todo. A falta de ego e a criatividade que esse jovem gênio dos palcos tem", diz Tairone, que divide o palco com outros dois atores de Juiz de Fora, Lívia Gomes e Marcos Bavuso, além de Bruna Portella.

Na 26ª edição do Prêmio Shell de Teatro, Rodrigo disputa o prêmio com Isabel Cavalcanti , diretora de "Moi lui". Já Ricardo Blat e Thelmo Fernandes foram indicados a melhor ator por suas atuações na mesma peça, "A arte da comédia". Na categoria de melhor atriz, competem duas veteranas : Camilla Amado ("O lugar escuro") e Suely Franco ( "As mulheres de Grey Gardens -o musical"). Entre os autores, apenas Julia Spadaccini foi lembrada, por "Aos domingos".

O melhor cenário ficará entre Andrés Sanches ("Vestido de noiva") e Rogério Falcão ("Como vencer na vida sem fazer força"), enquanto a concorrência do figurino será de Antônio Guedes ("O médico e o monstro") e Marcelo Pies ("Como vencer na vida sem fazer força"). "Vestido de noiva" também disputa na categoria iluminação, assinada por Renato Machado, contra a de "Mou lui", de Tomás Ribas. Na música, disputam Gabriel Mour, por "Cabaré Dulcina", e Rodrigo Penna, por "Edukators", cujo produtor é o juiz-forano Pablo Sanábio.

Neste ano, a honraria vem com uma novidade: a antiga categoria Especial foi rebatizada, passando a se chamar Inovação, e sendo destinada a espetáculos, textos, grupos ou profissionais que tenham apresentado trabalhos criativos em forma ou conteúdo. Nesta edição, o diretor Marcus Vinícius Faustini foi reconhecido pela criação do "Festival Home Theatre". O Prêmio Shell é um dos mais relevantes da cena teatral brasileira e contempla os espetáculos que estiveram em cartaz no primeiro semestre de 2013, no Rio de Janeiro e São Paulo. Os indicados do segundo semestre serão conhecidos em dezembro. No Rio, o júri é formado por Ana Achcar, Bia Junqueira, João Madeira, Macksen Luiz e Sérgio Fonta. A entrega de prêmios será realizada no início do ano seguinte à temporada em questão.