Noite independente com Canastra e Camarones
A mistura sonora e bem-humorada dos cariocas do Canastra volta hoje à cidade, para uma noite que será de celebração à música alternativa. Isso porque também se apresentam na casa o quinteto instrumental Camarones Orquestra Guitarrística, de Natal (RN), que, assim como os colegas de palco, faz seu som a partir da combinação de ritmos variados, como ska, rock e surf music. Na mesma noite, o produtor Pedro de Luna lança seu livro "Niterói rock underground (1990-2010)", que, diga-se de passagem, não poderia ter produção mais independente.
Sem passar pela cidade desde 2009, a apresentação do Canastra vai matar a saudade do fiel público juiz-forano (as passagens da banda sempre significam casa cheia). "O show ainda tem muito do repertório dos dois outros discos e, aos poucos, estamos incorporando músicas novas. Mas, ainda somos os mesmos. O Barba emagreceu um pouco, e o Daniel está cada dia mais calvo", brinca o vocalista e guitarrista Renato Martins. Ele garante que o show será incrível. "Uma espécie de Rock in Rio Juiz de Fora, só que muito melhor e mais barato", diverte-se.
Como ele recorda, as visitas do Canastra à cidade sempre garantiram bons momentos, durante e depois dos shows. "A gente sempre se divertiu muito. Primeiro, com o clima bacana do público e, depois, com toda a bagunça que fazemos." Com ele, é claro, estarão os outros integrantes da banda, Daniel Vasques (saxofone), Marco Rafael (trombone), Eduardo Vila Maior (baixo e voz) e Fernando Oliveira (banjo e guitarra).
No último ano, a banda andou um pouco sumida dos palcos, onde, segundo Renato, ainda é o melhor lugar para apreciar as canções do grupo. "Algo que a tecnologia não pode substituir, por enquanto." Entretanto, essa diminuição guarda uma boa notícia para os fãs. "Passamos o último ano voltados para a gravação de nosso terceiro CD", conta Renato, sobre o álbum "Confie em mim", que deve sair em breve.
Registro de uma cena
Para endossar o clima alternativo, o produtor Pedro de Luna circulará pelo Muzik cheio de histórias para contar. Amigo das bandas que tocam na noite de hoje, ele estará divulgando seu livro "Niterói rock underground (1990-2010)", produção independente, que ganhou vida depois de uma ousada estratégia. Diante da falta de apoio de uma editora pública de Niterói, onde ele teve o projeto do livro aprovado em dois concursos, mas não conseguia chegar até a publicação, ele resolveu vender alguns exemplares do trabalho por e-mail, antes que o material tivesse ganhado o formato físico. A estratégia deu certo. Em duas semanas, depois da venda de 120 exemplares, ele levantou a verba que precisava para lançá-lo, de fato. De lá para cá, já são quase 500 unidades vendidas.
"A ideia de fazer o livro surgiu em 2007, quando vi que estava começando a rolar algumas biografias sobre as cenas musicais. Mas ainda eram poucas", conta Pedro, que executou o trabalho baseado em um acervo próprio, acumulado ao longo de 20 anos. "Editei por conta própria, porque sentia uma vontade de registrar essas tradições. Vinte anos pode parecer pouco, mas aconteceu muita coisa. A tecnologia se popularizou, apareceu o celular, e ficou mais fácil gravar."
Ao relembrar da época abordada nas 223 páginas de seu livro, Pedro não nega o saudosismo. Segundo ele, embora tenha havido melhorias na música, muita coisa mudou para pior. A principal delas, como opina, é a falta de preocupação com as apresentações ao vivo. Para ele, na década anterior, as bandas lutavam por isso, iam para as praças, onde faziam o show acontecer. Além disso, Pedro acha que, como ficou mais fácil produzir música, aumentou a quantidade de bandas, mas ficou mais difícil peneirar o que é realmente bom. Inclusive, proporcionalmente, a quantidade de bons músicos está bem inferior à do passado, acredita o produtor.
Juiz de Fora
Apesar do recorte Niterói-Rio, Juiz de Fora ganhou espaço nas páginas da história contada por Pedro. Ele relata que um dos parceiros mais importantes que já teve foi o amigo juiz-forano Marcos Petrillo, com quem trabalhou em publicações especializadas. "Nos anos 1980, ele era ‘o cara’. Ele é quem levou Barão Vermelho e Raul Seixas a Juiz de Fora." A cidade aparece, ainda, nas memórias de Pedro sobre a vinda de bandas para apresentações na UFJF, agenciadas por ele, e na menção sobre o famoso fanzine da década de 1990 "Bat Macumba", que era assinado pelo jornalista Fabiano Moreira.
CANASTRA E CAMARONES
Hoje, às 22h
Muzik
(Rua Espírito Santo 1.081)









