CineOP reforça necessidade de preservação do cinema e homenageia diretoras mulheres

Mostra que acontece entre quinta-feira (25) e terça-feira (30) reúne 135 filmes na cidade histórica; Helena Solberg recebe reconhecimento


Por Elisabetta Mazocoli

24/06/2026 às 06h00

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Raquel Hallak, diretora-geral da Mostra, acredita que a Cineop é um momento ideal para discutir a preservação do cinema brasileiro (Foto: Leo Lara/ Universo Produção)

A Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) acontece entre quinta-feira (25) e terça-feira (30), com a temática central “Um país existe nas imagens que preserva”. Desta vez, a programação traz como eixos a preservação, a história e a educação do audiovisual brasileiro e escolhe homenagear as diretoras brasileiras em seus primeiros filmes, por meio da figura da prestigiada diretora Helena Solberg.

A cineasta, reconhecida pelo público como “a única mulher do Cinema Novo”, terá sua obra revisitada ao longo da mostra, que inclui um total de 135 filmes. Para a diretora-geral da Mostra, Raquel Hallak, o desafio de cada edição é dar destaque para a história do cinema brasileiro enquanto também lida com dilemas contemporâneos cada vez mais complexos — incluindo a valorização desse aspecto específico dentro da cultura.

As expectativas para o evento já estão enormes, principalmente por reunir, como destaca Raquel, vários profissionais da preservação, do audiovisual e da educação em uma “programação singular dentro dos circuitos de mostras”. “É um momento importante para estabelecer diretrizes no campo da preservação, que ainda é bastante vasto e tão necessário nesse momento em que estamos produzindo tantas imagens e conteúdos digitais”, comenta. A temática central, nesse sentido, reafirma que preservar a memória audiovisual é manter sua importância na construção de um país, de uma nação. 

Desde que a CineOP foi fundado, o mote foi pensar o que está sendo produzido pelo país e de que maneiras isso pode ser preservado para dar acesso às futuras gerações. “O que já foi produzido no passado precisa ser cuidado para que a gente conheça a nossa história. Essa temática é fundamental para pensar o audiovisual dentro do seu ecossistema e a preservação fazendo parte como estratégia de desenvolvimento social, econômico e humano”, diz. O desafio para isso, no entanto, é que ela entende que a preservação era vista como um “patinho feio” dentro do setor, pois ainda era um tema bem distante de quem produz e atua na área.

A mudança na forma de encarar a preservação, nesse sentido, é algo que acompanhou acontecer e que espera que o festival provoque entre os participantes. “Preservação precisa ser coisa de cineasta. A consciência, o papel da preservação e os resultados que fomos alcançando a cada edição vem reafirmando a importância da existência da CineOP e de tratar cinema como patrimônio”, diz.

Como resultados disso, Raquel enxerga medidas como a criação da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), de um Plano Nacional de Preservação e a apresentação dos projetos de preservação que são resultados das políticas públicas existentes nesse campo, além da carta de Ouro Preto, que a cada ano passou a registrar os anseios e as necessidades do setor.

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Helena Solberg é a homenageada desta edição (Foto: Leo Lara/Universo Produção)

Helena Solberg recebe homenagem

A cada ano, a mostra escolhe homenagens que provocam debates e jogam luz para a história do cinema, ao mesmo tempo que prestigiam figuras importantes. Na vigésima edição, o foco foi no humor das mulheres, e em 2026 essa perspectiva feminina se mantém, mas dessa vez trazendo as mulheres do audiovisual como protagonistas da temática histórica.

Raquel explica que a escolha priorizou as cineastas em seu primeiro longa, e como elas enfrentaram os desafios de iniciar a carreira no cinema, escolhendo essa atividade em um segmento tão masculino, e como se desenvolveram na área de forma a abrir caminhos para outras mulheres. 

Para representar essas cineastas, Helena Solberg receberá a homenagem, no mesmo ano em que seu curta “A entrevista” completa 60 anos. “Vamos reunir essas mulheres cineastas de diferentes gerações para contar um pouco das suas trajetórias a partir do seu primeiro longa-metragem. É onde a gente vai ter possibilidade de conhecer a fundo as motivações, as superações, os desafios da atuação das mulheres no cinema brasileiro”, diz Raquel. 

Preservação em diálogo com o contemporâneo

Para Raquel, o essencial é que a CineOP mantenha o olhar para a contemporaneidade enquanto trabalha a preservação em cada aspecto de sua programação. “Ao falar dos primeiros gestos na preservação, estamos falando de uma memória feita de maneira coletiva, e essas ações possibilitaram o primeiro momento da preservação, quando ela ainda nem era constituída como um campo institucionalizado”, diz.

A diretora-geral da Mostra entende que Ouro Preto é o cenário perfeito para isso: “A cidade já carrega em si toda uma consciência em si da preservação — no caso, arquitetônica, com suas igrejas e ruas. Somamos para falar que cinema também merece tombamento e também é patrimônio. É o casamento perfeito entre o cenário e o conceito do evento”.

Tópicos: CineOP