Mostra de Cinema de Ouro Preto completa 20 anos e tem edição focada na preservação
Edição aborda como temática histórica o humor feminino no audiovisual e traz Marisa Orth como homenageada

A Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) chega à 20ª edição como evento anual do calendário audiovisual brasileiro. O festival, que ocorre entre 25 e 30 de junho na cidade histórica mineira, tem como foco aliar preservação, história e educação, e, este ano, traz como tema “Preservação: A alma do cinema brasileiro”.
No total, serão 143 filmes exibidos (entre 30 longas, um média e 115 curtas-metragens), produzidos em dez estados brasileiros e cinco países, que poderão ser assistidos nos pontos de exibição espalhadas pela cidade e até on-line. A edição conta a temática histórica de humor das mulheres diante e detrás das câmeras e traz Marisa Orth como homenageada. Toda a programação é gratuita e aberta ao público.
Idealizada e realizada pela Universo Produção, a CineOP é a única mostra do Brasil que trata o cinema como patrimônio. Por isso, a coordenadora-geral Raquel Hallak entende que celebrar os 20 anos é motivo de orgulho da trajetória que vem se consolidando e ganhando cada vez mais destaque. “Celebrar esses 20 anos é, também, a consolidação de um projeto singular, que nasceu com esse propósito de valorizar o cinema como patrimônio”, pontua. “É a continuidade desse trabalho que virou referência nacional e internacional na preservação”, acrescenta.
Durante essa trajetória, já foram exibidos mais de 2 mil filmes que ampliaram a visibilidade da produção brasileira em suas diversas fases, estilos e territórios. Além da programação de filmes, o evento oferece ações formativas, debates, rodas de conversa e lançamento de livros e ainda promove, em edições anuais, o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, Encontro da Educação: Fórum da Rede Kino, exposição, Cortejo da Arte, Festa Junina, performances e shows musicais.

Para a organizadora, preservar é dar acesso — e, por isso mesmo, falar sobre esse tema no momento é tão importante. “Vamos apresentar alguns cases de restauro, explicando como se deram, as dificuldades e os desafios, além de quanto custa restaurar um filme para que ele tenha novamente vida usando as novas tecnologias. Vai ser uma celebração poder exibir filmes que ganham essa nova roupagem nos espaços de Ouro Preto”, ela explica, falando a respeito das exibições na Praça Tiradentes, no Cine-Museu (um auditório novo no Museu da Inconfidência) e no Cine-Theatro. Entre os filmes que vão ser exibidos depois de passarem pelo processo estão os curtas “Na realidade…”, “Eunice, Clarice, Thereza e Atenção: Perigo” e os longas “O Capitão Bandeira contra o Dr. Moura Brasil”, de Antônio Calmon, e “A mulher de todos”, de Rogério Sganzerla.
Outra novidade da edição é a mostra competitiva, que passa a dar visibilidade para filmes contemporâneos que usam imagens de arquivo. São obras, como ela define, que precisam da pesquisa e vão até os acervos e instituições de guarda. “Queremos mostrar o uso desses acervos para a construção de novas obras audiovisuais”, explica Raquel. No total, as exibições foram organizadas em 12 mostras, que se dividem nas sessões Histórica, Competitiva, Contemporânea Longas, Contemporânea Curtas, Educação, Valores, TV UFOP, Preservação, Mostrinha, Cine-Escola, Cine Concerto e Itaú Cultural Play.
Temática do humor e presença de Marisa Orth
O destaque da edição vai para o humor feminino no audiovisual e, por isso, foi importante trazer um dos nomes mais marcantes desse gênero no país: Marisa Orth. A escolha, como explica Raquel, se deu por ela ser uma artista completa, com trajetória marcante em teatro, televisão e cinema. “Seu trabalho no humor brasileiro é ímpar. Ela é símbolo na cultura nacional de talento e empatia com o público.” Além dos filmes em que a atriz aparece, o humor feito por mulheres também é apresentado ao longo de toda a programação. “Destacar o humor feito por essas mulheres é mostrar, também, uma forma de resistência, inteligência e criatividade. Elas subvertem os padrões e abrem caminhos para outras narrativas, demonstram pluralidade e diversidade na linguagem audiovisual brasileira”, destaca a organizadora.
Além da homenagem à atriz, também serão homenageados, por meio do Prêmio Preservação e do Prêmio Cinema e Educação, o professor João Luiz Vieira e a educadora e socióloga Maria Angélica dos Santos. As honrarias são novidades desta edição celebrativa e enaltecem as atuações de ambos na formação de profissionais do audiovisual de forma crítica e criativa.
Outras atividades
Pensando nesse potencial de preservação, outro eixo importante do evento é formar os profissionais de audiovisual. Por isso, também estão sendo oferecidas oficinas, masterclasses internacionais e workshops, que tiveram o total de 365 vagas e contam com a participação de profissionais de Brasil, Canadá, Portugal, Estados Unidos, Cuba e Chile. A Mostra conta, ainda, com uma programação cultural que inclui, entre outras atividades, a Festa Junina e o show da cantora Xênia França, vencedora do Grammy Latino de 2023.









