Das histórias que o vovô contava às telas de streaming
Com curta-metragem “A vida é coisa que segue”, cineasta mineira resgata as raízes de seu avô

Especialista em cinema pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a diretora Bruna Schelb Corrêa, 28 anos, já contabiliza dez curtas-metragens e um longa em sua bagagem. Dentre eles, o título “A vida é coisa que segue” (2019), disponível na plataforma de streaming Polo Audiovisual TV (poloaudiovisual.tv), traduz inspirações familiares e culturais da cineasta. A história do curta é baseada em um dos vários contos de seu avô Luiz Schelb, e a narrativa é inspirada em sua forma de contar.
“Eu cresci em uma chácara, e tudo que tínhamos para fazer era ouvir as histórias do meu avô, porque a gente não assistia muita televisão. E suas histórias eram muito mágicas, com cara de interior. Ele contava história de um menino que engoliu semente de abóbora e (o legume) começava a crescer saindo dele, por exemplo”, conta. Ao escrever o roteiro de 15 minutos, Bruna imaginou o próprio avô como protagonista da história, uma criança. O homenageado chegou a aparecer como figurante nas filmagens, feitas em sua terra-natal, em Santana de Cataguases.

Vencedor de sete prêmios no Festival Ver e Fazer Filmes, o curta chama a atenção pelo olhar humano e pela memória afetiva. “O curta não quer olhar para o interior como se as pessoas fossem mais bobas ou mais devagar, e sim com muito carinho. E é algo da nossa própria memória, todo mundo tem um avô e, mesmo que não tenha conhecido, já ouviu histórias. Esse filme também mostra minha origem. Além disso, acho que a equipe trabalhou muito bem em todos os setores, e isso fica visível nos resultados. A equipe montou uma padaria em uma casa familiar; o diretor de fotografia captou expressões bonitas da criança, conseguiu trazer uma luz bonita para o filme. Acho que o mérito dos prêmios está espalhado por muitas pessoas”, avalia a diretora, que é também uma das fundadoras da produtora Filmes do Mato.
LEIA MAIS:









