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Arte mineira


Por MARISA LOURES

24/01/2015 às 07h00

Entre as pré-estreias nacionais deste  sábado está

Entre as pré-estreias nacionais deste sábado está “As fábulas negras’

Antes de seguir para o Centro Cultural Banco do Brasil, de São Paulo, integrando a exposição “Bracher – pintura & permanência”, o curta homônimo, dirigido pela jornalista Blima Bracher, faz uma parada na Mostra de Cinema de Tiradentes. A exibição será hoje, às 20h30, na presença do próprio homenageado, o artista plástico Carlos Bracher. Nas cenas apresentadas, inaugurando o Cine BNDES na Praça, serão reveladas a trajetória artística deste mineiro de Juiz de Fora radicado em Ouro Preto desde a década de 1970, incluindo as séries “Van Gogh”, “Catedrais siderúrgicas”, “Brasília”, “Retratos”, “Auto-retratos” e a recém concluída “Tributo a Aleijadinho”. Realizado até 31 de janeiro, o evento tem na sua programação 128 filmes brasileiros, sendo 37 longas e 91 curtas, seminários, debates e apresentações culturais. O destaque do dia é o bate-papo com a atriz Dira Paes, homenageada deste ano.

Se a intenção é sugar até a última gota desta temporada cinematográfica, o batente começa logo cedo com a exposição “Histórias para contar”, em cartaz na Praça Tiradentes. É uma boa oportunidade para conhecer 15 personagens que se destacam na vida, na rotina e na história da pequena localidade através de uma instalação de painéis. Mas a passada por lá deve ser rápida porque às 10h30, no Cine-Teatro Sesi, Cléber Eduardo, curador do festival, o cineasta Felipe Bragança e o crítico de cinema José Carlos Avellar levam a questão que norteia esta edição – “Qual o lugar do cinema hoje?” – para o centro das discussões.

Às 11h, começa a exibição do filme “O menino no espelho”, uma adaptação do livro do escritor mineiro Fernando Sabino. Marcando a estreia solo de Fiúza na direção de um longa, a obra é um presente para a garotada. Fernando (Lino Facioli) é um garoto de 10 anos que está cansado de fazer as coisas chatas da vida. Seu sonho era criar um sósia, que ficasse com estas tarefas enquanto ele poderia se divertir à vontade. Até que, um dia, é exatamente isto que acontece, quando o reflexo de Fernando deixa o espelho e ganha vida.

O percurso de Dira Paes

“Como se revela e se caracteriza este talento brasileiro?”. Esta é a questão que será colocada em pauta durante o seminário “O percurso de Dira Paes”, agendado para às 12h15, no Cine-Teatro Sesi. Além da atriz paraense, devem estar presentes os cineastas Guilherme Coelho e Rosemberg Cariry, com quem Dira trabalhou em “Órfãos do Eldorado” (2013) e Corisco & Dada (1996), respectivamente. Aliás, este último será exibido às 17h, no Cine-Teatro Sesi. “Foi no momento de reaquecimento da produção de cinema (em 1994), ainda a duras penas, que a atriz paraense impôs sua presença, com cabelos pretos, pele morena, aparência de brasileira amazônica e um fácil naturalismo, testado em personagens de diferentes sotaques, com acentos do cangaço e dos pampas, apesar de sua origem no Norte”, destaca Cléber Eduardo, ressaltando que a escolha da homenageada se justifica, principalmente, por sua identificação com o tipo de cinema valorizado na mostra.

Menina dos olhos dos realizadores de cinema autoral, a programação de curtas começa com a “Mostra cena mineira”, às 17h45, no Cine-Tenda, seguida da “Mostra panorama”, às 19h. Caso tenha fôlego, vale muito ficar para o que a noite nos reserva, já que ocorrerão três pré-estreias nacionais: “Nervos de aço”, de Maurice Capovilla; “A batalha da Maria Antônia”, de Renato Tapajós, e “As fábulas negras”, do quarteto do terror formado por Petter Baiestorf, Rodrigo Aragão, Joel Caetano e José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Em conversa com a Tribuna na quinta-feira, o cineasta Petter Baiestorf falou da expectativa de ter seu filme sendo exibido por inteiro pela primeira vez. “Por saber que o filme é um pouquinho diferente do que o público da mostra está acostumado, estou com uma expectativa muito grande. Mas o filme está muito bacana, tem uma linguagem que vai agradar bastante”, acredita ele, dando detalhes desta produção em que um grupo de crianças embarca numa aventura macabra povoada com personagens do imaginário popular brasileiro – lobisomem, bruxa, fantasma, monstro e Saci.

“Este projeto surgiu de uma ideia do Rodrigo de transformar as lendas folclóricas brasileiras em um terror mais adulto, dando uma nova roupagem. Eu fiz a versão do Lobisomen e tentei trazer um climão de faroeste mais violento.” Segundo Petter, no que diz respeito ao cinema autoral, “As fábulas negras” se encaixa perfeitamente na proposta do evento. “Falando por mim e o Aragão, temos um estilo autoral bem forte. Quando o público assistir vai perceber que é um filme de gênero, mas, ao mesmo tempo, tem uma unidade em toda a obra. Sempre tento fazer esta junção de experimentalismo com filme de gênero. Gosto de misturar linguagens estéticas, pois acho que o cinema tem que estar aberto para brincar com tudo.” A exibição está marcada para meia-noite e meia, no Cine-Tenda. Quem quiser saber o que rola por lá nos próximos dias, basta acessar a página /www.mostratiradentes.com.br.