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Luz no fim do túnel


Por RAPHAELA RAMOS

23/11/2011 às 07h00

O projeto de finalização das obras do Teatro Paschoal Carlos Magno está aprovado para captação via Lei Rouanet. A notícia foi dada em primeira mão pelo superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, na última segunda, durante a estreia do I Ciclo de Debates Culturais da Tribuna de Minas "Dois pra lá, dois prá cá". O evento, que continua nas próximas três segundas, discutiu as artes cênicas locais nessa primeira edição e contou com a presença de cerca de 90 pessoas na plateia. "Gostei de ver a videoteca (do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas) lotada. A participação da classe nos momentos de conversa é muito importante", avaliou Guy Schmidt, diretor do CCBM.

Os convidados da noite – José Luiz Ribeiro, diretor do Grupo Divulgação; Alexandre Guttierrez, diretor do GTMG / Companhia Tralha; Carú Rezende, atriz e produtora da Funalfa; e Sylvia Renhe, coreógrafa e diretora da Companhia Inércia Zero – falaram por cerca de 50 minutos sobre formação, profissionalização, leis de incentivo e participação política. Em seguida, o microfone foi aberto para o público. O superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, ressaltou a importância da Campanha de Popularização do Teatro para a cidade no sentido de aproximação dos grupos. Por outro lado, afirmou que essa não pode ser a única ação da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Apac / JF).

Na plateia, o ator Henrique Simões abordou a questão dos espaços alternativos. "Há inúmeros lugares de encenação em Juiz de Fora, próprios para variadas linguagens. O artista precisa descobrir qual é o seu." Por outro lado, Guttierrez comentou sobre a necessidade de parceria entre as companhias e os teatros convencionais. "Permutas podem ser interessantes para os dois lados." Sobre a profissionalização, um dos pontos mais debatidos, José Luiz Ribeiro advertiu que o cenário local é particular e não deve ser comparado com o de capitais. "Como discutir o assunto sem freguesia?" Para ampliá-la, Sylvia Renhe aposta na formação do indivíduo. "O interesse pela arte está na base."

Por meio do I Ciclo de Debates Culturais, a Tribuna irá produzir uma série aprofundada de matérias sobre artes cênicas, música, literatura e artes visuais. Na próxima segunda, será a vez de os músicos analisarem sua realidade atual. O evento é gratuito e acontece a partir das 20h na videoteca do CCBM.

 

Lei Rouanet como caminho

Em análise no setor técnico da Fundação Nacional de Artes (Funarte) desde fevereiro, a proposta de conclusão do Teatro Paschoal Carlos Magno foi aprovada com louvor pela comissão, segundo Toninho Dutra. "Agora falta somente a certificação concedida após a avaliação de alguns documentos", explica o superintendente, completando que, depois dos cortes das emendas parlamentares, a Lei Rouanet foi o caminho mais viável para a finalização das obras, iniciadas há cerca de 30 anos.

De acordo com Beth Carreira, responsável pela divisão de projetos da Funalfa, a proposta já passou por todas as etapas. "Após essa última conferência documental, estaremos aptos para iniciar a captação." O valor aprovado (R$ 3.347.829,03) foi um pouco menor que o solicitado (R$ 4.122.460,22). Beth afirma, porém, que a justificativa para a redução ainda não foi liberada pelo Ministério da Cultura (MinC). Conforme acrescenta ela, o projeto foi enquadrado no artigo 26 da Lei Rouanet (Lei 8.313, de 23/12/1991), que prevê, para o patrocinador, a necessidade de investir uma parte do dinheiro sem incentivo.

Em breve, Toninho Dutra irá se reunir com representantes da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico a fim de analisar quais empresas locais têm o perfil para esse tipo de apoio. "Esperamos contar com a participação da iniciativa privada, que terá sua marca associada a um símbolo da cultura juiz-forana. A intenção é retomar as obras ou, pelo menos, deixar os recursos garantidos", diz, salientando estar confiante nessa possibilidade de resolução.

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