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Rock com classe


Por RENATA DELAGE

23/08/2013 às 07h00

Uma vibrante fusão entre estilos musicais. O palco do Cine-Theatro Central recebe, amanhã, a Orquestra Ouro Preto, com a série The Beatles. Sob regência do maestro Rodrigo Toffolo, a orquestra mineira percorre o país em turnê. No palco, uma formação inusitada – uma orquestra e uma banda de rock. Essa fusão é bastante interessante, desperta o interesse do público. É como misturar cores, basta ter cuidado para não exagerar nos tons, avalia o maestro.

Sucesso de crítica e público, The Beatles já percorreu diversas cidades, incluindo participação na edição do ano passado da International Beatle Week, em Liverpool – tradicional evento inglês dedicado à obra de seus mais nobres conterrâneos -, onde se destacou em três elogiados concertos, como no Philharmonic Hall de Liverpool, uma das salas mais importantes da Inglaterra.

A participação em Liverpool foi, segundo Toffolo, um marco na história da jovem orquestra, com mais de uma década de atividades ininterruptas, mas com média de idade de 27 anos entre os seus integrantes. É uma responsabilidade quase triplicada tocar músicas que são temas da cidade deles, onde entendem de Beatles como ninguém. Sair bem-sucedido desse desafio faz o grupo crescer, ganhar notoriedade, acrescenta.

O repertório da apresentação abrange todo o período de produção artística dos Beatles, de grandes sucessos que há muito fazem parte do imaginário coletivo até canções menos conhecidas, em arranjos inéditos, assinados pelo violinista Mateus Freire. Destaque para Day tripper, Yesterday, Help, Eleanor Rigby, Something e Hey Jude.

Manter a fidelidade às clássicas canções do quarteto inglês, sem deixar de inovar nos arranjos, é um dos desafios da formação. A apresentação privilegia a linha melódica original das canções, com os violinos, violas, violoncelos e baixo substituindo a palavra cantada. Procuramos respeitar os refrões e as repetições. O fato de o público já conhecer a versão original é um facilitador.

Com ingressos esgotados, a apresentação, gratuita na cidade, é promovida pela PJF e Cesama, com apoio da ArcelorMittal e Pró-reitoria de Cultura da UFJF.

Ao mesmo tempo em que reapresenta os clássicos dos garotos de Liverpool às novas gerações, a Orquestra Ouro Preto acaba por cumprir o papel de despertar o interesse dos jovens para o universo erudito. Unimos as duas coisas, pois muitos jovens que vão à nossa casa ouvir Beatles tomam gosto pela música orquestral e instrumental, conta o maestro Toffolo. Também é possível tornar o clássico mais flexível. Tocar Beatles, por exemplo, é sair da nossa zona de conforto.

A Orquestra Ouro Preto, fundada em 2000, coleciona momentos importantes em sua recente história. Entre os feitos do grupo, destaca-se a indicação ao Grammy Latino no ano de 2007 como melhor trabalho instrumental pelo disco Latinidade.

Recentemente, realizou uma série de concertos em Portugal e na Galícia, divulgando a música de concerto brasileira contemporânea, em parceria com a Missão do Brasil junto à Comissão dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Denominado Turnê lusofonia, o projeto prevê ainda concertos em Cabo Verde, Açores, Moçambique, Angola, Macau e Timor Leste.

Já no campo da música experimental, estreou em abril do ano passado o espetáculo Valencianas, em parceria com o cantor e compositor pernambucano Alceu Valença. No projeto, canções como La belle du jour, Coração bobo, Tropicana, Anunciação, Sino de ouro e Porto da saudade ganharam contornos orquestrais. O DVD gravado ao vivo no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no fim de 2012, será lançado em setembro.

O grupo também está produzindo o longa-documental Concerto para Ouro Preto, dirigido pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos, que tem como foco a trajetória da orquestra e as inspiradoras paisagens da antiga Vila Rica. O filme conta ainda com repertório inédito de Villa-Lobos, nunca antes registrado. A expectativa é que o longa comece a ser rodado este ano. Estamos na fase de divulgar os projetos, para que o grande público tenha conhecimento do nosso trabalho, finaliza o maestro.

ORQUESTRA OURO PRETO

Sábado, às 20h30

Cine-Theatro Central