Modernismos no audiovisual e no jogo on-line

Mais três projetos do edital “Pau-brasil” serão apresentados durante essa semana; confira os detalhes


Por Cecília Itaborahy, sob supervisão de Wendell Guiducci

23/02/2022 às 07h00- Atualizada 24/02/2022 às 11h23

Mais que repensar o que foi o modernismo, os artistas, no edital Pau-Brasil do Programa Cultural Murilo Mendes, da Funalfa, apresentam a forma como esse movimento mexeu com cada um deles. Através das tantas linguagens artísticas, os 15 projetos aprovados e expostos neste mês de fevereiro fazem pensar o movimento, impulsionado pela Semana de Arte Moderna, de maneira individual, pelo olhar dos envolvidos nas pesquisas e nas apresentações, mas, também, pelo olhar do público que, seja pelas ruas de Juiz de Fora ou pelas cadeiras dos teatros e até pelas telas, compreende e capta o que é o modernismo no agora. Na quinta-feira (24), mais dois projetos audiovisuais serão apresentados. Além deles, o público conhece a versão avatar de Murilo Mendes em um videogame.

“Nubus”

Nesta quinta-feira (24), às 15h, acontece o lançamento da versão em fliperama do videojogo “Nubus”, no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM). Juntando poesia e videogame, a proponente Carmem Lúcia Altomar Mattos se baseou na relação de Murilo Mendes com o modernismo e, a partir do aforismo “Prefiro a nuvem ao ônibus”, presente no livro “Discípulo de Emaús”, desenvolveu o jogo em que o avatar representa o poeta juiz-forano. Ele precisa desviar dos ônibus que aparecem pelo caminho e pular para capturar as nuvens e fazer pontos para dar continuidade à partida. Sua versão on-line já está disponível no site nubus.art.br. No MAMM, fica a máquina física que, posteriormente, deve circular por outros pontos da cidade. Em março, vai haver uma oficina que fala sobre a produção de game arte, também no MAMM, com data ainda a ser definida.

PAU nubus
(foto: Reprodução)

“Nossa loucura é nossa vitória”

Também na quinta vai acontecer a exibição do experimento de cinepoesia “Carlos, nossa loucura é nossa vitória”, de André Monteiro, com a primeira sessão às 19h, e a segunda, às 20h, no Anfiteatro João Carriço. O projeto “Nossa loucura é nossa vitória” foi desdobrado em etapas. A primeira foi repensar as novas formas para o poema “Carlos”, escrito por André nos anos 90, que dialoga diretamente com o “Poema de sete faces” de Carlos Drummond de Andrade, em que ele apresenta o “gauche”: a figura do poeta que é “torto” em relação ao modo de vida moderno. André teve a ideia de ir à rua vestido de gauche, de anjo torto, e declamar a sua poesia, em contato com os transeuntes que passaram por espaços de Juiz de Fora entre os dias 21, 23, 24 e 25 de janeiro. “A ideia era colocar a poesia em contato com a prosa, a prosa em contato com a poesia, o poema com a cidade, a cidade com o poema, e ver o que poderia transitar daí, sem alguma expectativa prévia, e sem pensar no choque, mas em experimentar alguma coisa para além de um utilitarismo que se baseia na ideia de que tudo deve ser negociado.” O processo foi todo gravado e deu origem ao filme. “O resultado é entre algo que seria tradicionalmente o documental e o que seria a ficção. É uma mistura do teatro fílmico com o teatro da realidade.” Além disso, o projeto ainda desenvolveu um minilivro com uma edição do poema “Carlos”, que também vai ser lançado durante as sessões.

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(foto: Tomyo Costa Ito/Divulgação)

“Cyclone”

Também na quinta-feira (24), às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno, acontece a exibição de “Cyclone”, uma videoperformance-manifesto do coletivo Grilla!. Pri Helena, uma das integrantes do coletivo e atriz presente no filme, explica que o curta foi baseado na obra “Neve na manhã de São Paulo”, de José Roberto Walker. No livro, o autor investiga a relação amorosa e profunda entre Oswald de Andrade e Deise, conhecida como Miss Cyclone, uma mulher de 17 anos. O amor entre os dois foi trágico. O poeta, mesmo sendo moderno, não aceitava, ainda que de maneira escondida, a liberdade de Cyclone. Quando ela engravidou, ele a convenceu a fazer um aborto que acabou por mata-lá, não sem antes os dois se casarem no hospital mesmo. As atrizes Rebeca Figueiredo, Caroline Gerhein, Carú Rezende, Larissa Zimmermann e Pri fazem monólogos que pensam sobre o lugar da mulher naquele tempo e nesse tempo, mostrando quais são as marcas do patriarcado nesses corpos, apesar da modernidade. “O Grilla! vem de um lugar de experimentação das possibilidades poéticas dentro do audiovisual e dessa mescla entre o teatro e o vídeo. O ‘Cyclone’ é o resultado disso e do nosso questionamento acerca do mundo, do que é ser mulher e de como o machismo está ao nosso redor de todas as formas.” Logo após a exibição, vai acontecer uma roda de conversa aberta ao público presente.

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(foto: Marcella Calixto/Divulgação)