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Coral Volgran, um dos mais antigos da Zona da Mata, celebra sua história com lançamento de museu virtual

Grupo de Volta Grande disponibilizou Museu Virtual que conta história do coral


Por Beatriz Bath

22/10/2026 às 06h10

dona nilsa coral volgran 60 anos
Terceiro Festival de Corais de Carangola, década de 1990, no qual o Volgran se apresentou (Foto: Reprodução/Site do Museu Virtual do Coral Volgran)

Para celebrar seus mais de 60 anos de história, o Volgran, coral de Volta Grande, município da Zona da Mata mineira, acaba de lançar seu Museu Virtual. A iniciativa prevê um acervo de fotos e vídeos, além de contar com a agenda do grupo e os cursos oferecidos. Com seis décadas de atuação, considerado o mais antigo da região, o Volgran já cantou todo tipo de música e segue em busca de novas notas.

Tudo começa com dona Nilsa Rocha, que se consolidou como uma figura cultural de Volta Grande. Há quem diga que a história do coral é a história de dona Nilsa e vice-versa, já que a professora de música dedicou sua vida ao projeto, sendo regente do coral até os seus 95 anos.

O Volgran começou em 1957 e sempre foi um coral completo, com baixos, tenores, sopranos e contraltos. O coral, desde o início, valoriza a música popular brasileira em seu repertório e, por isso, se apresentou em festas de aniversário, programas de televisão, casamentos e eventos da cidade e região.

José Vidal, integrante do coral, explica que o foco é manter o grupo em atividade e honrar o legado de dona Nilsa, que morreu aos 102 anos. Além do Museu Virtual, estão previstos para o próximo ano os lançamentos de uma biografia de Nilsa e de um documentário, eternizando sua história em diferentes formatos.

Dona Nilsa em memórias

Eliane Lomba participa do coral desde os 15 anos e, de lá para cá, segue levando adiante o legado de dona Nilsa. “Dona Nilsa falava: ‘Não deixe o coral acabar’. E eu estou obedecendo.” Atualmente, sua meta é inscrever sua neta de 6 anos na oficina de coral infantil, o Volgranzinho, iniciativa que busca renovar o público do coral.

“Dona Nilsa sempre dava um jeito”, relembra a integrante. Se um dos membros do grupo não podia comparecer aos ensaios, que acontecem até hoje na igreja Nossa Senhora do Rosário, ou em um dos muitos que foram feitos na casa da própria dona Nilsa, ela ia até a pessoa. Eliane conta que foi buscada por dona Nilsa muitas vezes, em um Fusca, para comparecer aos ensaios.

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Foto: Reprodução/Site do Museu Virtual do Coral Volgran)

Após os ensaios, o grupo costumava ir para uma lanchonete ou restaurante próximo. Se não, dona Nilsa levava bombons ou doces para os membros do Volgran, sempre buscando agradar. E toda essa mobilização saía do seu bolso, porque o coral sempre foi totalmente gratuito e independente.

O que nasceu como forma de homenagear uma professora de piano que visitou Volta Grande na década de 1950, logo ganhou contornos mais fortes e sonoros, enquanto Nilsa ia popularizando o acesso à música erudita. Se um aluno não sabia ler partitura ou não tinha noções de teoria musical, ela ensinava. E se não sabiam ler, ou até mesmo tinham problemas de audição, Nilsa dava um jeito de adaptar.

O Volgran ficou sem atividades entre 2013 e 2017, período em que dona Nilsa já não conseguia mais reger o grupo. Porém, desde a década de 1990, ela já tinha uma sucessora clara, Tânia Gorni, que também rege o Coral EMAP, de Além Paraíba.

Essa maneira de ensinar persiste hoje na regência de Tânia. Ela grava áudios separadamente e envia para todos os membros com instruções específicas para cada tom. Assim, os ensaios gerais acontecem com um conhecimento prévio.

Em busca de outros tons

A atual regente explica que a cidade deve muito a Nilsa, já que ela nunca cobrou nada por seus serviços e atuação na agenda cultural da cidade. O tema é comum nas falas de José, Tânia e Eliane, que destacam o desejo de uma valorização maior para o patrimônio do coral dentro do município.

Tânia conta que segue lutando para que o coral tenha uma sala própria e para que o acervo de dona Nilsa seja mais exposto e valorizado na cidade. As medidas poderiam ampliar o público e, quem sabe, os integrantes do coral. “Os coralistas também merecem ter um espaço próprio”, destaca a regente.

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Dona Nilsa também lecionava em escolas de Volta Grande (Foto: Reprodução/Site do Museu Virtual do Coral Volgran)

E enquanto esse reconhecimento não vem, o grupo aposta em iniciativas próprias, como a produção de um documentário e o livro “Dona Nilsa: 1 história, 4 vozes”, que foi escrito pela filha de Tânia, que também já participou do coral.

O coral está com um curso aberto ao público infantojuvenil. Tânia explica que a intenção é oferecer mais oficinas e retomar cursos de instrumentos musicais, canto e teatro, já realizados anteriormente pelo grupo.

A história do Volgran segue viva por meio de seus integrantes, que buscam preservar o legado de Nilsa Rocha e, ao mesmo tempo, modernizar as atividades do grupo para garantir sua continuidade.

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy