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Praça Antônio Carlos é palco de final da batalha do passinho


Por Tribuna

21/11/2014 às 07h00- Atualizada 21/11/2014 às 10h00

Dançarinos se enfrentam na primeira final do torneio na Praça Antônio Carlos

Dançarinos se enfrentam na primeira final do torneio na Praça Antônio Carlos

Blusão, calça jeans apertadinha, cordãozão e boné no topo da cabeça. Se a combinação dos itens que compõem o estilo dos participantes da batalha do passinho pode variar, uma constante infalível na mistura é o gingado, além de codinomes irreverentes. Os movimentos rápidos, que chegam a parecer invisíveis, marcam a batida dos tênis da rapaziada entre 11 e 21 anos no chão, criando um efeito sonoro próprio e realçando ainda mais a batida do funk. Nascido nos morros cariocas, o passinho é uma modalidade de dança que começou como coadjuvante dos bailes funk, mas hoje é um movimento cultural autônomo que expandiu fronteiras, ganhou a mídia e conquistou adeptos em todo o país.

Em Juiz de Fora, a batalha do passinho, em que dançarinos se enfrentam e são avaliados por um júri, acontece há cerca de um ano, chegando a uma importante conquista neste domingo, quando acontece a primeira final de todo o torneio na Praça Antônio Carlos, no Centro, a partir das 16h. “Há etapas regionais, e já houve algumas disputas no Centro da cidade, mas é a primeira vez que uma finalíssima é realizada na Praça Antônio Carlos. É importante para que as pessoas que vivem na área central conheçam e reconheçam o talento destes meninos, que estão fazendo arte e cultura em seus bairros”, opina o MC Aice NP, presidente da Associação Posse de Cultura Hip Hop Zumbi dos Palmares, que organiza as batalhas por meio da produtora Adoro Essa Vida, vinculada à instituição.

Para outro dos organizadores, Rodrigo Oliveira (Rodriguinho Fratelli), que descobriu o passinho em 2009 e hoje é DJ, outro aspecto importante da disputa de domingo é a sua realização no encerramento da Semana da Consciência Negra. “Porque reforça a filosofia do passinho, que vai além da afirmação do movimento negro, mas de uma cultura de miscigenação e democracia, em que todo mundo pode participar”, opina ele, ressaltando o aspecto social do envolvimento com a dança. “Hoje dedico meu tempo ocioso a ajudar a galera mais nova, que tem se envolvido muito mais com atividades culturais do que com drogas, violência e outras coisas erradas.”

Aice NP destaca também que o movimento não é restrito à periferia ou fechado a quem não seja dela. “Como acontece no Rio, o movimento surgiu nas periferias e é mais forte lá, mas nossa intenção é que as pessoas estejam à vontade para participar se quiserem. Acima de tudo, nosso desejo é que os jovens destes bairros se sintam valorizados”, comenta MC. “Normalmente o funk é visto como mau, violento, vulgar. Essa é uma maneira de afirmar esta cultura sem nem haver a chance de rotular apologias a qualquer coisa, já que as músicas são instrumentais. É só batida”, ressalta o organizador.

Além do suingue dos quatro finalistas (campeões das disputas divididas nas macrorregiões Norte, Sul, Leste e Oeste), que concorrerão ao título de vencedor da Batalha do Passinho, o evento de domingo também terá a final do torneio entre b.boys (dançarinos de break) e mais uma etapa do duelo de MCs. Durante a realização do campeonato, também haverá mostras de grafiteiros, apresentações de dançarinos de rua e uma diversidade de sons e expressões. “Muitos questionam o fato de eu ser ligado ao hip-hop e apoiar eventos do funk. O que eu quero é apoiar a cultura e a juventude, seja fazendo funk, hip-hop, samba, rock ou o que for”, resume Aice NP.

BATALHA DO PASSINHO

Primeira final neste domingo, às 16h

Praça Antônio Carlos