Praça Antônio Carlos é palco de final da batalha do passinho

Dançarinos se enfrentam na primeira final do torneio na Praça Antônio Carlos
Blusão, calça jeans apertadinha, cordãozão e boné no topo da cabeça. Se a combinação dos itens que compõem o estilo dos participantes da batalha do passinho pode variar, uma constante infalível na mistura é o gingado, além de codinomes irreverentes. Os movimentos rápidos, que chegam a parecer invisíveis, marcam a batida dos tênis da rapaziada entre 11 e 21 anos no chão, criando um efeito sonoro próprio e realçando ainda mais a batida do funk. Nascido nos morros cariocas, o passinho é uma modalidade de dança que começou como coadjuvante dos bailes funk, mas hoje é um movimento cultural autônomo que expandiu fronteiras, ganhou a mídia e conquistou adeptos em todo o país.
Em Juiz de Fora, a batalha do passinho, em que dançarinos se enfrentam e são avaliados por um júri, acontece há cerca de um ano, chegando a uma importante conquista neste domingo, quando acontece a primeira final de todo o torneio na Praça Antônio Carlos, no Centro, a partir das 16h. “Há etapas regionais, e já houve algumas disputas no Centro da cidade, mas é a primeira vez que uma finalíssima é realizada na Praça Antônio Carlos. É importante para que as pessoas que vivem na área central conheçam e reconheçam o talento destes meninos, que estão fazendo arte e cultura em seus bairros”, opina o MC Aice NP, presidente da Associação Posse de Cultura Hip Hop Zumbi dos Palmares, que organiza as batalhas por meio da produtora Adoro Essa Vida, vinculada à instituição.
Para outro dos organizadores, Rodrigo Oliveira (Rodriguinho Fratelli), que descobriu o passinho em 2009 e hoje é DJ, outro aspecto importante da disputa de domingo é a sua realização no encerramento da Semana da Consciência Negra. “Porque reforça a filosofia do passinho, que vai além da afirmação do movimento negro, mas de uma cultura de miscigenação e democracia, em que todo mundo pode participar”, opina ele, ressaltando o aspecto social do envolvimento com a dança. “Hoje dedico meu tempo ocioso a ajudar a galera mais nova, que tem se envolvido muito mais com atividades culturais do que com drogas, violência e outras coisas erradas.”
Aice NP destaca também que o movimento não é restrito à periferia ou fechado a quem não seja dela. “Como acontece no Rio, o movimento surgiu nas periferias e é mais forte lá, mas nossa intenção é que as pessoas estejam à vontade para participar se quiserem. Acima de tudo, nosso desejo é que os jovens destes bairros se sintam valorizados”, comenta MC. “Normalmente o funk é visto como mau, violento, vulgar. Essa é uma maneira de afirmar esta cultura sem nem haver a chance de rotular apologias a qualquer coisa, já que as músicas são instrumentais. É só batida”, ressalta o organizador.
Além do suingue dos quatro finalistas (campeões das disputas divididas nas macrorregiões Norte, Sul, Leste e Oeste), que concorrerão ao título de vencedor da Batalha do Passinho, o evento de domingo também terá a final do torneio entre b.boys (dançarinos de break) e mais uma etapa do duelo de MCs. Durante a realização do campeonato, também haverá mostras de grafiteiros, apresentações de dançarinos de rua e uma diversidade de sons e expressões. “Muitos questionam o fato de eu ser ligado ao hip-hop e apoiar eventos do funk. O que eu quero é apoiar a cultura e a juventude, seja fazendo funk, hip-hop, samba, rock ou o que for”, resume Aice NP.
BATALHA DO PASSINHO
Primeira final neste domingo, às 16h
Praça Antônio Carlos








