Milton comemora 50 anos de carreira com show hoje
Bituca, o apelido carinhoso de infância, se tornou, ainda jovem, um dos mais influentes nomes da música brasileira, inspirando cantores e compositores de diferentes gerações da MPB. Em 2012, Milton Nascimento se dedicará, quase que exclusivamente, à turnê comemorativa, iniciada às 21h30 de hoje, no Cine-Theatro Central, com ingressos esgotados.
"Como este é um show que celebra 50 anos de carreira, é certo que tivemos que fazer um repertório de músicas que fizeram sucesso ao longo de todo esse tempo. O diretor Regis Faria (filho do ator Reginaldo Faria) e eu tivemos um certo trabalho para escolher um repertório entre tantas canções", adianta Milton, por e-mail. A partir de Juiz de Fora, ele fará uma série de sete shows, passando por São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Salvador, além de Três Pontas e o Rio, onde reside e, provavelmente, vai gravar um DVD. "O show de estreia em Juiz de Fora vai seguir o mesmo formato, com cenário, roteiro e figurino, dos próximos. E está confirmada a participação especial de Lô Borges, que vai cantar comigo algumas músicas", afirma o compositor, que realizou um ensaio geral para convidados na noite de ontem.
Considerado uma das obras mais importantes da MPB, o disco duplo "Clube da Esquina" também faz aniversário em 2012, completando 40 anos. "Ele não tinha como ficar de fora", disparou Milton. "Eu liguei para a casa dele e disse: ‘Lô, estou com sete shows para fazer’, e ele respondeu: ‘me bota nos sete!’."
Sem detalhar o set list, Milton anuncia, para o alívio dos fãs, que não se esquecerá dos hits que marcaram sua trajetória. "Sempre procuro colocar ‘Travessia’ (com Fernando Brant) no repertório dos meus shows, pois é uma canção muito especial na minha vida", conta Bituca, sobre a canção. "Compus três músicas numa mesma tarde. ‘Morro velho’, ‘Pai grande’ e ‘Travessia’. Morava em São Paulo, fiz música e letra das duas primeiras. Achei que ‘Travessia’ não era para eu fazer, nem Márcio Borges (parceiro musical de anos). Por isso, chamei um amigo de Belo Horizonte, Fernando Brant, que nunca tinha mexido com isso, mas achei que ele tinha de fazer, e fez. Aí tudo começou", relembrou o músico em entrevista ao site "A Crítica" há um mês.
Após o segundo lugar de "Travessia" e o prêmio de melhor intérprete no concurso, estava mais que traçado o caminho que Milton Nascimento tinha pela frente. Desde o festival, aliás, que ele desponta no cenário mundial como um dos mais importantes músicos brasileiros de todos os tempos. O disco "Courage", gravado nos Estados Unidos em 1968, reuniu nomes de peso, como o pianista Herbie Hancock e o produtor Eumir Deodato. Com este álbum, ainda aos 26 anos de idade, Bituca passou a transitar com enorme influência por diferentes "guetos", acumulando no currículo quatro prêmios Grammy, uma centena de títulos e homenagens, turnês bem-sucedidas na Ásia, Europa, África e América, além de mais de 15 milhões de discos vendidos. Números que, de longe, dão a ele razões para comemorar.
Em pouco tempo, Bituca se tornou "cidadão do mundo". A lista de pessoas com quem ele já gravou (e por quem foi gravado) vai de Wayne Shorter a Mercedes Sosa, passando por Sarah Vaughan, Peter Gabriel, James Taylor, Jon Anderson, Paul Simon, Duran Duran, Pat Metheny, Björk, Esperanza Spalding, além da inesquecível, e inspiração até hoje, Elis Regina. E qual seria a próxima parceria? "Ainda não tenho nada definido, eu sempre deixo que esse tipo de coisa apareça naturalmente na minha vida", ele responde.
O sucesso nos palcos dos mais de 20 países onde Milton cantou o Brasil é a legitimação de seu talento. Em 2010, lançou seu mais recente álbum "…E a gente sonhando" . Sobre um próximo álbum? Ele afirma que, por enquanto, não tem planos. "Este ano vou me dedicar somente a esta turnê, vai ser um ano de muito trabalho. São tantos shows e compromissos para 2012 que fica até difícil pensar em um novo projeto", diz.
"Tesouro nacional", conforme escreveu o crítico Jon Pareles, do jornal "The New York Times", Milton nasceu para celebrar a vida como instrumentista, compositor e cantor, incluindo sua presença marcante em outras áreas, seja na militância social, no cinema ou no teatro. Algo que os juiz-foranos terão, mais uma vez, o privilégio de comprovar antes do restante do país. "Queria dizer aos meus amigos de Juiz de Fora que estou esperando todo mundo no Cine-Theatro Central para celebrarmos juntos esse acontecimento tão especial na minha vida", finaliza.
MILTON NASCIMENTO
Hoje, às 21h30
Cine-Theatro Central (Calçadão da Halfeld)









