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Atando laços teatrais


Por RENATA DELAGE

21/02/2013 às 07h00

O lugar mais diferente e emocionante para o qual pudemos levar a magia do teatro. Assim o ator e diretor Marcos Marinho descreveu a recente viagem para o Arquipélago de Chiloé, no extremo Sul do Chile. Marinho e as atrizes Aliciane Rodrigues e Lígia Brasil, trupe que leva ao público Meu dia perfeito e a caravana de palhaços do Mezcla, retornaram esta semana a Juiz de Fora com as malas carregadas de novas amizades e experiências teatrais.

Pela primeira vez, os atores participaram do Festival Internacional de Teatro Itinerante por Chiloé Profundo (Fitich). Este ano, o evento homenageou o dramaturgo chileno Alberto Kurapel, que esteve no Mezcla no último ano e convidou a equipe para integrar a mostra, composta ainda por grupos da Argentina, Colômbia e Espanha.

Fazendo de fato valer seu caráter itinerante, o evento levou performances e espetáculos teatrais às pequenas cidades e ilhas do arquipélago. Uma delas era habitada por 65 famílias, e é muito emocionante saber que quase todas essas pessoas foram nos assistir. Do senhor mais idoso ao garoto mais novo do lugar, conta Marinho. Tamanha a curiosidade dos moradores, os brasileiros puderam ainda ministrar uma oficina, durante a qual experienciaram o contato com os costumes indígenas e dialetos locais. Um contato para lá de especial.

Segundo o diretor, a região é também muito frequentada por turistas de diferentes partes do globo, engajados em um turismo ecológico. Nenhuma ilha é privatizada, não existem praias particulares, por isso há uma circulação grande de pessoas do mundo inteiro, o que, muitas vezes, não acontece em todas as praias do Brasil, diz Marinho, que confessa torcer pela cultura do livre acesso imperar nos lugares que abrigam paisagens tão belas.

A trupe integrou ainda o elenco de outra mostra, já conhecida pelos artistas do Mezcla, o Festival Latino-americano de Teatro de Lanco e Valdivia. Toda a história começa com o Teatro Lido e os contatos que fazemos e que levam a tais convites, lembra Marinho, que já esteve outras duas vezes no Chile e, ainda, Equador e Peru. As apresentações no festival – também itinerante -, desde as sediadas nos teatros tradicionais às performances nas ruas, contaram, conforme o ator, com um público receptivo e caloroso. Eles literalmente param para assistir. Enchem as praças, vêm tirar fotos, conta.

O contato presencial com a cultura dos demais países latino-americanos é de fundamental importância às produções da trupe do Mezcla. Costumamos brincar que fomos fazer um curso intensivo de teatro. É nítido o crescimento técnico do grupo, mas não podemos medir o crescimento pessoal acarretado com a viagem e a troca de experiências na área. Só aos poucos, com o tempo, vamos sentir a força disso, revela Marinho.

Os 20 dias do intercâmbio cultural e teatral foram de convivência intensa entre as companhias de diferentes localidades. Dormíamos na mesma casa, fazíamos as refeições juntos, o que cria, de acordo com ele, laços ainda mais fortes e produtivos. É um ganho para a cidade fazer contato com outros grupos que estejam dispostos a vir a Juiz de Fora, pontua o diretor do Mezcla, espaço que terá de ser realocado, pois a área na qual se situa foi vendida no último ano. Segundo ele, ainda não foi estabelecida a data para a desocupação do local. Contudo, o diretor espera já poder confirmar o novo endereço do Mezcla até o fim deste mês.

Nas próximas semanas, um relato da viagem ao Chile será realizado no espaço. Na ocasião, os atores realizarão a performance de palhaços Tonterias – ou bobagens, em português -, conforme apresentada ao público chileno, além de exporem fotos e vídeos e estarem abertos às perguntas da plateia.