Casuarina em casa, mais uma vez

Grupo carioca faz show no Cultural neste sábado, a partir das 20h, junto com ETC e os DJs Edson Faiolli, Viffon e Celsin


Por Cecília Itaborahy, sob supervisão de Wendell Guiducci

21/01/2022 às 07h00

Casuarina
Casuarina completou 20 anos de estrada em 2021 (Leo Aversa/ Divulgação)

O samba pode até ser filho da dor. Mas ele é, principalmente, pai do prazer. Ou, nas palavras de Gabriel Azevedo, um dos fundadores da banda Casuarina, “samba é alegria, sinônimo de festa”. Não importa, muitas vezes, se a letra é triste. O pandeiro e o cavaquinho levantam o astral. O grupo carioca, formado também por Daniel Montes (violão), João Fernando (bandolim) e Rafael Freire (cavaquinho), promete uma grande roda de samba no show deste sábado (22) no Cultural, a partir das 20h. Junto com eles, o trio local ETC e os DJs Edson Faiolli, Viffon e Celsin fazem a festa acontecer.

Casuarina surgiu em 2001, em um momento de revitalização da Lapa, no Rio de Janeiro. Nessa efervescência, vários grupos de samba começaram a aparecer, assim como novos espaços voltados ao gênero naquela área – por isso é que tudo deu certo: o momento fez o movimento alavancar. No caso do Casuarina, a ideia de formar um grupo surgiu na infância, bem antes disso. O núcleo estudava junto e, com isso, foi crescendo junto também. Viver de música era um sonho de vida que foi ganhando outras dimensões e, agora, completa 20 anos. “Estar no samba, um ritmo ainda estigmatizado, apesar de gerar muita identificação nos brasileiros, não é fácil. Mas é exatamente porque a gente é uma grande família que dá certo. Um dá forças ao outro”, acredita Gabriel, revelando que até eles ficam pasmos quando analisam tudo o que aconteceu nessas duas décadas.

O primeiro show fora do Rio foi, inclusive, em Juiz de Fora. Gabriel rememora que, aqui, eles conseguiram sentir um calor semelhante ao que sentiam na Lapa. A explicação talvez seja, tomadas as devidas proporções, o costume que a cidade tem em ouvir o samba, com tantos nomes importantes que surgiram aqui. O Casuarina está quase em casa mesmo. Não à toa, eles chamam o Cultural de casa, já que a vinda do grupo é frequente.

Depois de dois anos sem o calor do samba presencial, o retorno vai ser quente, para, como diz Gabriel, “colocar fogo no baile”. O repertório vai passar pelos sucessos do Casuarina e pelas interpretações de sambas e partidos altos. Mas, aproveitando a proximidade com o carnaval, eles vão finalizar com um set todo dedicado aos sambas-enredos. “É para voltar para casa bem feliz mesmo. Com esperança no futuro.”