Fazendo Arte encena ‘Sete minutos’, de Antonio Fagundes
Em seu texto de apresentação da peça Sete minutos, Antonio Fagundes menciona a definição de bom trabalho teatral sugerida pelo ator inglês Ralph Richardson: aquele que impede a tosse da plateia. Não raras vezes, os artistas do palco têm a paciência testada por barulhos diversos vindos das poltronas: espirro, cochicho, toque de celular, bip de despertador, ruído de papel de bala. Identificando-se com essa constatação, o diretor da Companhia Teatral Fazendo Arte, Cristiano Fernandes, resolveu trazer para as discussões locais a relação entre intérprete e espectador. O grupo estreia, neste sábado, sua versão do espetáculo escrito por Fagundes a partir de fatos verdadeiros. Um deles, o caso do homem que apoiou, sem cerimônias, os pés descalços na beira da ribalta.
Segundo Cristiano, seu interesse surgiu depois de assistir a uma montagem de Viçosa e a um DVD da peça original, capitaneada por Bibi Ferreira. Enquanto aguardava uma solução para os direitos autorais, a trupe, formada há seis anos, lançou-se em inúmeras leituras. Quando começamos a ensaiar, em junho, já estávamos familiarizados com aquele universo, comenta o diretor. De acordo com ele, Fagundes diz tudo o que qualquer artista deseja falar. O texto é um desabafo, uma crônica na qual a plateia ocupa o lugar de destaque. Para refletir sobre o ser humano de maneira geral, a obra expõe o jogo estabelecido pela conexão entre arte e vida, ator e espectador.
Em cena, um artista experiente sucumbe ao desconforto dos incontáveis desrespeitos, interrompendo o espetáculo Macbeth, de William Shakespeare, e refugiando-se no camarim. Cristiano explica que aí começam os problemas do protagonista, vivido por ele. A empresária e o ator mais jovem não compreendem essa reação e exigem explicações, adianta o diretor, revelando ainda outros elementos do conflito: uma tenente, um senhor representante do público expulso e uma senhora representante do público atrasado, que foi impedido de entrar na sessão.
Conforme observa Cristiano, a peça busca comprovar que a arte teatral ultrapassa os setes minutos do título, tempo máximo de atenção que as pessoas, atualmente, conseguem dedicar a algum assunto. O teatro quer o tempo da alma, resume.
SETE MINUTOS
Sábados e domingos, às 20h. Até 6 de novembro
Teatro Clara Nunes do Sesc
(Av. Rio Branco 3.090)









