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Arte sob os pés


Por MARISA LOURES

20/09/2013 às 07h00

As cores dos ladrilhos que revestem inúmeras das edificações juiz-foranas podem estar apagadas, não terem o vigor de outros tempos, mas suas décadas de história guardam lembranças que pertencem à memória da cidade. Queríamos voltar os olhos para o piso que cobre o chão. Percebemos que, na correria do dia a dia, muitos passam e raramente se dão conta de que o lugar por onde eles passam representam uma época de ouro, afirma Ana Elisa Martins. A arquiteta integra o Coletivo Meio a Meio, formado também por Cássia Mota, Rafaela Felício e Victor Sena. Com apoio da Lei Murilo Mendes, o grupo vem desenvolvendo o projeto Memória em ladrilhos, cuja proposta é reforçar a identidade cultural do município e de seus habitantes por meio de um estudo de ladrilhos hidráulicos de imóveis da região central. Esses pisos remetem à época em que éramos a Manchester Mineira e tínhamos importância no cenário nacional.

A população contará com reproduções de padrões de pisos dos locais visitados em forma de brindes, como ímã de geladeira, cartões-postais, chaveiros, porta-copos e mouse pad. Vários lugares do mundo têm uma identidade visual. Nossa intenção é fazer o mesmo por aqui. Criamos os brindes com objetos do nosso cotidiano para criar a ideia de pertencimento, explica Ana. A iniciativa também chega ao público por meio de oficinas, e da internet. Quem quiser conferir detalhes pode acessar o site memoriaemladrilhos.com e o perfil Memória em ladrilhos, no Facebook. No aniversário do Museu Mariano Procópio, as crianças puderam montar seu próprio souvenir. As próximas edições dos cursos serão realizadas, ainda com data a ser definida, nos Correios e no Museu de Arte Murilo Mendes, conforme antecipa a arquiteta. Como o projeto contou com recursos públicos, 30%, dos 1.200 produtos dessa tiragem, serão deixados na Funalfa, e os outros 70% enviados a instituições que abrigarão as oficinas. A ideia é que eles cheguem ao juiz-forano gratuitamente.

De acordo com Ana Elisa, o primeiro passo foi percorrer os prédios erguidos no triângulo formado pela Av. Rio Branco e Ruas Espírito Santo e Francisco Bernardino, fotografando seus revestimentos. Para esta primeira etapa, resolveram trabalhar com a antiga sede da Companhia Dias Cardoso (Rua Halfeld 342), a sede do Diretório Central de Estudantes (DCE – Avenida Getúlio Vargas 763), o Hotel Renascença (Praça Doutor João Penido 22), o prédio comercial localizado na Rua Halfeld 397 e o Hotel Príncipe (Praça Doutor João Penido 74).

Nas oficinas, brincamos com as cores, umas mais ácidas, outras mais apagadas. Aplicamos a parte teórica e depois partimos para a prática, esclarecendo como funciona o desenho geométrico. No final, o participante monta seu próprio produto. O postal, por exemplo, é levado para a casa para ser enviado a uma pessoa. Queremos disseminar a semente.