Irmandade eletrônica

Irmãos já se apresentaram em diversos países da Europa e gravaram EPs por selo alemão
“Superstars DJs, here we go!” é a palavra de ordem da dupla inglesa Chemical Brothers no clássico do big beat “Hey boy, hey girl”, do álbum “Surrender” (1999). E quem está na pista para fazer parte do seleto grupo de astros da música eletrônica é a dupla juiz-forana Ruback, formada pelos gêmeos Lucas e Marcos Schmidt, de 21 anos. Desde a adolescência ligados nas batidas que fazem o povo dançar, atualmente são contratados pela gravadora alemã Blue Tunes Records e seguem firmes na lista dos mais populares na loja musical on-line Beatport, referência em matéria de música eletrônica, figurando constantemente no Top 10 de psytrance graças a músicas como “The Hobbit” e “Endless soul”.
Antes de embarcar para o México – onde devem se apresentar domingo, no festival Equinox -, os dois irmãos conversaram com a Tribuna sobre o sucesso, os próximos planos e como tudo começou. E o início foi bem distante de computadores, teclados e sintetizadores, como lembra Lucas. “Começamos aos 10 anos, eu na bateria e o Marcos na guitarra. Quando crianças, nosso tio nos levava para a escola todos os dias e, no caminho, sempre íamos escutando psytrance por influência dele. Aos 14 anos, fizemos um curso de mixagens aqui em Juiz de Fora com os DJs Capute e LGF. Um ano depois, pensando no aprimoramento das técnicas, fomos para São Paulo fazer um curso de produção de música eletrônica”, conta ele.
O primeiro projeto da dupla foi o Wega, de psytrance, que decolou após publicarem as primeiras músicas na internet. O primeiro EP saiu em 2010 pelo selo brasileiro Wired Music, alcançando o Top 10 da Beatport. Na sequência, contrato com uma gravadora estrangeira (Spun Records) e convites para se apresentarem em festas e festivais pelo país, como Universo Paralello, XXXperience e Soulvision. A partir de 2012, trocaram as 140/145 BPMs (batidas por minuto) do psytrance pelas 135 a 138 BPMs do trance progressivo e assumiram o nome Ruback, com o qual assinaram contrato com a Blue Tunes Records e lançaram sete EPs e dois singles, além de participações em álbuns e EPs de outros artistas – sem se esquecer dos remixes -, dividindo os charts com os expoentes do gênero (Neelix, Astrix, Liquid Soul, Day.din, Captain Hook). “Nos apaixonamos pelo trance progressivo durante o Universo Paralello, na Bahia, e, voltando de lá, começamos o Ruback”, explica Lucas. “Estamos sempre em busca da inovação”, acrescenta Marcos.
Turnê mundial
O reconhecimento do talento da dupla para a alquimia sonora rendeu convites para tocar em diversas partes do mundo. Na última turnê, iniciada em fevereiro, o Ruback passou por Suíça (Zurique, Berna, Basileia, Bülach e Zermatt), Alemanha (Rostock, Schwerin) e Itália (Milão). Nessas andanças, os irmãos já dividiram o palco com alguns dos principais nomes da cena eletrônica, entre eles Armin van Buuren, Sven Väth, Tiesto, Neelix, Steve Aoki, Dimitri Vegas & Like Mike e Infected Mushroom.
Depois de darem um pulo no México, eles voltam ao Brasil para uma apresentação na festa Lost Land, em Belo Horizonte, no próximo dia 28. Ainda morando em Juiz de Fora, a dupla nunca mostrou seu trabalho em casa. “Já nos apresentamos em cidades vizinhas como Leopoldina, Matias Barbosa etc. Em Juiz de Fora, não temos previsões no momento”, lamenta a dupla.
Destacando o bom momento do cenário eletrônico brasileiro (“Está, sem dúvida, entre os melhores do mundo! Cada dia maior e com mais diversidade. Todo artista sonha em tocar aqui”, entusiasma-se Lucas), o Ruback tem planos de lançar mais e melhores músicas de trance progressivo – e ir um pouco além. “Estamos pensando em criar, num futuro próximo, nosso projeto paralelo de deep house”, adianta Lucas. Quem for dançar verá.








