Um vigarista de bom coração

Bill Murray é o vizinho picareta e misantropo que vai cuidar do filho de Melissa McCarthy
Mesmo que nunca tenha feito parte da lista dos cinco atores mais poderosos de Hollywood, Bil Murray com certeza estaria no top cinco dos atores mais legais, caso o Rob Fleming de “Alta fidelidade” fizesse uma lista nessa linha. Afinal, Murray esteve presente em clássicos ou cults como “Os Caça-Fantasmas”, “Feitiço do tempo”, “Encontros e desencontros”, “Os excêntricos Tennenbaums”, “Zumbilândia” e “Moonrise kingdom”, mantendo aquele eterno olhar de quem caiu do caminhão de mudança e não sabe o caminho da nova casa. “Um santo vizinho”, uma das estreias desta semana, pode fazer parte dessa lista de pequenas pérolas cinematográficas do ator.
Com o diretor de curtas Theodore Melfi assumindo pela primeira vez um longa-metragem, o filme é centrado na relação entre Vincent (Murray) e seu vizinho, o pré-adolescente Oliver (Jaeden Lieberher). Beberrão, cínico, misantropo, vigarista e falido – além de namorar uma prostituta russa grávida, papel de Naomi Watts -, Vincent percebe que o garoto fica muito tempo sozinho em casa, pois a mãe dele, Maggie (Melissa McCarthy), recém-divorciada, é enfermeira e precisa ralar naqueles plantões que acabam com a vida social do ser humano. Ele sugere, então, tomar conta do garoto, em troca de alguns dólares.
O que Maggie não poderia imaginar é que seu vizinho iria cuidar do jovenzinho de acordo com sua visão de vida, que não tem interesse de largar mesmo assumindo o “emprego” de “babá”. Por isso, Vincent mostra a Oliver as “maravilhas” do jogo e do consumo do álcool, além de incursões a clubes de strip-tease, além de colocá-lo para fazer algumas tarefas caseiras. Mas, assim como o Phil Connors de “Feitiço do tempo” é afetado pela vida e gente simples de uma cidadezinha americana, o personagem de Murray vai desenvolver aquela ligação fraternal com o jovem que mora ao lado.
Para a crítica, “Um santo vizinho” entra na lista dos filmes que querem fazer o espectador “se sentir bem”. Por isso mesmo, comparações com “Melhor é impossível” – em que Jack Nicholson encarnava o sarcástico e grosseiro Melvin Udall – não são motivo de estranhamento.
UM SANTO VIZINHO
Cinemais 3: 15h, 17h, 19h20 e 21h40
Classificação: 12 anos








