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Máquina de groove e transpiração


Por JÚLIA PESSÔA

19/07/2013 às 07h00

"A meu ver, conseguimos uma mistura muito interessante: um baixista ‘blueseiro’, um guitarrista que namora o rock e o blues, um batera de jazz e eu,que só não nasci negão, mas me inspiro em bases vocais de grandes nomes da black music, como George Benson e Stevie Wonder", conta, bem-humorado Álvaro Rosa, vocalista da La Macchina. O som da banda surgiu da mistura destas vertentes clássicas da música americana, trituradas e reconstruídas com identidade própria, sob influência de gênios de diferentes estilos, em um balaio de influências que vai de Eric Clapton a John Mayer.

Com sete composições autorais e dois covers, a La Macchina, formada por Álvaro, Ronaldo Kelvin (guitarrista), Gutto Ribeiro (baixista) e Pedro Crivellari (bateria), lança neste sábado seu primeiro EP, "La Macchina live sessions", gravado ao vivo no Estúdio Maquinaria. Se a reunião das expressões "ao vivo" e "no estúdio" causa estranheza a priori, o vocalista esclarece qualquer suspeita. " ‘Ao vivo’ não tem a ver com a presença de uma plateia. Significa que a gravação foi feita em uma sessão única, com todos os instrumentos juntos, bem mais próximo do que acontece no show, com mais transpiração, mais interpretação. Já no disco de estúdio, cada instrumento e a voz são gravados isoladamente."

No álbum, as sete canções próprias têm letra de Álvaro e são musicadas por Ronaldo, em um processo criativo que não tem regras ou receita para acontecer. "Às vezes, rola um solfejo sem letra, outras, uma frase harmônica. Também já escrevi sem qualquer referência musical, quase em formato de poema, encaixando depois as palavras em uma métrica que gosto. Daí ligo para o Ronaldo e vem um e-mail com arranjo musical de guitarra. Mas pode também não ser nada disso", revela o letrista.

 

 

Abrindo caminho para o primeiro CD

 

Lançado oficialmente hoje, o EP funcionará como uma espécie de ‘test drive’ para um CD que deve ser gravado no ano que vem, completamente autoral, incluindo três canções além das sete próprias já divulgadas. Segundo Álvaro, a banda já inscreveu o projeto na Lei Murilo Mendes e aguarda avaliação. "Mesmo com sete das músicas prontas, ele será um álbum completamente diferente. A ideia era que o EP abrisse caminhos para este trabalho futuro, que nosso trabalho já estivesse divulgado. Será o disco de verdade, porque teremos grana para investir em uma gravação com muito mais recursos técnicos e mais músicos. Daí para frente, a ideia é divulgar o material para formadores de opinião no eixo Rio-São Paulo", comenta Álvaro.

Como os dois covers ("Vultures", de John Mayer, e "Tommy Boy’s mistake", de Ed Motta), todas as autorais foram compostas em inglês, opção que causou rebuliço devido a uma declaração de Jack Endino. No início do ano, Endino, produtor de grandes monstros do rock e famoso pelo début do Nirvana, condenou o fato de bandas brasileiras gravarem no idioma de Tio Sam.

Para Álvaro Rosa, a discussão em torno do tema é vazia e foge do que mais interessa quando o assunto é música: a qualidade. "Acho um debate tão menor, tão sem objetivo. Compor em qualquer língua é a mesma coisa para quem a domina. Não escolhi escrever em inglês, mas o som que almejo fazer soa melhor aos ouvidos neste idioma, é simplesmente uma escolha estética, não uma determinação. Ano que vem, posso estar com letras em português que combinam melhor com o som que estiver fazendo", pondera.

Segundo o músico, ainda há muita resistência do público e das casas de show na aceitação de repertórios autorais de bandas locais. "Com isso, há uma ‘febre de tributos’, porque muitos músicos não conseguem mostrar suas composições. E o pior é que esta ‘tributaria’ toda é feita com shows sem criatividade alguma, covers mesmo. Aí não há produção de conteúdo, ninguém sai transformado, nem o público nem os músicos", opina.

 

LA MACHINNA

 

Blues/rock/black music.

 

Amanhã, às 22h

 

Bar da Fábrica (Praça Antônio Carlos)