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Rir é uma questão matemática


Por MARISA LOURES

19/06/2015 às 04h00- Atualizada 19/06/2015 às 10h08

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Não precisa esperar mais por um espetáculo inédito do TQ. Gueminho Bernardes e turma prepararam um novinho em folha para o Festival de Gargalhadas, realizado até 28 de junho no Pró-Música. “Alguém me explica” fecha a programação com as peripécias do menino João Paulo, que há muito tempo garante uma vaga na lista de personagens queridos. O sabor de novidade desta edição do evento começa a ser sentido nestes sábado e domingo, quando chega da capital mineira “As barbeiras”, espetáculo recorde de público na Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Belo Horizonte. No outro fim de semana, também chega o nunca apresentado por aqui “Concessa tecendo prosa”, com Cida Mendes. Como virou tradição, os ingressos são vendidos a preços populares na bilheteria da casa mediante a doação de uma caixa de leite.

Nessa nova empreitada, o TQ resolveu investir no universo infantil. Contudo, não se assustem, nem de longe esse é o público alvo. Marco Magal, Roberta Abramo, Gueminho Bernardes e Rodrigo Machado continuam arrancando risos dos adultos. “Jesus era coelho?”, “Se papai e mamãe se gostam, por que se separaram?” “Existe bicho papão?”. Essas são algumas das perguntas embaraçosas que serão respondidas. “Retrataremos o universo ingênuo da criança que, ao mesmo tempo, é muito divertido. O espetáculo ficou muito bom, é forte. O personagem já existia. A cena ‘A namorada do meu pai’, por exemplo, foi criada para um dos esquetes do ‘Made in Piraúba’, na última campanha. Foi ele quem puxou a história. Não foi uma opção temática”, comenta Gueminho, voltando a criar um espetáculo de palco para o grupo três anos após “O fim do mundo segundo o TQ”. Depois, ele fez “Como fracassar na vida e ser infeliz no amor” como projeto solo.

Até aqui, são 36 anos de estrada. “Nossa produção está muito conectada com a vida, os acontecimentos são muito dinâmicos e ficam o tempo todo povoando a imaginação do comediante e do criador. Ficamos na possibilidade de narrar e de escrever o nosso comentário sobre a história, sobre o mundo e as pessoas”, diz Gueminho. Trabalhando num próximo livro e em roteiros de vídeos, esquetes e longa-metragem para o cinema, ele comemora sua capacidade de produção e diz que, depois de tantos projetos prontos, cria sem medo de se repetir. “Às vezes, descubro uma coisa que escrevi há 20 anos e que não foi bem aproveitada. Tento o tempo todo amadurecer meu trabalho. A gente faz muito stand-up, e ele nos obriga a atualizarmos. O teatro tem essa coisa de olhar lá no fundo da alma humana. Já o stand-up vai na superfície, na agilidade, na velocidade dos acontecimentos.”

‘Comprei carro e moro bem graças às barbeiras’

Atuando no humor por duas décadas, o dramaturgo belo-horizontino Wesley Marchiori é defensor da ideia de que comédia é pura matemática. “Tem que ter o tempo certo, a hora certa, a maneira certa de falar. Não é sempre que aquela piada funciona. O drama te leva para um lugar onde existe uma generalização, torna a pessoa mais passiva; a comédia, por outro lado, é específica de cada um, te traz para dentro da história, exige um desprendimento do espectador, como em uma sessão de terapia”, assevera o autor de “As barbeiras”, agendada para este sábado, às 20h, e domingo, às 18h. Razão para tantos elogios ele tem: “Comprei carro, moro bem, tenho plano de saúde, fiz faculdade particular, e tudo graças a ‘As barbeiras’. Tudo bancado pelo sucesso das minhas comédias”, afirma ele, mesmo ostentando o Grande Prêmio Minas de dramaturgia e o prêmio Sinparc de melhor texto dramático para “2 de novembro”. “Drama costuma dar prêmio e não dinheiro.”

Para acertar em cheio a soma desta equação, Marchiori apostou nas personagens Valéria Falabella, Leila Shelker e Alice Breken. As três dividem a sociedade de um luxuoso salão de beleza, instalado em uma área nobre da cidade. Tudo anda muito bem até que o empreendimento vai à falência. Confusão e intrigas levam-nas direto para a periferia. “Esse foi o primeiro texto que escrevi na minha vida, ficou na gaveta um bom tempo e hoje é um dos mais vistos de Belo Horizonte. É um fenômeno. Acredito que o grande segredo seja o fato de ele ser despretencioso. Ele não levanta nenhuma bandeira, e o tema que o permeia é o valor da amizade. Em uma época tão egoísta, o espetáculo chega dizendo: ‘Vamos nos divertir'”.

Dirigido por Freddy Mozart, a peça estreou nos palcos há sete anos e passa por Juiz de Fora com os atores Caio Fernandes, Will Soares e Rogério Viola. Um trio que acredita, mesmo, no que está representando. “São comediantes excelentes. No espetáculo, eles pensam que são mulheres, é uma verdadeira piada. Os três têm aquela alma feminina dos transgêneros, apesar de saberem que são homens. Uma delas acha até que está grávida”, conta o dramaturgo. Assim que “As barbeiras” deixarem a ribalta, Marchiori autografa a obra “Se os homens são todos iguais, por que as mulheres escolhem tanto?” Nessa comédia adaptada para romance, o dramaturgo apresenta as alegrias, decepções e descobertas de uma mulher encalhada que parte para revisitar seus ex-relacionamentos.