‘Não seja o Christian que você vai se dar bem’

Christian Figueiredo de Caldas, 20 anos. Primeiro livro publicado e já no topo das vendas de não ficção no Brasil. “Eu não esperava isso tudo. Tanto que falaram que a tiragem seria de 20 mil, e eu disse: ‘Ah, se vender 20 mil, estou superfeliz. Lembro que, só na pré-venda, foram 15 mil. Aí, sim, soube que ia estourar”, diz o vlogger e jovem escritor, por telefone à Tribuna. Acostumado a falar no ouvido dos seus milhares de seguidores através do canal do YouTube “Eu fico loko”, de uma hora para outra, ele se tornou a nova aposta da editora Novo Conceito. Ao que tudo indica, a mesma fórmula usada nos vídeos, que contabilizam mais de 2,5 milhões de assinantes, deu certo também no papel.
“Com 12 anos, já fazia livrinhos à mão. Depois é que veio a parte dos vídeos. Quando o “Eu fico loko” chegou ao estágio de um público muito grande, resolvi voltar ao projeto do livro. Apresentei para a editora, e eles aprovaram no dia seguinte.” Nem o novo autor consegue mais fazer o cálculo do número de exemplares que saiu das prateleiras. “Em quatro meses, acho que já são 100 mil.”
Contando com toda a expertise adquirida, sozinho, como ele mesmo conta, Christian apresenta em “Eu fico loko” (160 páginas) suas desventuras em forma de crônicas. Ele é uma espécie de amigo íntimo do leitor, ou melhor, da leitora. “Falo sobre as fases mais marcantes da minha vida, o primeiro beijo, a primeira vez e narro como se fosse um diário”, comenta ele, confidenciando que ainda precisa se acostumar com o preço do sucesso. Na rua, o vlogger pode até passar despercebido, mas no shopping, o assunto é outro. “É uma loucura, é insano”, brinca, preparando para setembro “As histórias que tive medo de contar no primeiro”.
Tribuna – Houve alguma resistência ao livro?
Christian Figueiredo de Caldas – Assim que o livro foi lançado, teve muito julgamento. As pessoas mais velhas falavam: “ah o que um moleque vai escrever com 20 anos?” Mas eu sempre respondo que, como o livro é sobre a adolescência, sobre o meu período dos 13 aos 18 anos, acho legal falar enquanto está fresco.
– Quando e como você chegou à conclusão de que tinha bagagem para dar conselhos sobre amor?
– O canal estourou agora, mas, como já está há cinco anos no YouTube, fui aprendendo, sozinho, a aperfeiçoar o conteúdo e a me comunicar com quem me assistia. Eu fui crescendo na internet, minha adolescência foi toda no YouTube. Como em grande parte da minha adolescência eu passava por frustrações amorosas, comecei a relatar isso como dicas e acabei virando um conselheiro. Digo sempre que são dicas do que não fazer. Não seja o Christian que você vai se dar bem.
– E você quer acompanhar o amadurecimento do seu público?
– Quero que a menina que tem 15 anos hoje continue me assistindo com 20. Eu, com certeza, vou continuar crescendo e mudando os temas dos vídeos. O lance da internet é não estagnar, senão você se acomoda.
– O que mudou com o lançamento do livro?
– Meios de comunicação que nunca tinham me notado acabaram falando quem é Christian. A internet ainda não é muito aceita, digamos assim, e quando você bomba no meio físico, no meio mais tradicional, causa um impacto maior entre as pessoas. Cheguei a lugares aos quais nunca imaginava chegar.
– Qual a sua formação, e o que você faz além de produzir vídeos e, agora, escrever?
– Quando eu terminei o ensino médio, comecei a fazer um curso de cinema, naquela pegada de “ah o que eu vou fazer, o que vai acontecer agora? Cursinho, faculdade?”. Comecei um curso de direção de cinema, queria pegar um diploma, mas vi que não era isso. O YouTube começou a dar certo, bombou, meu tempo começou a ficar escasso e virou só a internet. Estou num ponto em que é só crescer com isso. Estou trabalhando antes para depois, tranquilo, poder cursar alguma coisa sem que ninguém diga: “Ah, você vai fazer isso, fazer aquilo, ganhar dinheiro com isso ou não”. Hoje, posso dizer que vivo da internet.
– Seu novo livro vai trazer histórias que você teve medo de contar no primeiro. Ficaram muitas para trás?
– Adolescente sempre tem aquele lado negro que esconde. Agora que já fiz um, vamos, sem medo, contar tudo no segundo.








