Sobe e desce ladeiras
Olinda (PE) – Cidade que respira maracatu e frevo – palavra derivada da "frevura" (fervura) que parecia emanar dos pés dos dançarinos em seus passos -, a histórica Olinda, em Pernambuco, terceira cidade mais antiga do país, com 478 anos, é interligada por ladeiras e repleta de igrejas (22 ao todo, além de 11 capelas). A Catedral da Sé, de 1537, tenta resgatar seus traços originais, escondidos pelas muitas modificações sofridas ao longo dos anos. Destaque no templo, um painel de azulejos do século XVII retrata a fuga de Maria, José e Jesus para o Egito.
O Largo da Misericórdia, 54 metros acima do mar, é alcançado pela ladeira mais íngreme da cidade, calçada por pedras amareladas, de arrecifes, mas que não intimida os foliões que seguem as troças carnavalescas (blocos com instrumentos de metais e sopros). Pelas ladeiras, durante o carnaval – que se estende por mais de um mês -, sobem e descem os famosos bonecos gigantes, que prestam homenagens a artistas, celebridades, políticos e personagens do cinema. Nos ombros dos foliões, os gigantes alcançam quatro metros de altura.
Não é preciso procurar muito para encontrar as melhores tapioqueiras da cidade. A iguaria é feita com massa de farinha de mandioca recheada por diversos ingredientes doces e salgados. A tapioca do Alto da Sé é uma das mais populares, sobretudo se saboreada com o tradicional recheio de queijo-coalho e coco. A cocada, branca ou queimada, que recebe outros sabores, como o do maracujá, também conquista o paladar dos turistas.
"Me digam, em menos de cinco segundos, senhoras e senhores, por onde começa Olinda?", perguntou o enfático guia Airton – das parceiras agências de turismo Helitur e Pontestur – encarregado de apresentar a vizinha de Recife a turistas de Brasília, Espírito Santo, Minas Gerais e até do Peru. "Começa pelo ‘O’", não me furtei a respondê-lo, percebendo a pegadinha camuflada por toda a história da região ouvida ao longo do dia. Começa não apenas pela letra "O", mas também pela exclamação ("Oh! Linda vista…") dos descobridores, que teriam dado nome ao lugar. Para minha felicidade, ganhei uma aquarela em preto-e-branco na qual se vê a bela Olinda, feita por um dos muitos e anônimos artistas de rua, e que pretendo emoldurar, em breve.
* A repórter viajou a convite da Pontes Hotéis & Resorts e da Interpool Viagens









