Para esquecer o relógio
Estamos sempre tão apressados e atarefados que fazemos tudo de olho no relógio, preocupados com o tempo. A mensagem do reggae é um convite para as pessoas esquecerem um pouco do relógio e reservarem um tempo para si, para os diálogos e para as trocas positivas, conta Felipe Bocão, guitarrista da Skuma, que se apresenta hoje no Bar da Fábrica (Praça Antônio Carlos s/n) na Noite Fora do Eixo, em edição que homenageia o ritmo que eternizou Bob Marley como patrono universal.
De fato, os bons fluidos tomarão conta desta noite, como anuncia a cantora Zaika dos Santos, com a voz e a própria pele, por meio da tatuagem com a inscrição Vibe positiva nos braços. É o nome de uma música minha que significa muito para mim e transmite essa essência que o reggae prega, com o lema ‘positive vibrations’. Nada mais é do que transmitir energia boa. Quanto mais você emana, mais recebe. É uma troca, e a música é um ambiente para esse fluxo, conta ela, que divide o palco com a local Skuma.
Criada em meio a acordes e vocais, Zaika tem a música no DNA, sendo filha de uma cantora de MPB e um produtor musical. Tudo que aprendi musicalmente foi vendo minha mãe. Cheguei a estudar música formalmente por um ano, mas não me adaptei. Acho que a universidade e os centros de formação tentam moldar os alunos quando a música deles não é uma expressão erudita ou tradicional. A música é um movimento constante, que vai além de sons bem emitidos, mas é um instrumento para tocar, causar impacto, diz a dona de um vozeirão que entoa vertentes do reggae e do hip-hop, acompanhada por sonoridades eletrônicas.
Com um EP solo no forno, para lançamento em breve, Zaika acredita que a via independente permite que os artistas trabalhem com mais liberdade criativa. A maior vantagem é fazer algo seu, com a sua cara, sua essência, saber que seu legado para o mundo e as pessoas traduz você. O complicado ainda é de ser mulher e negra e fazer um tipo de música que vem das comunidades, como uma resposta à discriminação, apesar de toda a popularidade que os gêneros adquiriram.
Também independentes, os rapazes da Skuma veem o reggae juiz-forano recuperando as forças depois de um tempo em silêncio.Iniciativas como o evento de hoje promovem um intercâmbio interessante para quem gosta e faz reggae. Trazer a Zaika, que tem muita força na capital, representa muito para o movimento e mostra que estamos fazendo um som que se equipara, conta Bocão. Além de assumir a guitarra, ele também faz vocais no som que mescla as raízes jamaicanas com elementos tipicamente brasileiros. Fazemos o trio vocal (traço muito forte do reggae jamaicano), e percussão, marca brasileira, nos moldes do que Gilberto Gil faz.
O evento de hoje é a 19ª edição das noites Fora do Eixo em Juiz de Fora e a primeira de 2013. A iniciativa é uma ação do Circuito Fora do Eixo, coletivo nacional presente em todos os estados do país e com um QG em Juiz de Fora, para promover o intercâmbio não apenas musical, mas das mais variadas linguagens artísticas e vertentes produtivas da cultura sob uma perspectiva coletiva e solidária.
SKUMA E ZAIKA DOS SANTOS
Hoje, às 22h
Bar da Fábrica
(Praça Antônio Carlos s/n)









