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Vale a pena -Aretusa Santos integra a militância afrodescendente em JF


Por MARISA LOURES

18/11/2012 às 07h00

 "A nossa escrevivência não pode ser lida como história para ninar." Com essa frase da escritora belo-horizontina Conceição Evaristo, Aretusa Santos sintetiza os avanços alcançados no campo da militância a favor da igualdade racial. "Vê-se mais jovens e crianças nas ruas apresentando seus cabelos crespos, tranças, roupas estampadas, etc. cresce a produção de cosméticos e salões especialistas na estética afro", afirma. Contudo, apesar de otimista, a juiz-forana, que se enche de orgulho ao se caracterizar como negra e determinada, ainda vê muito o que caminhar para se chegar à superação de preconceitos seculares. "Estamos dando continuidade aos passos deixados por nossos antepassados, mas eles são tímidos."

Graduada em pedagogia e mestre em educação pela UFJF, Aretusa integra em 2012 a comissão que organizou as comemorações do Mês da Consciência Negra na cidade. "Participar desse movimento envolve a missão de divulgar a agenda de lutas que são diárias em Juiz de Fora, porém os trabalhos não se resumem a uma data ou período específico, ocorre todo ano, mas nem sempre tão visíveis", reflete Aretusa que se imagina, no futuro, viajando para os quatro cantos do Brasil. O motivo? Não podia ser outro a não ser ampliar seu engajamento social. "Quero contribuir com a produção de mais conhecimento no campo da educação, infância e população negra."

 

 LIVRO

"Diploma de brancura", de Jerry Dávila, e "A luta é a minha vida", autobiografia de Nelson Mandela

"O primeiro livro é importante para qualquer profissional que atua no campo da educação em quaisquer níveis de ensino. Sobretudo, aqueles que problematizam a questão da democracia racial. Já o segundo marcou o fim de minha adolescência. Passei a admirar e a reconhecer a inteligência, perspicácia e determinação de Nelson Mandela na luta contra o Apartheid na África do Sul"

 FILME

"Peixe grande e suas histórias maravilhosas", de Tim Burton

"Consegue entrelaçar ficção e vida real de maneira poética e crítica. Uma frase fantástica do filme: ‘um homem conta suas histórias tantas vezes que ele se mistura a elas e elas sobrevivem a ele, e é desse jeito que ele se torna imortal’"

 ESCRITOR

Conceição Evaristo

"Considerada a principal voz feminina na literatura afro-brasileira"

 CINEASTA

Joel Zito

"Um nome importante no cinema brasileiro. Traz perspectivas interessantes sobre negritude no Brasil"

VÍDEO NA INTERNET

"Uma menina com cabelo da cor de Brasil"

"Curta-metragem com crítica e estética bem interessantes"

 FRASE

"Tenho direito de ser igual quando a diferença me inferioriza, tenho direito de ser diferente quando a igualdade me descaracteriza"

Boaventura de Sousa Santos

 VIAGEM

Porto-Velho (RO)

"Povo hospitaleiro com grande influência de povos indígenas. Conheci outro Brasil. Representa as lutas envolvendo a preservação da Amazônia"