Humor da terra
Ele está de volta e agora para mostrar que sua lábia é capaz de lhe render até o comando do país. Em "Me engana que eu gosto!?", Loló Névves apresenta Carlinhos Bom de Boca. O engraçado protagonista é um ex-gari e autêntico bon vivant. Ao perceber que política e religião são práticas rentáveis no Brasil, resolve se candidatar a presidente da República e fundar a Igreja Fio Dental do Reino Carlinhos Bom de Boca. Já conhecida do público juiz-forano, a peça retorna ainda mais engraçada depois de circular por cidades como São Paulo, em apresentação única neste sábado, às 21h, no Cine-Theatro Central.
De acordo com a humorista, que é juiz-forana radicada na capital paulista, o personagem é velho conhecido, mas o texto e sua crítica contundente foram atualizados. O espetáculo cumpriu temporada por 12 anos. Nas últimas apresentações, a escrita de Loló dialogava com a situação local. Como pastor da primeira instituição religiosa ecológica do país, Carlinhos faz um tour pela vida política, econômica, social e cultural. Ao seu lado está a experiente Florípedes, de Renata Durynek. Ela é uma ex-funcionária de Brasília demitida na faxina ministerial promovida por Dilma. Portanto, guarda consigo o conhecimento adquirido com figuras do naipe de Fernando Collor de Mello e Sarney. O discurso promete arrebanhar toda a plateia.
"O texto está praticamente novo. Traz a consciência sobre a situação do Brasil e do meio ambiente. A igreja se sustenta com tudo aquilo que há de pior. É o que acho necessário denunciar nos dias de hoje. É gente fazendo guerra santa, explorando a palavra de Deus para ganhar dinheiro fácil", explica Loló.
Para confirmar o que é pregado pelo guia espiritual, o templo não poderia ser de outra maneira. O cenário é todo construído com objetos retirados do lixo. Carrinhos de supermercado, fardos de garrafa PET, tampa de vaso sanitário e bananeira são levados ao palco. "As pessoas se divertem, mas também pensam. Tenho tido bom retorno tanto de crítica quanto de público."
"Me engana que eu gosto!?" teve sua primeira versão escrita em 1988, quando surgia a nova Constituição brasileira. Três anos antes, sua criadora ingressava nos palcos com a peça "Tudo começa assim e termina assado", de Edgar Ribeiro. A formação da intérprete do pastor se deu no Tablado, escola de Maria Clara Machado, a mesma que amadrinhou a montagem estreante da, então, mais nova dramaturga, atriz e diretora. Dos trabalhos mais conhecidos pelo espectador, os destaques vão para "Dona Corrupção e Dona Inflação", "Que papel miserável", "A culpa é sua" e "A vingança de milonga." "Não tinha voltado antes porque estava rodando com a peça e por falta de oportunidade. Gostaria muito que as pessoas prestigiassem. A intenção é levar público ao Central", comenta Loló, que aproveita a ocasião para "unir o útil ao agradável", já que a apresentação chega por meio do projeto "Luz da Terra", da UFJF, a preço popular. O nome da iniciativa faz menção ao ator, diretor e jornalista, falecido em 2012, Robson Terra. "É uma forma de homenagear um amigo", afirma.
"Me engana que eu gosto!?"
Amanhã, às 21h
Cine-Theatro Central
(Praça João Pessoa)









