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Tiradentes abre as portas para cultura, turismo e lazer

Na onda amarela do Minas Consciente, o Centro Cultural Yves Alves reabriu, neste fim de semana, com novas atividades, além de exposições já em cartaz


Por Cecília Itaborahy, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

18/07/2021 às 07h00- Atualizada 18/07/2021 às 12h15

Centro Cultural Yves Alves
Centro Cultural Yves Alves, em Tiradentes, reabre com novas atividades, reforçando a importância da cultura também para o turismo (Foto: Suellen Jacques/Divulgação)

Retornar gradualmente e de maneira segura. É essa a frase que estampa as declarações dadas sobre a abertura de espaços nesta fase da pandemia no Brasil. A arte, ao contrário de algumas atividades, não parou um segundo sequer: seguiu sendo o motivo e a consequência de uma vivência mais leve e possível durante o período de isolamento social, ainda que apenas virtualmente. Os museus e espaços culturais tiveram de alterar a experiência de visitação e traduzir o tátil ao visual, recriando formas de vivenciar a arte por meio das telas de computador ou celular. Mas o contato e a sensação de caminhar, sentir e perceber a construção dos espaços carregados de pinturas, esculturas e, até mesmo, filmes e sons, foram perdidos nesse período. No entanto, essa perda começa a ser revertida. Nos grandes centros, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, esses espaços já começaram a ser abertos, sempre com medidas de prevenção ao coronavírus e seguindo as regras impostas por cada Governo. Agora, essa também é a realidade nas proximidades de Juiz de Fora. Na última sexta-feira, o Centro Cultural Yves Alves, em Tiradentes, retomou suas atividades completas abertas ao público, com limitação de pessoas.

A cidade de Tiradentes é um museu a céu aberto, por suas ladeiras que expõem as construções do Brasil Colonial. Uma delas abriga o Centro Cultural Yves Alves, que chama atenção de quem passa pela Rua Direita e olha para o bem conservado casarão branco, verde e amarelo, mas não imagina o potencial artístico que se revela ao entrar. Com espaços voltados a cinema, dança, espetáculos musicais e teatrais, o local ainda guarda obras do barroco brasileiro. A cidade está inserida no Programa Minas Consciente do Governo Estadual, e, por isso, a abertura completa só foi possível quando entrou na onda amarela, na última semana. Desde o começo da pandemia, o espaço se manteve fechado à visitação, mas com a manutenção necessária do acervo em dia.

A cultura também é responsável por movimentar o turismo. Embora o Centro Cultural Yves Alves busque valorizar a arte local para a própria comunidade, são os visitantes os que mais frequentam o espaço, além das belas igrejas da cidade. “Nós não tínhamos pousadas nem restaurantes abertos. Isso tudo retrai o turismo, e, consequentemente, as pessoas não chegam. De um mês para cá, a gente tem percebido um aumento significativo de turistas, e isso é muito bom para todos, tanto economicamente, quanto culturalmente”, ressalta a vice-presidente do Conselho do Centro Cultural Yves Alves, Maria Lídia de Moraes.

Lembranças de viagens

Desde sua fundação, em 1998, o Centro Cultural Yves Alves é um dos principais difusores da cultura local. “Aqui se faz muita cultura para as pessoas daqui, que envolve toda a comunidade, de crianças a adultos.” Por isso, na noite da última sexta-feira (16), para marcar a reabertura, foi lançado o filme “Um talvez em Tiradentes”, do Ponto de Cultura Oficina de Teatro Entre & Vista, projeto local com mais de 25 anos de atuação, feito com base em um livro de contos sobre a charmosa cidadezinha. A exibição vai até este domingo, quando é possível assistir à produção, com sessões às 16h, 17h e 18h.

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Centro Cultural Yves Alves
A mostra “Viagens: retalhos de um mundo em desordem”, de Airton Ribeiro, segue até 31 de julho (Foto: Suellen Jacques/Divulgação)

Além do cinema, as artes visuais também ganharam as paredes do Centro Cultural Yves Alves. Em cartaz desde o dia 24 de junho – quando foi permitida a abertura do espaço para exposições, já na onda laranja -, a mostra “Viagens: retalhos de um mundo em desordem”, de Airton Ribeiro, segue até 31 de julho. O artista, que como tantos não parou de produzir, finalmente teve a oportunidade de tocar os visitantes ao vivo por meio de seu trabalho exposto. As 30 pinturas registram memórias de lugares, como um mundo em desordem, a partir das coisas que guardamos como turistas, como mapas, ingressos, cartões, fotos, vistos, entre outros. É a viagem possível através das recordações de outras pessoas. Circular pelo espaço, como permite a visita real, é como remontar as próprias memórias. Todas as telas foram destinadas à Apae de Tiradentes, e o valor das vendas será repassado integralmente para a instituição.
Já na Sala Cláudio Manoel da Costa, a viagem é para a industrialização mineira, através das exposições permanentes do SESI Cultura 360º, com o acervo da antiga Casa de Gravura Largo do Ó. As peças remontam o tempo do processo industrial litográfico no Estado. A intenção da sala é retratar antigas profissões que, de certa forma, influenciam a vivência no agora.

Centro Cultural Yves Alves
Industrialização mineira: peças retratam antigas profissões, que influenciam a vivência de agora (Foto: acervo SESI)

Experiência real

A internet, de certa forma, serviu para movimentar os acessos. Mas o contato e a experiência com as obras, não. Maria Lídia ressalta ainda a importância da monitoria para, realmente, entender obras e contextos que se apresentam no museu. “Só assim as diferenças são expostas e a vivência é real. Aqui, por exemplo, tem o Museu da Liturgia, que é único no país. E é totalmente diferente ver pela internet e ver pessoalmente. Virtualmente, às vezes, até pode dar certo, mas um museu intimista precisa de alguém próximo para explicar os espaços. Não é só com leitura que a gente entende as coisas, com uma frase. O acompanhamento é fundamental”.

Assim como muitos outros espaços, o Centro Cultural Yves Alves se manteve fechado por mais de um ano. Maria Lídia lembra que, antes desse último decreto, a perspectiva era quase quinzenal: tínhamos que aguardar as novas declarações para, então, pensar o que seria feito. “Era, quase sempre, um abre e fecha. A gente ficava sem saber o que fazer. Agora, sim, com fé na continuidade da onda amarela, dá para pensar a longo prazo. Em agosto e setembro, por exemplo, a intenção é abrir o auditório para os espetáculos de dança e teatro, mesmo com público reduzido.” O centro cultural tem visitação gratuita, o que é fundamental, de acordo com a vice-presidente, uma vez que permite o acesso a um número maior de pessoas.

Centro Cultural Yves Alves: “Queremos que todos estejam aqui dentro”, convida Maria Lídia de Moraes, vice-presidente do conselho do do espaço (Foto: Suellen Jacques/Divulgação)

Centro Cultural Yves Alves

Aberto ao público, diariamente, das 9h às 17h. Entrada gratuita e sem agendamento. Todos os protocolos estão sendo seguidos para garantir a segurança dos visitantes, da população e da equipe

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