Mostra de Fernando Priamo estreia nesta terça-feira
“Convergência – Inquietude da alma”, do fotógrafo da Tribuna, reúne três de suas vertentes artísticas; mostra fica no Forum da Cultura até dia 29 de abril


Um fotojornalista tem mesmo que ser inquieto para dar conta de tudo (ou quase tudo) o que atravessa uma cidade. Fernando Priamo, fotógrafo da Tribuna, se vê como um artista da imagem. Essas duas definições vez ou outra se aproximam, mas, de acordo com ele, quase nunca se entendem. Três vertentes de seu trabalho compõem a mostra “Convergência – Inquietude da alma”, que será inaugurada nesta terça-feira (19), às 19h, na Galeria de Arte do Forum da Cultura.
Priamo explica que, na mostra, pinçou alguns projetos que apresentam o seu trabalho. A série “Urban art – Pintores” é fruto da forma como ele foi atingido pelos pintores italianos, sobretudo Caravaggio, seu favorito. Esse projeto começou em 2010 e propõe releituras de obras consagradas com interferências urbanas. “Eu queria levar essas obras para o futuro, com um pouco de ousadia. Elas, inclusive, foram captadas com as molduras, que dão movimento à fotografia”, explica. O processo é de observar as pinturas, imaginá-las a partir de sua linguagem e propor interferências que as modernizam, mas sempre com reverência aos seus criadores.


Outro projeto presente em “Convergências – Inquietude da alma” é a série “As mulheres de Florença e suas bicicletas”, que pela primeira vez terá exibição presencial, uma vez que já participou de mostras on-line. Nela, Priamo, de certa forma, une seu olhar fotojornalístico ao do artista. “Eu levei o fotojornalista a capturar imagem artística.” Em preto e branco, ele registra o movimento das mulheres andando de bicicleta em Florença. Ele ainda diz que essa é também uma forma de homenagear as mulheres e fomentar uma liberdade que a própria bicicleta propõe.
Já a terceira vertente é “Pompeia 79 d.C”. Pompeia, no Sul da Itália, foi devastada pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. Hoje, o lugar se transformou em um sítio arqueológico. Ao visitar o espaço, foram os afrescos que chamaram a atenção de Priamo. Ele decidiu fotografá-los como maneira, também, de documentar. “Quando eu vi, fiquei pensando que a arte não pode ficar só no sítio arqueológico. Eu queria mostrar essa grandiosidade artística que existe lá. E é interessante porque eu mostro o que estava perdido e renasceu.”


Fábrica de ideias
Todas essas séries foram idealizadas enquanto ele estava em Florença. Priamo conta que suas principais ideias surgem lá. Ele gosta e tem interesse em apresentar a forma como o mundo dos italianos chega a ele. Existe uma síndrome com nome de Stendhal que é manifestada sobretudo em Florença. Há relatos de pessoas que chegam a passar mal pelo “excesso de arte” que existe na cidade. Priamo, apesar de não ter sido realmente diagnosticado com ela, acredita que tem. Ele fica tão tocado pela cidade que diz que sente uma coisa diferente na cabeça e no corpo, apesar de não ter tido enjoo, como alguns relataram. “Quando eu vi pessoalmente o quadro ‘Medusa’, eu fiquei doido. Tudo se transformou. Eu queria, com isso, produzir algo para o futuro. Fazer alguma coisa para deixar rastro.” Ele ainda acredita que a arte é a única coisa que fica, enquanto todo o resto se esvai. “E nem adianta tosar a arte, porque ela é soberana. Ela prevalece.”
O nome “Convergências – Inquietude da alma”, de acordo com ele, mostra a forma como tudo foi pensado: unir seus trabalhos, que, apesar de terem aproximações, são diferentes entre si, e apresentar sua alma inquieta, pelo menos um pouco da fábrica de ideias que existe dentro de sua cabeça. Além desses 18 quadros, ele ainda vai expor outro, que é surpresa, mas adianta que é o olhar de um artista a outro, logo depois de terminar uma obra.
Convergência – Inquietude da alma
Fotografias de Fernando Priamo. Seg a sex, das 10h às 19h, no Forum da Cultura (Rua Santo Antônio 1112 – Centro). Classificação: Livre.











