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Exposições resgatam a cultura negra


Por MARISA LOURES

17/11/2012 às 07h00

Resgatar e valorizar a participação dos negros nas artes sãos os objetivos da quarta edição da mostra "Mãos que falam", que, neste ano, divide espaço na galeria do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas com a 8ª Expo-Afro do Abassá Yá Oyá Ynguerecy. "Com essa união, vamos mostrar nossa cultura religiosa através dos orixás nas telas e nas vestes. A utilização de material usado reflete a modernidade dos dias atuais", explica Zélia Lúcia Lima, presidente do Conselho Municipal para Valorização da População Negra. "Resolvemos aproveitar o espaço que o movimento alcança nesse mês, devido às comemorações do dia 20 de novembro."

Os luxuosos e curiosos trajes das divindades das religiões de matriz africana estão representados pelas criações de Enoia de Souza, representante do terreiro de candomblé Abassá Yá Oyá, do Bairro Cerâmica. Uma extravagância de cores, brilhos, rendas e sedas. Se o branco predomina na vestimenta de Yansã Bale, o contraste é proporcionado pelo azul turquesa com detalhes em dourado de Ogum. Enquanto a Obaluaê está reservado o tecido florido, a Logum-Ede, a opção é o azul-claro. O que mais chama atenção é a roupa toda em dourado com renda, de Oxum. "São peças de gala para um dia especial. Quando uma pessoa é iniciada na religião e tem a força de reencarnar o orixá, nós a vestimos assim", conta Enoia.

Completando a lista dos objetos expostos, estão os seis quadros do artista plástico Amauri Paulino. Dessa vez, os orixás reaparecem retratados em óleo sobre tela. Utensílios das antigas cozinhas de fazenda, como panelas de barro, acessório de moer carne e ferro à brasa, além de instrumentos musicais usados em ritos africanos são utilizados para rememorar a história dos responsáveis pela construção da diversidade brasileira. "Os negros têm esta forma determinante de retratar seu passado através das artes, tais como a dança, a capoeira, a religião, usando suas próprias mãos na criação de imagens que nos levam a voltar no tempo, a refletir sobre o que foi, o que é, e o que deixa de herança para o futuro do povo negro", escreve Zélia em texto de apresentação. As exposições integram a programação do Mês da Consciência Negra e ficam em cartaz até 27 de novembro, de terça a sexta, das 9 às 21h, e aos sábados e domingos, das 10h às 16h. A entrada é gratuita.

Hoje, é a vez de participar da passeata contra a intolerância religiosa. A concentração está marcada para o meio-dia no Parque Halfeld. O destino é a Praça da Estação. Para quem gosta de grafite, música, gastronomia, capoeira, artesanato, oficina de cabelo, literatura e apresentações de entidades afro, tudo isso estará reunido entre 14 e 19h, também na Praça da Estação. Às 17, as peripécias de Kiriku, um garoto inteligente e com dons especiais, que tem como missão salvar sua aldeia e lutar contra as maldades da feiticeira Karaba, é a atração do filme "Kiriku e a feiticeira", exibido no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. Finalizando mais um dia de programação, às 20h, a Escola de Samba Real Grandeza sedia o concurso Beleza Negra.