Ele cresceu
Ele não é mais a dupla de Sandy e muito menos um menino só do rock. Júnior Lima se tornou admirador da música eletrônica, opção que tem tomado sua agenda graças ao projeto live Dexterz, que traz ainda Júlio Torres e Amon Lima, do Crossover, duo de DJs já conhecido por aqui. Hoje, o Dexterz vem, pela primeira, à cidade, onde se apresenta no Privilège. "Sempre tive contato com a música eletrônica porque sempre fui de sair para baladas. Numa das apresentações do Crossover em São Paulo, fui falar com o Amon, que já era meu amigo há dez anos, sobre a possibilidade de armarmos algo juntos, uma vez que ficaria legal incluir bateria e percussão naquele som. E os caras toparam. Aguardamos a hora certa para a estreia, que foi numa festa da revista ‘Cool Magazine’ há três anos", conta Júnior, sobre o set list que circulou por grande parte do Brasil e até nos EUA.
Se num primeiro momento ele apareceu na TV com cabelo espetado e carinha de bebê chorão, hoje Júnior Lima, dono do próprio nariz, ainda ouve rock. Especialmente em seu carro. Mas desde que aderiu ao circuito da música eletrônica, passou a se deleitar com o bom e velho rock and roll disfarçado, no estilo Soulwax (banda de rock alternativo), que é bem indie, como ele pretende ser. Por enquanto, o artista, que chegou a manter uma banda de soul music (a Soul Funk), só tem olhos – e principalmente ouvidos – para ferramentas bem mais tecnológicas.
Haja iPad e controle do Wii para o projeto live Dexterz, que Júnior (com mais de 16 milhões de discos vendidos) mantém com a dupla Júlio Torres e Amon Lima.
Ainda no métier da produção, Júnior Lima produziu o disco "Manuscrito", da irmã Sandy, que saiu em 2010, e dirigiu o show de divulgação. "Agora, estamos preparando a gravação do DVD (homônimo) em parceria com o ator Douglas Aguillar", adianta, informando que a previsão de lançamento é para este ano. Paralelamente ao estúdio, ele guarda as preferências no iPod, como a Mutemath, banda de Nova Orleans ainda pouca conhecida por aqui, mas que, de alguma forma, também vem aguçando os sentidos do jovem músico para as pickups.
‘Com 27 anos de idade, meu privilégio é o direito de escolher’
Com mais de 18 anos de carreira, Júnior lançou 15 álbuns e vendeu mais de 17 milhões de cópias em parceria com a irmã Sandy. Sua carreira é considerada um fenômeno no mercado fonográfico, pois, após tocar para uma multidão no Maracanã, reuniu o público recorde de 1,2 milhão de pessoas em João Pessoa (PB), viajou com oito mega-turnês por todo o país e também no exterior (EUA, Japão, Angola e Chile), teve seriado na Globo por cinco anos consecutivos e recordes de audiência no horário, fez novela e cinema.
Tribuna – Em Dexterz, quais foram as primeiras impressões?
Júnior – Gostamos muito de fazer, e rolaram outros convites. Na época, ainda anunciávamos como Crossover, até que chegou a hora de oficializar uma parada que estava ficando séria. Daí surgiu o Dexterz. Percebemos que tudo muda num set percussivo, cruzado automaticamente. O Crossover já é mais melódico, e, além da minha presença, a personalidade daquele trabalho foi alterada por causa da distinção sonora de cada um.
– Quais são suas maiores influências musicais?
– O DJ que mais tenho ouvido é Joris Voorn. Mas tem ainda Nic Fanciulli e Josh Wink. Com esse contato mais próximo e direto, comecei a entrar mais nesse mundo do eletrônico, embora tenha pesquisado e produzido pouco fora do Dexterz.
– Já experimentou várias vertentes da música, desde o sertanejo, a música pop com elementos do rock e, agora, integra um projeto eletrônico. De que forma esse conhecimento auxilia na hora de produzir um som novo?
– Ah, é muito bom. Acaba juntando muita influência e gerando versatilidade, que ajuda até no meu jeito de tocar bateria. Existe um sotaque na hora de tocar.
– Sua familiaridade com o rock ajuda de alguma forma na pista? Rola improviso?
– A gente mantém 90% da noite improvisada, mas tudo depende do público e da região. Depende também da reação ao primeiro set. É claro que a vontade é improvisar a maior parte do tempo, principalmente porque lidamos com quem quer interagir de alguma forma, seja com palmas ou dançando sem parar.
– Por ter começado muito cedo na música, você deve ter adquirido responsabilidade e disciplina com aquilo que está sendo produzido.
– Esse negócio de virar DJ é muito relativo, pois ninguém se torna um da noite para o dia, assim como ninguém sai cirurgião de uma hora para outra. Existe um modo muito superficial de enxergar tudo isso, o que acaba banalizando a profissão de DJ. A gente, por exemplo, está aqui para produzir música e não só mixar. São muitos anos de profissão. Júlio tem quase 20 anos como DJ, e eu estou caminhando para 21 (anos) de carreira, como Amon. Isso faz com que prezemos pela qualidade musical acima de tudo. Amon fala que se não nos preocuparmos com a música, ninguém o fará.
– Você nota uma dificuldade do público em perceber que aquele Júnior de 15 anos atrás cresceu?
– É um público bem diferente. Lógico que tem coisas em comum, mas a maior parte é da galera que está ali para ouvir música eletrônica e, em questão de minutos, já se esqueceu (do outro Júnior).
– Você sente mais liberdade em produzir atualmente do que durante a carreira com a Sandy?
– Eu me sinto mais à vontade para fazer o que estiver a fim, sem compromisso com gravadora. Meu único critério é fazer música da melhor forma possível, agradando a quem agradar. Essa tem sido minha satisfação pessoal. Com 27 anos de idade, meu privilégio é o direito de escolher.
DEXTERZ
Hoje, às 23h
Privilège (Rua Eng. Gentil Forn 1.000 – São Pedro). 3257-5600









