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Voz e violão: Anavitória traz turnê ‘Claraboia’ a Juiz de Fora neste domingo

Show acontece neste domingo no Central, às 20h30, e traz novo momento da dupla


Por Beatriz Bath

17/07/2026 às 06h00

anavitória juiz de fora
Dupla realiza show em data única em Juiz de Fora (Foto: Divulgação)

A dupla Anavitória retorna para Juiz de Fora em mais uma parada da turnê Claraboia, em formato voz e violão. O show acontece neste domingo (19), às 20h30, no Cine-Theatro Central, com ingressos ainda disponíveis, e traz consigo aquilo que os fãs já conhecem de longa data: uma junção bem articulada entre o estranhamento e o familiar, pop e alternativo.

O álbum “Claraboia” (2025) é irmão de “Esquinas” (2024), uma junção que, a princípio, pode ser quase como juntar água e óleo. Se o irmão mais velho é mais chegado ao pop e ao urbano, o caçula é luz amarela, músicas que parecem não ter fim e nem começo e com um quê de bucólico.

A história dos dois começou em Los Angeles, em 2022, com uma exposição de Bárbara Kruger. Duas imagens eram projetadas em paredes de uma sala, uma de frente para a outra. Na projeção da esquerda, um homem mais velho olhava para frente, como em um espelho, e na projeção da direita, um homem mais novo também encarava esse espelho.

Dois polos complementares e opostos. Foi então que nasceu a ideia de dois discos, um mais produzido e outro mais cru. Duas visões diferentes do que a dupla sabe fazer melhor: falar de vida e criar vida.

Contradizendo a pressa e as pressões dos fãs e da mídia, as duas lançaram “Esquinas” e, logo após, alugaram uma casa em Paranapanema, interior de São Paulo. “Claraboia” é um disco, então, íntimo, feito com um estúdio no meio da sala, beirando um convite para tomar um café com Ana e Vitória e conversar sobre a vida.

Para Ana, “é um disco de fragmentos de coisas, ideias não terminadas, um grande bloco de notas, coisas que eu achei que nunca iriam ser escutadas”. E ela completa: “Eu fui vendo tomar forma e hoje são umas das coisas mais favoritas que eu já fiz”.

‘Não se aprisiona água numa pedra de gelo’

Com instrumentação simples, baseada no violão e piano, o foco do álbum era ser uma experiência boa para todos os envolvidos. “Não tem nada da cara dos discos antigos, da vida antiga, mas acho que ele traz a gente pro lugar mais cru e sincero. A canção pela canção. O puro do mais puro do que poderia ter sido”, explica Vitória.

Do riacho perto da casa, aos registros analógicos e ao cachorro Manteiga, tudo isso também faz parte do disco, incorporado em notas e letras. Para a equipe, parece ter sido o processo mais leve, entrosado e emocionante de todos, da vida. E como diz a dupla: “Que amor inteiro é o amor de um amigo”.

Ao todo, “Claraboia” conta com 20 músicas e tem 41 minutos de duração. Detalhes técnicos explicam um pouco da história que é contada e amarrada pela dupla. O álbum conta com a participação de artistas como Rubel e Bruno Berle, que contribuem para auxiliar a dupla na construção do seu folclore particular.

“Claraboia” abre com “rua dos abacateiros” e já se põe como voluntária para mostrar ao ouvinte o que vem por aí. Com uma ambientação que se assemelha à uma noite de verão, como em fevereiro, a faixa é uma canção minimalista, transitando entre a sofisticação e a simplicidade.

O disco segue seu fluxo com “olhar para você”, em que o amor vira mote para a descoberta e o sagrado, com participação de Bruno Berle. Já na terceira música do álbum, “em voz alta”, somos apresentados à perspectiva de ser lido em voz alta, um gesto simples, mas que diz muito, novamente o amor entra como temática, mas na forma de carta – para as palavras e expressões.

Um dos destaques é “estátua de mármore”, em que as duas entregam o que pode muito bem ser uma nova filosofia: “Não se aprisiona água numa pedra de gelo, porque nada, nada é tão permanente assim”, recado dado.

Em “isso é deus”, composta por Rubel para o álbum, o artista traz novamente para a mesa o sagrado, mirando em uma estética emotiva que relembra o que ele e a dupla buscavam em suas carreiras quando se conheceram, em meados de 2015.

“Claraboia” continua seguindo seu sol, com músicas como “aza”, eleita por Rubel como uma das mais bonitas canções de amor da dupla. “A maneira como a melodia intricada se desenrola de maneira imprevisível, e como as palavras vão acompanhando, em perfeita harmonia, revelam que esse negócio de fazer canção é realmente um ofício que pode ser aprimorado e talhado.”

Outros destaques são “seis anos depois”, faixa tão íntima que apenas uma das duas canta, emprestando palavras e sentimentos; “manteiga”, em homenagem ao cachorro de mesmo nome que esteve presente na casa de Paranapanema e “spokane”, em que um piano começa, de forma suave, a construir uma atmosfera quase irreplicável.

“Paranapanema”, canção título do momento em que o álbum foi escrito e a faixa “claraboia”, que encerra o álbum, também mostram, repetidas vezes, que a dupla só pretende evoluir, para outras direções e ideias, sempre pautadas na sensibilidade.

Além das faixas de “Claraboia”, Anavitória também traz ao público, nesta turnê, canções que se tornaram clássicas, sendo uma verdadeira carta de amor para os fãs.

Serviço

Turnê Claraboia de Anavitória
Cine-Theatro Central (Praça João Pessoa, S/N – Centro)
Domingo (19), às 20h30
Ingressos via Ingresso Digital

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy