Maria Lúcia Ludolf de Mello fala sobre gestão do Museu Mariano Procópio
Diretora assumiu o Mapro em novembro de 2021, após um longo conflito entre o Conselho de Amigos do Museu e a Prefeitura de Juiz de Fora
A historiadora, bibliotecária e arquivista Maria Lúcia Ludolf de Mello foi nomeada diretora do Museu Mariano Procópio (Mapro) em novembro de 2021, após meses de um imbróglio entre a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e o Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio acerca de quem deveria ser o responsável pela gestão do equipamento cultural. O Conselho apresentara uma lista tríplice para a escolha do novo diretor ou diretora – de acordo com diretrizes da escritura de doação do imóvel, de 1936 -, mas a PJF, a princípio, descartou os nomes apresentados e indiciou como diretora interina a diretora geral da Funalfa, Giane Elisa Sales de Almeida. A justificativa foi que o Município apresentaria um projeto de lei instituindo uma nova estrutura administrativa para o museu.
Porém, a Prefeitura se viu obrigada pela Justiça a indicar um dos nomes da lista _ que, além de Maria Lúcia, tinha Douglas Fasolato e Alice Colucci -, numa vitória do Conselho de Amigos do Museu. Com a missão de comandar o Mapro, Maria Lúcia passou a administrar o espaço em meio à pandemia e com os desafios que se arrastam há anos, como a conclusão das obras de restauração da Villa Ferreira Lage, que precisou fechar as portas em 2008 – assim como a Galeria Maria Amália, reaberta em dezembro de 2016 -, e oferecer novas atrações para o público em um dos pontos turísticos e culturais mais importantes de Juiz de Fora.


Tribuna – A senhora está há quase oito meses na direção do Museu, e assumiu o cargo em um momento ainda muito complicado da pandemia. O que foi possível realizar durante esse período?
Maria Lúcia Ludolf de Mello – Ao assumir a direção do Museu, em meados de novembro de 2021, tendo os recursos humanos defasados ao longo do tempo, com as aposentadorias, cargos e funções vagos, encontrei uma equipe de funcionários administrativos e técnicos qualificada, que lá já estava em plena atividade. Recomposto o quadro funcional quanto aos cargos comissionados e ainda aguardando a chamada pública de seleção do concurso para os cargos vacantes, caminhamos a passos largos visando sua abertura total o mais rápido possível. Aliás, as atividades no parque, como o Clube da Caminhada, nunca foram interrompidas e muitas outras foram realizadas este ano na Semana dos Museus 2022 e nas comemorações do 101º Aniversário do Museu, destacando-se oficinas de arte, oficinas de danças de rua, show noturno de música popular brasileira no parque, ginástica e, agora em julho, com muita receptividade, Férias no Museu, que inclui atividades culturais, pedagógicas, para o público infanto-juvenil, tais como oficina de férias, museólogo por um dia e cantinho da leitura, que foram e são novas atrações para os visitantes. Também estamos abertos para visitação guiada, recebendo grupos universitários e colegiais de Juiz de Fora e de outras cidades, tais como Muriaé, Miraí, Cataguases, para citar algumas, ou seja, mais de cem crianças e adolescentes visitaram nestes últimos dias o parque e a Villa Ferreira Lage. Os brinquedos do parquinho estão abertos, os cisnes negros a serem observados nadando no lago.
Como estão os serviços de conservação e restauração do acervo do Museu, além de parcerias com outras instituições?
Estes serviços nunca estiveram parados, mesmo no período mais grave da pandemia. Os técnicos conservadores e restauradores estão sempre atentos a observar, analisar, trabalhar, fazendo o controle de preservação do acervo que é centenário e frágil e assim mantê-lo íntegro, guardado em boas condições higiênicas, climáticas, de acondicionamento, no espaço da reserva técnica do museu. O Museu Mariano Procópio, por ser uma instituição pública, de grande interesse histórico-cultural, está sempre pronta a colaborar com outras instituições, bem como fazer parcerias com órgãos públicos e privados que queiram acolher os seus projetos, como a MRS, a OAB/JF, a UFJF o Espaço Cultural Dnar Rocha, o Exército Brasileiro, o Ministério Público, a Arteria, entre outros.
Quais os planos para o futuro próximo em termos de novas atividades para o parque do Museu, e também de exposições e outras atividades para os dois prédios da instituição?
O processo de restauro está bem adiantado, tanto da Galeria Maria Amália quanto da Villa Ferreira Lage. Outra novidade é que os pedalinhos no lago começarão a funcionar ainda no período das férias de julho. Já estamos providenciando a publicação do edital para o funcionamento da lanchonete.
O seu nome foi o escolhido para a direção do Museu após decisão judicial que obrigou a Prefeitura a se definir por um dos três indicados pelo Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio. Como tem sido o seu relacionamento com o Governo municipal, ainda mais quando sabemos que a PJF busca aprovar um novo modelo de escolha para a direção do Mapro?
A minha relação é a melhor possível. Agradeço a prefeita Margarida Salomão pela confiança e honrosa missão. Fui sempre muito bem recebida e procuro corresponder à altura do cargo que é de muita responsabilidade. A prefeita é cordial, respeita a escritura de doação do obstinado Alfredo Ferreira Lage, é muito inteligente, valoriza a cultura e é apaixonada pelo Museu, concedendo-nos todo o seu apoio dentro das possibilidades da Prefeitura, bem como o apoio das secretarias e demais repartições municipais de que tanto dependemos e necessitamos.
Em qual estágio se encontram as obras de reforma e restauração da Villa Ferreira Lage? Quais cômodos já foram recuperados?
Como já disse, está bem adiantada, quase toda recuperada, faltando a conclusão do processo de forração das paredes que se faz necessário, mas que não tira o impacto, a emoção, do visitante. É o que temos observado e acolhido dos depoimentos. O mobiliário e as peças decorativas, a maioria em boas condições, encontra-se na reserva técnica, e alguns cômodos, como a sala de música, está mobiliada. Estamos agora trabalhando para a implantação do projeto museográfico, entre alguns detalhes de restauração.
A direção do Mapro tem uma estimativa dos valores necessários para o término das obras? Como está a mobilização por recursos? Existe alguma expectativa de obtenção de valores, reinício e conclusão das obras?
A Prefeitura de Juiz de Fora direcionou R$ 8 milhões do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa) para a recuperação de prédios e monumentos tombados e revitalização do parque. Estamos com várias frentes de trabalho, dependendo ainda em alguns casos de autorização dos órgãos patrimoniais, para viabilizar os processos licitatórios e as contratações das empresas vencedoras. Aguardamos R$ 3,2 milhões do BNDES, relativo ao Edital 01/2018, já na fase de assinatura contratual para viabilizarmos o projeto de incêndio e pânico da Fundação. Fomos contemplados no edital 01/2021 do BNDES/MRS, que consta de cinco etapas, com valor previsto de R$ 5 milhões para a restauração de obras de diversas frentes do museu, recurso em andamento que está em fase conclusiva. Além da captação de recursos via leis de incentivos fiscais, cujos resultados são lentos, é preciso uma conscientização e mobilização dos empresários e quem mais possa ajudar. Este patrimônio inestimável é nosso e precisa de apoio, principalmente financeiro, lembrando que o museu possui o Fundo Municipal de Apoio ao Museu Mariano Procópio (Famapro) que pode receber doações de pessoas físicas e jurídicas.











