Festival Axé: Beco estreia nova fase com evento gratuito na Praça Tarcísio Delgado

Festival Axé reúne shows, palestras, rodas de conversa, gastronomia e feira de produtos de sexta a domingo no Centro de Juiz de Fora


Por Cecília Itaborahy

17/06/2026 às 06h00

Festival Axé: Beco estreia nova fase com evento gratuito na Praça Tarcísio Delgado
Festival ‘colore’ a Praça Tarcísio Delgado de sexta a domingo (Foto: Leonardo Costa)

A Praça Prefeito Tarcísio Delgado (antiga Praça Antônio Carlos) ganha uma nova roupagem neste fim de semana. De sexta-feira (19) a domingo (21), acontece o Festival Axé – Saberes em Movimento. O evento é gratuito, e toda a programação, dos shows às palestras e roda de conversa, será realizada a céu aberto, no coração da praça.

Diversos artistas se apresentam no festival. Na sexta-feira, a partir das 18h30, sobem ao palco Samba d’Ilê e Silva Soul. No sábado (20), a partir das 18h, será a vez de Muvuka e Awurê. A proposta é promover trocas entre os artistas durante as apresentações, em um intercâmbio cultural e de ritmos. Já no domingo, o Samba de Colher recebe, a partir das 17h, convidados como RT Mallone, Sandra Portella, Aline Crispim, Amana Veiga, Alexandre Pereira e Samba dos Amigos, em um show de três horas que encerra o evento.

O palco montado também se transforma em espaço de debate e troca de saberes. No sábado, a partir das 14h30, está marcada a palestra “Direito ao Axé”, com a deputada federal Dandara Tonantzin; a advogada Isabela Dario, presidente da Comissão Estadual de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-MG; e Makota Celinha, uma das principais lideranças negras de Minas Gerais. A expectativa é que o encontro resulte na elaboração de uma cartilha para orientar integrantes de terreiros, principalmente da região, sobre seus direitos. No domingo, a roda de conversa abordará a interreligiosidade e a intolerância religiosa, a partir das 15h.

 

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Beco na rua

Festival Axé: Beco estreia nova fase com evento gratuito na Praça Tarcísio Delgado
Evento é totalmente gratuito (Foto: Leonardo Costa)

A produção do evento é assinada pelo Beco, que fechou as portas em dezembro e, desde então, realizou algumas festas na rua, mas nenhuma tão grande quanto essa. E trata-se apenas da primeira, como conta o produtor Guilherme Imbroisi. Para ele, iniciar esse movimento com o Axé representa pedir licença e, ao mesmo tempo, resgatar o começo de tudo.

“A gente inicia com as raízes de tudo, do nosso Brasil, de como a gente entende o mundo, o sincretismo religioso que a gente tem aqui, e isso vem tudo do mesmo lugar. E para a gente foi muito lúcido saudar o lugar de onde as coisas vêm (a partir desse primeiro evento).”

E isso está presente não só na roda de conversa e na palestra, mas também nos shows escolhidos para ocupar o palco – tudo de forma a exaltar a cultura afro-brasileira e afro-mineira. Coisa, inclusive, que já fazia parte da curadoria do Beco. A céu aberto, porém, fica ainda mais escancarado.

“São as raízes de tudo o que a gente ama, das músicas que a gente ama, de coisas que a gente faz e nem sabe de onde veio. E a gente quer mostrar isso para o povo.”

Quando funcionava como espaço físico, o movimento promovido pelo Beco ficava, de certa forma, restrito às pessoas que, na maioria dos eventos, pagavam para assistir aos shows. Já havia uma mobilização, mas em menor escala, e o impacto também era diferente. Agora, na rua, a iniciativa ganha nova dimensão.

“Tem que fazer o evento pequeno também. Mas é o grande que marca, que impacta efetivamente o cenário cultural da cidade”, defende Guilherme, que também lembra que Juiz de Fora ainda é uma cidade conservadora.

Guia do evento

Realizar shows e conversas a céu aberto também é uma proposta que vai ao encontro da ideia de tornar os saberes acessíveis à população. Geralmente, como lembra o produtor, as conversas em eventos como esse acontecem em ambientes fechados. No Axé, será diferente. O palco muda de formato para receber essa parte da programação, que complementa o que acontece nos shows.

“A gente quis transformar em uma coisa só. Até porque é muito importante que os dois caminhos se unam. Quando a gente mistura, a gente permite que esses dois públicos convirjam. E a gente consiga trazer essa lupa que os shows dão, ampliando a comunicação, também para temas muito importantes.”

Para que o festival contemplasse as questões que envolvem os terreiros, Guilherme conta que todo o processo foi orientado por seus integrantes. A produção do Beco atua como facilitadora, buscando ampliar o alcance das demandas e, ao mesmo tempo, celebrar esse passo.

“Eu tenho certeza que é muito mais difícil para a galera do axé e do terreiro fazer isso do que para a gente que é fazedor de cultura. A gente tem um passe livre maior para abordar mais temas e não ser tão rechaçado pela população de Juiz de Fora. (…) Não é exatamente o nosso lugar de fala, mas a gente flerta com ele e a galera está muito feliz de poder falar.”

Colorir a praça

A escolha da Praça Prefeito Tarcísio Delgado para receber o Festival Axé foi proposital. Além de ser um espaço aberto e localizado no Centro, o local tem importância histórica e já recebeu eventos de diferentes tipos.

“Nada mais justo que colocar isso em uma praça que é super simbólica para Juiz de Fora, que foi batizada como praça cinza, e o único jeito de subverter isso é encher o lugar de cultura. Ter três dias de evento lá vai dar o corpo que a gente quer, até porque é um evento muito colorido.”

O festival também terá opções gastronômicas e uma feira de produtos, mantendo a relação com o tema principal.

Confira a programação do Festival Axé

Sexta (19)
16h – DJ
18h30 às 19h30 – Samba d’Ilê
19h30 às 20h – DJ
20h00 às 21h30 – Silva Soul (Part. Samba d’Ilê)

Sábado (20)
14h – DJ
14h30- Palestra – direito ao axé
Até 18h – DJ
18h às 19h30 – Muvuka
19h30 às 20h – DJ
20h às 21h30 – Awurê (part. Muvuka)

Domingo (21)
14h – DJ MCastro
15h – Roda de conversa – setorial interreligioso – intolerância religiosa
17h às 20h – SdC convida
20h às 21h – DJ MCastro