Uma vida para a arte
O cofundador do Centro Cultural Pró-Música, Hermínio de Sousa Santos, morreu na manhã de ontem, aos 81 anos. Ele estava internado no Hospital Albert Sabin para tratamento de um câncer. O corpo é velado na Capela 1 do Cemitério Parque da Saudade. O sepultamento acontece hoje, às 10h, no mesmo local.
Sempre ligado às artes, em 1971, fundou, com sua esposa, Maria Isabel, o Centro Cultural Pró-Música. Durante 40 anos, trabalhou com a família e apoiadores para construir e solidificar as bases sobre as quais se sustentam o trabalho do Pró-Música e nas edições do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, outra realização da instituição. Hermínio dedicou-se, até março de 2012, ao centro cultural que ajudou a fundar, atuando como diretor e respondendo pela função de secretário- geral. Ele deixa esposa, cinco filhos e dez netos.
Para seu filho Júlio César, que atuava ao lado do pai no Pró-Música, fica na memória o legado deixado por Hermínio para a cultura da cidade. "Como filho, tive a felicidade de conviver com ele todos esses anos e ver que ele veio para transformar. O ideal era fazer para os outros, sem retorno financeiro. A satisfação estava no prazer de fazer acontecer e na realização dos projetos. Ele nunca esteve ausente." Júlio destaca ainda a felicidade do pai com a incorporação do Pró-Música pela UFJF no ano passado. "A doação foi mais um exemplo desta ideia do trabalho em nome da continuidade."
Em nota, o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, afirmou que a cidade perde um grande homem da cultura local. "É uma perda não só para a música, mas para todo o setor cultural juiz-forano. O senhor Hermínio foi um grande entusiasta com relação às artes, com sua dedicação ao Centro Cultural Pró-Música e, principalmente, ao Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, ajudando a colocar a cidade como referência no cenário nacional da música de qualidade".
Com a notícia do seu falecimento, os juiz-foranos foram para as redes sociais prestar solidariedade à família e homenagear a atuação de Hermínio na cultura local. Em seu perfil no Facebook, o diretor teatral e comediante Gueminho Bernardes postou seu lamento. "Sofre a cultura da cidade e sofre a família com a perda de um grande homem, pai e incentivador. Eu e o TQ devemos muito a ele por tudo que nos proporcionou. A todos da família, que o nosso reconhecimento de tão importante trabalho ajude a suportar a dor." Na mesma rede social, o grupo de discussão "Chiquinha Gonzaga" rendeu homenagens a Hermínio por meio de vídeos de apresentações realizadas no centro cultural e durante edições anteriores do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Já no grupo "Teatro JF", o ator e diretor Marcos Marinho comentou a perda de Hermínio por suas "décadas de dedicação à arte, especialmente à arte erudita tão sem espaço em nosso país".
Em virtude do falecimento de Hermínio, a apresentação do Quarteto Spalla Pró-Música, que aconteceria hoje no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), foi cancelada. A nova data do concerto ainda não está definida. Em nota, a Pró-reitoria de Cultura da UFJF, responsável pelo Mamm, lamentou o falecimento de Hermínio e mostrou solidariedade à família pela "grande perda pessoal e profissional, haja vista sua vasta contribuição para a cultura, muito além das fronteiras locais".
Também em nota, o reitor da UFJF, Henrique Duque destacou o caráter incentivador de Hermínio para a cultura da cidade. "O Pró-Música criou um clima muito favorável para a criação do nosso curso de Música, no Instituo de Artes e Design, graças à formação de novos e reconhecidos artistas, proporcionada pela bela instituição que ele fundou. Com simplicidade, Hermínio doou sua competência, conhecimento e toda a sua vida ao Pró-Música."









