Encantos da Vila foi desclassificada do desfile das escolas de samba por atraso, afirma Liesjuf

Presidente da agremiação relata problemas com guincho de carros alegóricos


Por Bernardo Marchiori

17/02/2026 às 10h45- Atualizada 17/02/2026 às 10h48

Quem abriria oficialmente o segundo dia de desfile das escolas de samba em Juiz de Fora seria a Encantos da Vila. Contudo, houve atraso e a agremiação acabou desclassificada. A informação foi divulgada pouco antes de 20h30 – cerca de 30 minutos depois do horário marcado para o desfile. A Liga Independente das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf) informou que a escola tinha até o horário da próxima agremiação para entrar na passarela, o que não aconteceu.

O presidente da Encantos da Vila, Wanderson Castelar, relatou que chamou o guincho para os carros alegóricos ainda antes das 19h, na sede da escola de samba Partido Alto, no Mariano Procópio. No entanto, a empresa contratada, que, segundo o mesmo, “foi muito solícita desde cedo, compreendendo que não tinham terminado o trabalho de montagem e decoração”, não teria atendido ao chamado.

Além disso, Castelar afirmou que o presidente da Liga, Gilberto Gil Martins da Costa (conhecido como Jubinha), foi ao barracão de trabalho da escola “sem ser convidado, querendo impor a saída com apenas um tripé”. “Ao ser rechaçado, disse que ‘faria de tudo para me fazer devolver a verba destinada pela Prefeitura’. Não tenho histórico nenhum de conflito com dirigentes de escolas de samba. Muito pelo contrário: sempre os prestigiei e os respeitei.”

Mesmo com a situação, a Encantos da Vila entrou na passarela – com um número muito menor de pessoas. “O regulamento permite que a escola desfile, mesmo desclassificada. Neste contexto, não é um ato de benevolência, mas de humilhação. Apenas para justificar a não aplicação de penalidades maiores. É uma imposição: ou passa aos cacos, ou é obrigado a devolver a verba pública ou coisa pior”, finaliza Castelar.

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Foto: Leonardo Costa

Liesjuf se posiciona

Jubinha, presidente da Liesjuf, explica que havia um planejamento para o trabalho de guincho puxar o carros, seguindo a ordem de desfiles de cada escola. “No caso da primeira, os carros não estavam prontos. Orientamos a passar para a próxima escola para não atrasar o planejamento e depois retornar para puxar o da Encantos da Vila, dando mais tempo para eles finalizarem.”

Ele confirma que passou no barracão às 18h, para ver a situação e observou que “havia muito a ser feito”. “Falei para finalizar apenas um carro, para dar tempo de colocar na passarela. Ele (Castelar) não aceitou e, a partir disso, alertei que no plano de trabalho que ele apresentou à Funalfa constava a realização do desfile; caso não ocorresse, poderia ter que prestar contas do serviço final não entregue”, conta.

“Nossa diretoria foi solicitada a passar novamente no barracão, às 20h, para puxar o carro – a pedido do Castelar. Segundo o motorista, o local estava fechado. Depois de alguns minutos de insistência, desistiram. A escola foi desclassificada não pelo carro, mas pelo que consta no regulamento de 30 minutos de atraso”, complementa.

Apesar disso, a Funalfa informou que houve um diálogo nos bastidores e a Encantos da Vila chegou a desfilar após a última escola do dia (a Real Grandeza), mas já desfalcada e sem qualquer pretensão para os jurados pela desclassificação. “A decisão foi tomada para respeitar a comunidade e quem já ia desfilar”, destaca o diretor-geral da Funalfa, Rogério Freitas.

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