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A festa da ‘debutante’


Por JÚLIO BLACK

16/10/2014 às 06h00- Atualizada 16/10/2014 às 11h26

Antigo Chalé dos Ingleses ganhou projeto arquitetônico de Rogério Mascarenhas para abrigar o clube
Antigo Chalé dos Ingleses ganhou projeto arquitetônico de Rogério Mascarenhas para abrigar o clube

A boate Privilège chega aos 15 anos de existência e, voltando aos tempos em que festas de debutantes eram uma verdadeira instituição da família brasileira, vai promover uma festa de arromba, neste sábado, para comemorar o seu 15º aniversário de atividades no entretenimento noturno. O evento, apenas para convidados, vai contar com alguns dos nomes que já passaram pela casa noturna durante este tempo, entre DJs residentes e convidados: Marquinhus SP (que tocou na noite de abertura da Privilège), Sandro Valente, Valvet, Marley, Amanda Chang, Memê (que homenageou a boate com a “Chanson du soleil”), Diogo Accioly e Capute & Moa, entre outros. Haverá, ainda, apresentação da banda Rock Celebration e um casal de bailarinos do Theatro Municipal, do Rio, que farão uma versão estilizada de “Danúbio azul” para entrar no clima de uma festa de debutantes. Quem também vai ajudar a criar o clima será Anderson Souza, responsável pela decoração do local para o evento.

Para os dois sócios da Privilège, Octavio Fagundes e Iuri Girardi, é importante buscar novidades sempre para não ficar para trás, devido à mudança de público com o passar dos anos – o que faz com que a boate seja a segunda casa de grande nome com mais tempo de atividade no país, de acordo com ele. “Essa troca de gerações é muito interessante. A própria ‘alma’ da Privilège mudou, somos da época em que a internet estava nos seus primórdios. Hoje, o que acontece aqui ou lá fora é repassado na hora, a questão é acompanhar isso. Ficamos ligados não só na música, mas também na estética.”

DJs, balé e outras atrações marcam o aniversário da boate comandada por Iuri Girardi e Octavio Fagundes
DJs, balé e outras atrações marcam o aniversário da boate comandada por Iuri Girardi e Octavio Fagundes

Octavio, que se define como um “jovem senhor”, começou a trabalhar com a vida noturna ainda nos anos 80, com festas que organizava no Clube Bom Pastor. Dando um passo à frente, criou a Front em 1992, que se manteve em atividade por cinco anos. Já em 1999, inspirado pelas casas noturnas que conheceu na cidade de Ibiza, na Espanha, resolveu que era hora de criar algo maior, e daí saiu a Privilège. Em sua procura por um lugar interessante, ele acabou se deparando com o Chalé dos Ingleses, uma construção concebida para receber a diretoria da empresa Ferreira Guimarães e que estava fechada há muitos anos. Por essas coincidências que dão graça à vida, ela havia sido comprada por um amigo seu, Marcelo Machado, que acabou se tornando sócio do empreendimento (do qual se desligou no ano passado) e sugeriu para a parceria seu primo, Iuri, que na época morava no Rio Grande do Sul.

“O projeto cresceu muito em sua concepção. O Marcelo e o Rogério Mascarenhas (arquiteto responsável pelo projeto da boate) ajudaram muito. As reuniões eram sempre muito criativas, na época era até mais do que a cidade precisava”, conta Iuri. “Queríamos uma ideia que repercutisse no Brasil todo. O Rogério veio de Barcelona e também era clubber na época, pegou uma casa secular e juntou o antigo e o moderno. O projeto para a Privilège é o único de uma casa noturna, até hoje, que foi premiado pela Bienal de Arquitetura de São Paulo”, acrescenta Octavio. Durante esse tempo, passaram pelo local alguns dos DJs mais badalados de cada momento, como Felix da Housecat, Solomon, Gui Boratto e Sebastian Ingrosso, assim como artistas do rock e pop como Paralamas do Sucesso, Cássia Eller, Arnaldo Antunes, Ira! e Lobão.

 

Expandindo os negócios

Iuri destaca que pensar a longo prazo foi muito importante para que a boate esteja em atividade até hoje. Apenas a Privilège de Juiz de Fora tem uma média de quase 200 eventos por ano. Em 2003, a cidade de Búzios (RJ) foi a escolhida para sediar a segunda casa noturna da franquia. “Búzios é uma das cinco cidades do Brasil com o maior número de turistas, acabou amplificando nosso trabalho não só dentro do país, mas também no mundo”, diz Octavio, listando entre os grandes nomes da música eletrônica que se apresentaram no balneário fluminense os DJs Carl Cox e Svën Väth.

Uma terceira “filial” da boate, a Isla Privilège, foi inaugurada em 2011 na ilha de Cunhambebe Mirim, em Angra dos Reis (RJ), mas atualmente está fechada aguardando a regularização de questões ambientais denunciadas pelo Ministério Público Federal. De acordo com Iuri, o local deve estar novamente aberto ao público em breve. O que é certo, entretanto, é a abertura da Privilège Xangri-lá, na Praia de Atlântida, no Rio Grande do Sul, em 27 de dezembro, uma parceria com um grupo de empresários do Sul do país. “Recebemos muitos convites do tipo, mas não podemos aceitar devido ao volume de trabalho. Além disso, temos que entender o mercado local, nosso cuidado com a marca é muito grande e não queremos que um empreendimento dê errado e feche”, aponta Iuri. A preocupação com a qualidade do que fazem, aponta a dupla, é um dos motivos para terem sido eleitos o “melhor club do Brasil” em 2012 e 2013 pela “Cool awards”, prêmio oferecido pela revista de entretenimento “Cool Magazine”.

Como se o fato de estar à frente das boates não fosse suficiente, Octavio e Iuri ainda idealizaram a Privilège Tour, versão itinerante da casa noturna que já passou por cidades como Manaus, Belo Horizonte, Vitória e Fortaleza; o Privilège Buffet; e a revista “Privilège Mag”, criada em 2006 e com uma tiragem de cerca de 15 mil exemplares. Para tanto, são cerca de 140 funcionários ajudando a tocar o barco.

“É um trabalho, mas também é diversão. Hoje temos uma gestão confiável, moderna, antes fazíamos tudo na vontade. Era ter a ideia e já executá-la, agora é muito mais planejado. Buscamos manter a magia, mas entendemos que se trata de uma empresa. Estamos num momento de muita maturidade, preparados para os próximos anos e os novos desafios”, arremata Iuri.