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Diário de bordo


Por PALOMA DESTRO, JORNALISTA E MESTRANDA EM COMUNICAÇÃO PELA UFJF

16/10/2013 às 07h00

Ter a oportunidade de conhecer Manaus representou, significativamente, uma quebra de estereótipos. Todos temos em nosso imaginário cultural, seja através do que é reproduzido pela mídia ou pelo lastro histórico do local, a ideia de que ir a Manaus significa encontrar índios ou seus descendentes perambulando pelas ruas com seus artesanatos típicos. Rusticidade é a palavra que menos se encontra na capital em questão.

Manaus é uma cidade de dois milhões de habitantes como outra qualquer, só que com dois, digamos, agravantes: um calor que elevou o ar condicionado ao status de necessidade e uma infraestrutura urbana que prejudica o ir e vir dos pedestres, haja vista as calçadas esburacadas e a ausência de semáforos em algumas vias.

O centro da cidade também é normal: muitos camelôs vendendo o que os nossos daqui vendem, filiais de lojas que já frequentamos, lanchonetes e etc. Encontramos, sim, o artesanato, mas repetitivo pelas tendas expostas. O que vale muito a pena, aos compradores de plantão, são os sabonetes com aromas típicos. O problema começa quando descobrimos a maravilhosa fragrância dos produtos com essência de açaí: é disputa em tudo quanto é lojinha pelas últimas unidades.

O encontro dos rios Negro e Solimões foi apelidado por mim e por uma amiga de Josefina de Deus. Eles não se misturam, ficam lado a lado, compondo um dos cartões postais mais bonitos da capital. A junção só acontece mais longe, rumo ao Rio Amazonas, agregador das diferenças de temperatura, correntes marítimas e densidade da água – conhecimento adquirido através do jovem manauara que pilotou o barco.

Não se pode ir a Manaus sem conhecer o Teatro Amazonas. São apenas 700 lugares, mas uma riqueza histórica impressionante. Lembra um pouquinho o nosso Central (só que, no caso do primo nortista, o ar condicionado foi instalado na década de 1970 antes do seu tombamento; lição que sempre lembraremos ao nos abanarmos desesperadamente durante o verão na construção juiz-forana).

A cereja do bolo foi um local que de manauara não tem nada: um pub chamado O Chefão, que naquela noite em que eu e meus amigos o encontramos apresentaria um tributo a Cazuza e a Lulu Santos. Só nos restou comer as delícias do cardápio (uma carne vermelha para quem estava frequentemente comendo peixe não vai nada mal) e cantar literalmente com a banda. O microfone foi aberto ao povo de Minas, que disputou a preferência do excêntrico cantor com uma mesa composta por pessoas de Mossoró. Nós ganhamos pela alegria, gingado na dança e disposição. A noite estava completa.

Fica então um último aviso aos desejosos de viajar para as terras manauaras: se prepare para gastos com táxi. Eles serão muitos. Mas, no fim, terão valido a pena.