As verdades dos cinco

Os roqueiros da Supercombo apostam em versos autorais e som entre o antigo e o cool (Divulgação)
É, eu (também) temo que sim, (que) chegou um novo dia e (que), agora, é acordar. Os versos que inauguram o último disco do Supercombo, “Amianto”, lançado em 2014, fazem sentido não apenas para os cinco elementos da banda, mas podem ser ditos por quaisquer outras pessoas. De fato, chegou um novo dia para Carol Navarro (baixo), Raul de Paula (bateria), Leo Ramos (vocal e guitarra), Paulo Vaz (teclado) e Pedro Ramos (guitarra). Após passar pelo programa “Superstar”, encerrado no domingo com a vitória da dupla Lucas e Orelha, o grupo que se encontrou em São Paulo e fez da rede um importante trampolim, vive tempos de muitos ecos, do que imaginam e do que não imaginam ser (como diz a letra “Fundo do mar”). Neste sábado, o som entre o “antiguinho” e o cool chega a Juiz de Fora, às 23h, no Cultural Bar. A abertura fica por conta da banda Shaver, e o encerramento com a Visco.
Questionados sobre o que a atração global lhes trouxe, os roqueiros que flertam com o pop são diretos. Afinal, aguardavam tudo com ansiedade. “Não tínhamos abertura na TV aberta, e precisávamos dar esse passo. Nem que saíssemos no primeiro dia, já teríamos dois minutos para mostrar a nossa música. Valeu muito a pena. Ficamos dois meses no ar, e continua repercutindo”, comemora o tecladista Paulo Vaz. “Já tínhamos um trabalho de sete anos, mas não conseguíamos chegar a muitos lugares. É muito difícil para uma banda levar sua música para o país inteiro. Quando aparecemos no programa, ficamos conhecidos. Isso gerou mais shows e acessos muito maiores nas redes sociais. Nossos canais na web praticamente dobraram de tamanho. Isso fez com que a Supercombo tivesse uma dimensão muito maior”, completa o baterista Pedro Ramos, o Toledo.
E o que querem esses quatro barbudos e a menina de cabelos ruivos? “Queremos que o Brasil inteiro nos conheça. Eventualmente, sair do país e mostrar lá fora. Queremos divulgar nosso som, passar nossas mensagens. Esse é o combustível para continuar. Queremos fazer todos os shows em todos os lugares possíveis”, responde Vaz, num transparente entusiasmo. “Nossa ideia é desafiar, mesmo com a influência do pop, tocando coisas mais difíceis”, dispara Toledo. “Hoje conseguimos viver de música autoral. Isso é muito importante. Conseguimos fazer shows de uma hora e meia, tendo público para isso”, acrescenta Vaz.
Mundo sintetizado
Entre lembranças da infância, desafios do crescimento, encantamentos e traumas de amor, dilemas existenciais e trivialidades cotidianas, o Supercombo faz seu campo de força. Há uma aura onírica em suas canções. Nas palavras do apresentador do programa da web “Estúdio ShowLivre”, fazem “rock aliado a letras e melodias imprevisíveis”. Sem a pretensão de soar literário, fazem poesia. “Trabalhamos todos juntos num mesmo lugar (uma produtora paulista). Temos uma convivência pessoal e profissional diária. Isso ajuda e atrapalha. Os embates e as discussões são muito maiores. Ao mesmo tempo, dividimos muito mais, além de resolvermos tudo mais rápido. O Leo reproduz o que enxerga e o que vivemos. Ele sintetiza nosso mundo”, comenta Paulo Vaz.
“Compartilhamos, os cinco, de muitas dúvidas e muitas certezas. Apesar de sermos muito diferentes, dividimos bastante, muita coisa”, diz Toledo, para logo completar, aos risos: “Mais até do que gostaríamos”. Desses encontros, vislumbraram um lugar de originalidade. “Escutamos muitos estilos diferentes de música: do rock ao samba, passando pelo jazz e pelo experimental. Automaticamente, colocamos referências outras no que fazemos. E isso é intuitivo”, pontua Vaz.
As intuições deram certo e fisgaram milhares de internautas. “Piloto automático”, um dos singles do recente álbum, ficou na quarta posição das músicas mais compartilhadas no aplicativo Spotify e ficou entre as 20 mais baixadas no iTunes brasileiro. “O que alavancou a banda no início foi a internet. Temos uma relação muito próxima com o público. Atendemos todas as pessoas no camarim. Nossa base de fãs cresceu na internet, porque era nosso único veículo”, aponta Toledo.
Sobre as concessões que o mercado impõe, já pensaram e repensaram e aceitam. Até um limite. “Se na rádio a música tem que ter X minutos e a nossa tem mais, é preciso que editemos para que ela entre na programação. Não tem como lutar contra. Na parte criativa, não mudamos a maneira de compor. A banda é vendida para as pessoas com a verdade que os cinco passam. O que falamos é exatamente o que pensamos. Outras concessões, que não mexem na parte criativa, fazem parte do mercado e não agridem tanto nosso pensamento”, diz Vaz. Como na música “Soldadinho”, em que o “narrador” relembra os tempos de criança vislumbrando um futuro, os meninos e a menina do Supercombo sabem que “o lance é inventar, fazer teu próprio amanhã”.
SUPERCOMBO
Sábado, 18, às 23h
Cultural Bar
(Av. Deusdedit Salgado 3.955 – Salvaterra)








