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O robô que entrou em uma roubada


Por JÚLIO BLACK

16/04/2015 às 06h00

Criado por um casal de bandidos, Chappie é um robô cheio de boas intenções e amor para dar

Criado por um casal de bandidos, Chappie é um robô cheio de boas intenções e amor para dar

Robôs e computadores dotados de inteligência artificial e/ou emoções não são novidade na cultura pop e no cinema. Filmes como “2001: Uma odisseia no espaço”, “O exterminador do futuro”, “Inteligência artificial”, “Robocop” e “Star wars” estão repletos de criaturas criadas pelo homem capazes de tomarem decisões próprias ou sentirem o “coração” bater mais forte. Desta vez, quem tenta humanizar as máquinas é o sul-africano Neill Blomkamp em sua mais nova produção, “Chappie”, único lançamento da semana em Juiz de Fora.

Blomkamp, em sua terceira aventura na direção, tenta se recuperar do tombo sofrido com “Elysium”, de 2013, após a promissora estreia com “Distrito 9” (2009), que chegou a concorrer em quatro categorias do Oscar. A exemplo dos dois filmes anteriores, “Chappie” é mais um exemplar de ficção científica passado na África do Sul, mas desta vez sem o forte teor de crítica social das outras produções. Aqui, o entretenimento parece vir em primeiro lugar.

Dependendo da visão do espectador, “Chappie” pode ser visto como uma mistura do violento “Robocop” com o nonsense de “Um robô em curto-circuito”, duas produções da década de 1980. Na história, o governo da África do Sul resolve adotar um programa que substitui os policiais de carne e osso por robôs dotados de inteligência artificial, produzidos por uma empresa de tecnologia. O cientista responsável pela criação dos autômatos (Dev Patel), porém, deseja mais, e sugere dotar as criaturas com um chip capaz de emular emoções humanas e fazer com que as máquinas sejam capazes de aprender e tomar decisões sozinhas. Com a negativa, ele resolve afanar um robô defeituoso para desenvolver secretamente o seu sonho. O resultado é Chappie (voz de Sharlto Copley), que pode ser considerado uma “criança” em forma de robô, tendo que aprender tudo do início.

Como toda ideia errada acaba por ter consequências nada agradáveis, Chappie é roubado por uma dupla de bandidos interessada em usar o robô em ações criminosas, e o que era para ser um policial exemplar passa a aprender os segredos da bandidagem – mesmo que imagine, em sua inocência, estar fazendo a coisa certa ensinada pelo papai e pela mamãe. Entre os momentos cômicos e “ternura” com o robô aparece o personagem de Hugh Jackman, rival do cientista vivido por Patel e que faz o possível para sabotar o rival e vender o seu peixe – no caso, robô -, mesmo que isso coloque em risco a própria humanidade.

Chappie

UCI 4: 14h16, 16h50, 19h25 e 22h

Classificação: 16 anos