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Casa de Cabangu reabre depois de dois dias de portas fechadas

Prefeitura comprometeu-se a quitar dívidas do museu, que por sua vez deseja criar projetos para captação de recursos em empresas e editais públicos


Por Tribuna

16/01/2019 às 16h43

cabangu olavo
Absolutamente vulnerável, espaço aguarda quitação de dívida para recorrer a patrocínios empresariais e editais públicos (Foto: Olavo Prazeres)

Em menos de um ano, o Museu Casa Natal de Santos Dumont fechou e reabriu pela segunda vez. Endividado, o espaço que passou pouco mais de uma semana fechado em fevereiro de 2018 voltou a cerrar as portas na última segunda-feira (14) e já retornou à cena nesta quarta (16). Segundo Mônica Castello Branco Henriques, coordenadora do museu, nesta terça-feira (15), duas longas reuniões ofereceram novas diretrizes para o local. A primeira delas, pela manhã, reuniu a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e profissionais do turismo e da cultura de Juiz de Fora, e discutiu alternativas para a independência e autonomia do espaço que reúne enorme coleção da memória do maior aviador da história. A segunda, pela tarde, confrontou a Fundação Casa de Cabangu, que gere o lugar, e a Prefeitura de Santos Dumont, responsável pelos repasses que garantiam o pagamento dos funcionários da entidade criada especialmente para comandar o museu.

Há mais de meio ano sem contar com o recurso municipal e acumulando uma dívida trabalhista de mais de R$ 160 mil, o museu chegou a um acordo com a Prefeitura. “Eles (gestores públicos municipais) chegaram à conclusão de que com o apoio do Estado eles poderão quitar nossas dívidas e pagar os funcionários mensalmente”, afirma Mônica, acrescentando que, a partir do pagamento será firmado um novo acordo para o custeio da equipe nos próximos meses. Aventada durante a crise, a mudança da gestão do museu para o município não chegou à mesa. “De maneira nenhuma aceitaríamos isso. A fundação tem 70 anos de direção do museu. E não teríamos como eliminar nosso estatuto. Isso era impossível, tanto que nem trataram disso na reunião”, diz a coordenadora, filha do servidor sandumonense Osvaldo, que há 87 anos recolheu o material herdado de Santos Dumont e guardou na própria casa à espera da criação do museu.

Crowdfunding
De portas abertas, o Museu Casa Natal de Santos Dumont ainda persegue uma existência digna do acervo que preserva. Criado em outubro passado e findado em dezembro, o projeto de crowdfunding “Somos todos Museu Cabangu”, hospedado na plataforma de financiamento coletivo Kickante, angariou apenas R$ 7 mil, 3% dos R$ 177 mil pretendidos. Durante os quase dois meses em ação, a proposta recebeu o apoio de 58 pessoas somente. “Essa verba ainda não chegou em nossa mão. Há um protocolo no Kickante para fazer esse repasse, que não foi do jeito como esperávamos. Desejávamos ter um alcance muito maior”, lamenta Mônica, que espera, agora, iniciar uma nova etapa. “Com a certidão negativa de débitos poderemos fazer projetos para pedir apoio de empresas e entrar em editais estaduais e federais”, conta ela, citando como um de seus objetivos pleitear com a MRS Logística, que administra a ferrovia que fronteia o Cabangu, um apoio para a manutenção e restauro da casa que sofre com goteiras e interdições parciais. “Essa casa merece e precisa de proteção.”