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Paisagem que instiga o olhar


Por MARISA LOURES

15/09/2013 às 07h00

Uma única paisagem pode despertar distintos olhares. Há cinco anos, três no mesmo local, o cenário se repete. Cavaletes, tintas, telas e pincéis são espalhados pelos quatro cantos do Parque do Museu Mariano Procópio. Este, em vez de servir somente de local para a reunião em prol da arte, serve de inspiração. "É um festejar a arte e a natureza", constata o mosaicista Leonardo Paiva, um dos artistas que participam, neste domingo, das 9h às 13h, do Encontro Mundial de Pintura ao Ar Livre, realizado, anualmente, na segunda semana de setembro. O encantador e secular espaço também se prepara para receber a sétima edição da Primavera dos Museus, cujo tema, este ano, é "Museus, memória e cultura afro-brasileira".

Em Juiz de Fora, as celebrações começarão no dia 21 e seguirão até 29 de setembro, com atrações voltadas para crianças e adultos. Exposições, expedição fotográfica, oficina temática, serenata e apresentações musicais e poéticas estão na programação gratuita. "Esta é uma área em que o museu pode e deve atuar. Coincidentemente, já tínhamos algumas propostas nesse sentido. Queremos quebrar o mito de museu sacralizado, e estamos atentos ao que o público quer", assevera Douglas Fasolato, diretor-superintendente da instituição. 

Reunião de todas as linguagens 

Para participar do encontro de Pintura ao Ar Livre, promovido com apoio da Lei Murilo Mendes, não precisa ter muita habilidade com os pincéis. "Cada um faz o que sentir vontade", explica a artista-plástica e professora Rose Valverde. A única exigência é levar o material de uso pessoal. O evento é realizado em 16 países. Em Juiz de Fora, a primeira e a segunda edições, em 2009 e 2010, respectivamente, aconteceram no Calçadão da Halfeld. Contudo, a convite de Fasolato, a partir do terceiro ano, as atividades se transferiram para o Museu Mariano Procópio. "Não estamos reinventando nada, grandes pintores estavam aqui no parque durante sua vida, como o Sylvio Aragão. Tive a ideia de trazer para cá, depois que vi uma foto dele com um cavalete sentado à beira do lago", diz Fasolato. A cada ano, de acordo com Marcilene Ladeira, coordenadora do projeto e integrante da Confraria das Artes, a prática, enraizada no século XV, foi aderindo mais adeptos. Em 2013, contou com a participação de aproximadamente 40 pintores.

As fortes e ousadas pinceladas executadas longe das quatro paredes deram origem ao termo impressionismo. No Brasil, a Pintura ao Ar Livre chegou por meio do pintor alemão Georg Grimm por volta de 1870. "A ideia original era captar o real, mas hoje isso foi ficando mais livre", afirma Marcilene apontando que o projeto abriga diferentes linguagens. Embora se dedique aos mosaicos, Paiva conta que vale arriscar outra técnica. "Cada um tem um foco diferente. Não existe a rigidez do ateliê, onde há um intimismo muito grande. Ao ar livre, sob influência do ambiente, ocorre uma profusão de sentidos", assegura Paiva. "O olhar do artista tem que está direcionado para todos os campos. Temos que ter essa sensibilidade", enfatiza o arte-educador Wagner Castro.

Rose Valverde também ressalta que, além de ser um encontro de artistas, o momento instiga a mobilização do profissional ligado às artes visuais. Quem passar por lá fará coro para a maior adesão da classe no Conselho Municipal de Cultura (Concult). "A eleição para o Concult está próxima, e esse é o nosso único evento. Temos que unir forças para ter um festival, um salão. Precisamos capacitar o artista local. Um dia só é pouco", defende Rose. Segundo Marcilene, existe a possibilidade de os trabalhos serem expostos posteriormente.

Como os pequenos não podem ficar de fora dessa, o Museu Mariano Procópio também preparou uma atividade especial para eles. Das 9h às 10h, as crianças que se inscreveram previamente vão participar da oficina temática, que este mês integra o encontro mundial com o título "Paisagem que vejo, flores que imagino". A partir das 10h, a proposta se abre a todos que estiverem passeando pelo parque. A diferença é que, neste momento, o tema será livre. O material necessário será fornecido pelo setor de Difusão Cultural do Museu. 

Cultura afro-brasileira

Abrindo a programação da 7ª Primavera dos Museus, a professora e escritora Cecy Campos encabeçará a Primavera Lítero-Musical Afro-Brasileira, no dia 21 de setembro, a partir das 16h. Versos de autores ligados à literatura afro-brasileira, como Luís Gama, Solano Trindade, Conceição Evaristo e Cristiano Sobral, sambas de Flavinho da Juventude, em parceria com Nelson Silva e Roberto Medeiros, e números de danças comporão o repertório. "É uma oportunidade de chamarmos atenção para a importância dos afrodescendentes. A escrita deles é evolvente e muito realista. Eles mostram uma preocupação com a questão das etnias. Retratam a memória dos tempos de escravidão", explica Cecy.

Para aproximar ainda mais o museu do público, no dia 23, às 10h, haverá o lançamento do hotsite do parque. Quem quiser conferir, em primeira mão, a programação do espaço, impressões dos visitantes, percursos, informações sobre a fauna e a flora, poderá acessar o endereço eletrônico www.mapro.pjf.mg.gov.br. A intenção é que, em breve, um CD, utilizado como suporte educativo, também seja lançado. 

Lembranças do museu

No dia 24 de setembro, das 7h às 17h, o Museu vai à Escola chega à Escola Municipal Cecília Meireles com a exposição "Retratos oitocentistas no Museu Mariano Procópio". Às 8h, será aberta a mostra "Eu e o museu", composta por fotografias, documentos e jornais. Serão expostas imagens valiosas, algumas acompanhadas de assinaturas, de passagens de nomes ilustres pela instituição. Entre os notáveis, estão políticos e intelectuais, como Getúlio Vargas, Belmiro Braga, Bidu Saião, Murilo Mendes e Pedro Nava. O recorte fotográfico ficará em cartaz até 3 de novembro no parque. De acordo com Douglas Fasolato, os juiz-foranos ainda serão instigados a enviar para a página do museu no Facebook fotos ou histórias vividas por eles dentro do local.

"O museu não é só feito de personalidades. É feito de um público como um todo. Queremos que as pessoas se sintam parte da história da instituição, compartilhando suas memórias. Ainda pensamos em viabilizar uma exposição do material enviado. No tempo em que estou aqui, tenho ouvido relatos interessantes que merecem ser divulgados", explica o diretor. "Esta é uma forma de ampliar o sentimento de pertencimento. Independentemente de idade ou religião, cada pessoa tem um vínculo com o museu, e este vínculo não foi rompido", acrescenta. Às 15h, Nina Mello dará dicas para fotografia noturna, na sede administrativa do museu. As inscrições devem ser feitas pelo telefone 3690-2027. Já os alunos da Escola Estadual Antônio Carlos poderão participar do Baú de Leituras, às 14h.

Realizado todo mês, o Encontro de Educadores discutirá "Cortejos de congo e africanidades: relações entre a prática escolar e imaginação museal". Com participação da pedagoga Andréa Medeiros, o evento é destinado a profissionais da área da educação, a partir das 14h30, também na sede administrativa. O parque do museu volta a servir de inspiração para lentes de iniciantes e iniciados na arte da fotografia no dia 27, às 17h. Com tema livre, os previamente inscritos poderão captar detalhes da paisagem inspiradora durante a Noite no Museu. As vagas são limitadas.

"Na trilha da arte afro-brasileira" é o nome da oficina temática promovida em 28 de setembro, às 14h. Crianças, entre 7 e 10 anos de idade, devem fazer um cadastramento antecipado. O clima dos velhos tempos tomará conta do museu no dia 28, às 16h, com o grupo Recordando em Serenata. Encerrando os nove dias de programação, o Quarteto Spalla Pró-Música/UFJF se apresenta no projeto Música no Parque, dia 29, às 16h.

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